O ano é 2015. Em meio a arquivos digitais, nos mais diversos formatos e tamanhos, e artistas que já não vendem mais dez por cento do que um dia venderam, no auge do mercado fonográfico, eis que brota uma surpresa inesperada: o disco de vinil volta à cena com força total!

Na última semana, a indústria fonográfica britânica divulgou que em 2014 os saudosos bolachões pretos atingiram a marca de 1,3 milhão de cópias vendidas. Este número fora quase o dobro das cópias vendidas no ano anterior, cujo total fora 780.674 mil discos.

Quando estes números são comparados com os da indústria fonográfica norte americana, a surpresa é ainda maior. Em 2014, os LP’s (long play) atingiram a incrível marca de quase oito milhões de cópias vendidas. Números espantosos, uma vez que inúmeras lojas de discos nos EUA fecharam as suas portas nos últimos anos, fato que ocorreu devido a um misto de fatores como a recessão econômica, o declínio na venda de CD’s, além da contínua expansão da comodidade de se consumir música através da internet, seja de forma ilegal ou através de site de vendas e streaming como iTunes e Spotify.

Contudo, esta alta vendagem de vinis nos EUA se deve também ao fato de que não é mais preciso ter um espaço físico para se efetuar a compra do long play, pois através da internet – no conforto do lar – o apreciador dos bolachões pode comprar discos usados, discos relançados, além dos atuais lançamentos dos artistas do mainstream e/ ou do underground.

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“The Endless River” (Pink Floyd)

Dentre os lançamentos que estão no top 10 do Reino Unido, está o recém lançado disco do Pink Floyd, The Endless River. Concomitantemente, nesta lista também se encontram o badalado The Dark Side Of The Moon – lançado originalmente em 1973 – do próprio Floyd, além do primeiro álbum do Led Zeppelin, uma verdadeira obra prima do rock’n’roll.

Já no Brasil, os vinis também demonstram um bom crescimento no mercado. Em 2013, a Polysom, única fábrica de vinis da América Latina que se localiza em Belford Roxo-RJ e pertence ao grupo Deckdisc, vendeu cerca de 59 mil unidades, divididas entre LP’s e compactos. Já no ano passado, as suas vendas foram de mais de 96 mil unidades, totalizando um aumento de 63% com relação ao ano anterior.

Com isto, é notável que a cultura do vinil mundo a fora apresenta uma franca expansão, onde, em meio ao aclamado futuro das mídias digitais, os bolachões pretos resistem e se mostram bem vivos, remando por conta própria, escrevendo a sua “estória” na nossa pragmática e previsível sociedade contemporânea.

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