A apresentadora Fernanda Lima anuncia a banda potiguar Plutão Já Foi Planeta; os jurados demonstram empolgação; nas mídias sociais, uma legião de fãs conquistados antes e depois da primeira apresentação do grupo do programa, há mais de um mês, já estão ansiosos pela apresentação e preparados para ajudar na porcentagem de aprovação da banda, que começa a disparar no momento em que as primeiras notas do indie rock “Mesa 16” são entoadas. A performance é realizada com segurança pelo quinteto, que parece a cada apresentação mais à vontade no palco da terceira edição do programa de calouros da Rede Globo “SuperStar”.

Durante os dois minutos da apresentação, a vocalista Natália Noronha mantém sua simpatia e presença de palco, agregadas à confiança reafirmada após duas etapas de elogios e méritos no programa; a baixista Vitória de Santi, elogiada na etapa anterior por um dos grandes nomes do pop rock brasileiro, Paulo Ricardo, exala maior firmeza e segurança; os três garotos da banda, Gustavo (guitarra e baixo), Khalil (bateria) e Sapulha (guitarra, ukulele, escaleta), estão à vontade e é difícil saber qual sentimento predomina na apresentação da Plutão: confiança, esperança ou divertimento.

Ao fim da apresentação, com votos de aprovação dos três jurados, Fernanda Lima abraça Natália amigavelmente, os comentários continuam positivos, os jurados são uniformes em admitir que são fãs assumidos do grupo, e a banda deixa o palco com a moral da maior pontuação da tarde, até o momento: 77% de aprovação, que só foram batidos posteriormente pela banda Bellamore, que conquistou a audiência do programa com um rock não-autoral no dia em questão. Bellamore já agrega um bom número de fãs, mas de um público segmentado e, a julgar pelo mercado brasileiro, tendem a agradar um nicho menor que o som da Plutão.

Plutão Já Foi Planeta despontou como promessa da música potiguar nos prelúdios de 2014. Pode-se dizer que o público foi oficialmente apresentado a ela no Festival Bandas Novas do DoSol, que nós tivemos a honra de acompanhar de perto. Na época, Regina Azevedo escreveu:

“E aí, eis que sobe no palco a minha grande expectativa da noite: Plutão Já Foi Planeta. Tanto pelo nome “fuderoso” quanto pelo material foda que achei no Youtube e até pelos próprios comentários no DoSol. Eles subiram no palco, lindos, brilhantes, transbordando. Poucas vezes na minha vidinha vi algo assim.”

Plutão Já Foi Planeta no Festival Bandas Novas do DoSol (2014)

Plutão Já Foi Planeta no Festival Bandas Novas do DoSol (2014) | Foto: Leila de Melo

E foi aí que o indie rock do Plutão e o carisma de seus integrantes começaram a formar a sua família. A receita é simples, mas rara: arranjos originais e agradáveis aos ouvidos, letras bem escritas e que geram empatia, uma frontwoman dona de uma voz notável e com performance que cresceu (e muito!) junto com a banda, e o talento combinado de absolutamente todos os integrantes. A partir de então, o ex-último planeta do Sistema Solar cresceu: convites para shows, festivais, repercussão nas mídias sociais, breves turnês… O caminho natural de toda boa banda articulada.

Não tenho dúvidas que o percurso continuaria a ser traçado naturalmente e, mais cedo ou mais tarde, os alçaria para muito longe. No entanto, a aparição no programa global SuperStar é uma alavanca para qualquer trabalho. Desde a primeira apresentação no programa, soubemos que Plutão não seria apenas classificado para ser eliminado uma ou duas apresentações depois – o que aconteceu, por exemplo, não por falta de talento, mas por falta de padrão, com as maravilhosas Khrystal e Simona Talma e, mais recentemente, com o garoto Elizardo Alves no The Voice Kids).

Plutão Já Foi Planeta tem o combo esperado de uma banda SuperStar: material louvável, presença de palco, simpatia, integrantes cativantes, estilo moderninho que agrada os novos consumidores de música brasileira, composição mista (2 meninas e 3 garotos) que gera empatia com os dois gêneros (das bandas restantes no programa, apenas Plutão e Melim têm mulheres), isso apenas para citar o que vemos quando a banda sobe aos palcos. Foi o suficiente para conseguir a aprovação imediata dos três jurados e elogios intermináveis com ares de surpresa e encanto. Não faltou também conteúdo sobre a banda nas mídias oficiais da Rede Globo, já tendo participado inclusive de outros programas de entretenimento da emissora, como o VideoShow. Em sua primeira aparição no programa, Plutão saiu do status de banda local emergente para uma das novas promessas da música nacional.

Porém, não é justo atribuir a popularidade da banda apenas à escolha do formato e ao carisma imediato. Plutão sabe usar bem as ferramentas que tem ao seu favor: no Facebook, onde costuma mesclar divulgação e rotina, é a banda do programa que mais conquistou fãs durante os dois meses, atingindo a marca de 92.000 fãs; no Instagram, possui quase 35 mil seguidores e uma média de 5 mil likes e dezenas de comentários por postagem; já no Spotify, a banda tem mais de 51,5 mil de ouvintes mensais, com destaque para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Natal, e já figura as principais playlists de indie brasileiro, como a playlist oficial Indie Brazuca, que tem quase 90 mil seguidores. Em todas as mídias em que a interação é permitida, sempre que possível a Plutão separa um tempo para responder os fãs, brincar e dar um tratamento especial para aqueles que destinam um tempo para a interação com a banda.

Por fim, pode-se dizer que independente de ganhar o SuperStar ou não, com alguma sabedoria e jogo de cintura, o sucesso da banda está assegurado. No entanto, a despeito da boa qualidade musical de todas as bandas restantes, entre o forró regional de uma, o rock pesado de outra e o folk arrastado de uma terceira, é certo que Plutão é a que reúne o maior apelo musical, congrega maior identificação com o público e tem o melhor compilado de atributos para passar a semifinal (que acontece neste domingo, 19), e, com a ajuda do público que vem conquistando a cada dia, ser consagrada como a nova banda SuperStar do Brasil. E a torcida pessoal desta jornalista é que logo consiga desamarrar-se do apadrinhamento global e lance seu foguete para onde desejar: há ainda muitos planetas a serem explorados.

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