Os 33 arrisca bastante. E acerta na maioria das vezes.
7.5nota total
Nota do leitor: (1 Voto)
9.0

Os 33 conta a história – que deve ser familiar para a maioria dos que estão lendo – de 33 mineradores que ficaram presos numa mina subterrânea durante 69 dias. O fato ocorreu em 2010, no deserto do Atacama, e teve ampla e detalhada cobertura da imprensa mundial. O período de 5 anos que separa o filme do evento real é suficiente para esquecermos os detalhes da história e ainda assim guardamos na memória o essencial dela. Isso torna o trabalho da diretora ainda mais desafiador e digno de elogios ao tentar (e conseguir) tornar a narrativa relevante e atual.

O filme é dirigido por Patricia Riggen, uma das razões pelas quais Os 33 é um refresco cinematográfico. É muito bacana ver uma mulher dirigindo um filme dessa escala. Podemos sentir a sensibilidade feminina no trabalho de direção, seja na importância dada as esposas, irmãs, filhas e até amantes dos mineradores, ou ainda em cenas como a da última ceia realizada por eles (quando o estoque de comida chega ao fim).  Outro fato curioso é que Riggen é mexicana, o que escancara a explosão de diretores talentosos vindos deste país. Que Patricia possa seguir os passos de Del Toro, Cuarón, Iñarritu e se tornar mais uma a figurar no hall dos talentosos e premiados diretores da pátria asteca.

Patricia Riggen one of the directors of the film 'Revolucion' attends a news conference at the International Film Festival Berlinale inBerlin, Germany, Monday, Feb. 15, 2010. (AP Photo/Markus Schreiber)

Patricia Riggen

A narrativa se desenrola de maneira tradicional, alternando o mundo subterrâneo dos mineradores com o das pessoas fora, esperando e trabalhando pelo seu resgate. Os momentos embaixo da mina são mais tensos e claustrofóbicos, mais crus, e essa sensação é transmitida para o espectador. Quando a câmera visita o mundo dos familiares é quando a história respira e, de fato, avança em direção a sua conclusão. Um grande acerto da produção foi a escolha de atores latinos, que emprestam mais credibilidade à história, especialmente Antonio Banderas, Rodrigo Santoro e Juliette Binoche (que não é latina de origem, mas de idioma). A francesa, já dona de uma estatueta por O Paciente Inglês é, inclusive, a dona da melhor atuação do filme. Santoro faz um trabalho correto, ainda abaixo de atores como Banderas (para usar como parâmetro o mesmo filme), mas consideravelmente acima das suas incursões anteriores em Hollywood. A exaltação da nação chilena também é um aspecto importante da narrativa (aqui você não vê bandeiras americanas, nem escuta o nome da NASA – o que seria até justificável pelo papel que exerceu).

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A produção se destaca especialmente pela capacidade de nos pôr no lugar dos 33 e de suas famílias e de nos deixar perceber como estamos mais no controle das coisas do que gostamos de admitir, desde que tenhamos a atitude certa. Os mineradores foram capazes de sobreviver a condições extremamente insalubres. O que os fez conseguir? Não foi a pouca comida racionada ou a água no limite da potabilidade, mas sim o sentimento de esperança. Os 33 é competente na tradução desse sentimento e faz justiça ao contar uma das maiores histórias de triunfo humano deste século.

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