'Orange Is The New Black': quarta temporada tropeça, mas não cai
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Orange is The New Black, uma das séries originais mais famosas da Netflix, teve sua quarta temporada liberada na última sexta-feira (17/6). Se você não conhecia a série, provavelmente passou a conhecer após os vídeos promocionais da mais recente temporada, nos quais Inês Brasil foi aprisionada em Litchfield, penitenciária que é o locus da história. O fato é que, animados com a brincadeira com a musa da internet e das gays, já maratonamos os novos episódios e podemos dizer que, depois de uma terceira temporada cheia de personagens descartáveis, a quarta, em tese, consegue superar a anterior.

O primeiro episódio da nova temporada inicia-se no mesmo ponto no qual a terceira foi finalizada, com as detentas se divertindo no lago próximo à prisão. Esta cena, vale salientar, foi a mais emocionante da temporada anterior. Resolvido o problema com a cerca que separava Litchfield do lago, mais problemas surgem na prisão, o que dá mais munição – com o perdão do trocadilho – para o desenvolvimento dos novos episódios: a superlotação, ocorrida com a chegada de novas detentas após o comando da prisão passar para mãos de empresários que visam grandes lucros e redução de custos. Com elas, está a chef de cozinha Judy King (Blair Brown), que ser famosa, é privilegiada de várias maneiras pela empresa que administra a prisão. Outra crítica da série está relacionada à guerra dentro da cadeia por território e, nisso, todas as minorias estão envolvidas: negras, latinas, brancas e até as mais velhas.

A esquerda Poussey e a direita Judy King são uma das duplas que mais dão certo em quesito de humor nesta temporada.

Poussey (à esquerda) e Judy King (à direita) formam uma das duplas que mais dão certo em quesito de humor nesta temporada.

Pelo menos nos seus primeiros 6 episódios, de um total de 13, a série não tem qualquer rumo. As tramas eram apenas disparadas aos telespectadores. Parecia que os bons roteiristas de temporadas anteriores tinham perdido a mão de escrever um drama que valesse à pena, com aprofundamentos interessantes, o aspecto que torna OITNB interessante. Parecia que Orange Is The New Black tinha perdido completamente a identidade. Ainda era engraçado. Ainda era divertido rever, na tela, as personagens que ganharam o nosso carinho. Mas faltava um drama, aquilo que nos amarra e nos conecta a esses personagens.

Contudo, são episódios importantes, pois preparam o terreno para acontecimentos que culminam em um final, mais uma vez, surpreendente, que nos deixa ávidos para o próximo ano. Após o sexto capítulo, além desses acontecimentos, a série finalmente desenrola e investiga as histórias de alguns personagens. Novos casais também são formados após essa fase, mas sem exageros. Nas temporadas anteriores, os romances lésbicos não faziam o menor sentido para o desenvolvimento da trama e, por isso, pareciam forçados demais, como se houvesse uma cota de beijos e transas entre mulheres para suprir.

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Quanto ao elenco, o destaque é a perda de protagonismo da personagem Piper Chapman (Taylor Schilling). E isso é bom. Ao longo desses anos, ela vai ficando mais intragável e está ali só por estar mesmo. Isso vem acontecendo desde a segunda temporada e piora ainda mais com a falta de desfecho de seu romance enrolado com Alex Vause (Laura Prepon), que talvez esteja acontecendo só para agradar os fãs. Vale mais a pena acompanhar e torcer para as personagens recém-chegadas, e as que já conhecíamos antes cujo passado ainda não tinha sido revelado.

Assim, o quarto ano de OITNB começou confuso, mas terminou de maneira coerente com a proposta de comédia dramática, proporcionando momentos emocionantes que só Orange Is The New Black sabe fazer.

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