Você pode achar que falar daquilo que você conhece é, com certeza, mais fácil. Que ter conhecimento de causa e circunstância torna o texto mais fluido e, portanto, mais simples de ser escrito. Vã ilusão, meu caro!

Há algumas semanas reluto para escrever esse texto que deve ser imparcial, por conta da premissa que rege os textos jornalísticos. No entanto, por mais esforço que eu faça é difícil “casar” minha fala com a imparcialidade quando a proposta é fazer a análise de um dos shows apresentado pelos Los Hermanos, dentro da turnê encerrada ontem, dia 02 de novembro, no Rio de Janeiro. Tive a oportunidade ~ prazer ~ de acompanhar o show que aconteceu dia 09 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, e descrevo aqui um pouco da minha perspectiva. Perdoem-me se eu falhar na minha tentativa de conter o lado tiete quando o lato jornalístico deveria prevalecer.

O show em Fortaleza fez parte da turnê que começou em Belém e encerrou-se no Rio de Janeiro, tendo passado por 10 cidades, totalizando 14 shows. Os shows foram pensados para atender o desejo dos fãs, público-alvo que compareceu e fez valer o tempo em que a banda esteve parada. A idéia da turnê surgiu depois que os barbudos se apresentaram no Rio de Janeiro, em dezembro de 2014, no aniversário de 450 anos da cidade. Após essa apresentação, somado aos muitos pedidos dos fãs, a banda resolveu voltar aos palcos e trouxe o melhor da discografia, gravada entre 1999 e 2005.

11038933_792260290829719_4829988531466901084_nEm Fortaleza a banda não fez por menos, já vinha dos shows de Belém e Recife e colocou o Centro de Eventos do Ceará pra cantar e pular por quase duas horas. Repletos de sucessos, a apresentação contou com uma superprodução audiovisual. No telão era possível acompanhar a imagem individual de cada um dos quatro barbudos, dessa forma era possível acompanhar individualmente o desempenho de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba, o que tornou o show mais pessoal, menos técnico e mais dentro do universo nostálgico de “reunião de amigos” que a turnê trazia.

A playlist contemplou o melhor dos quatro discos da banda, Los Hermanos (1999), Bloco do Eu Sozinho (2001), Ventura (2003) e 4 (2005). O show começou com O Vencedor, o que definitivamente levou a galera ao delírio e mostrou para que a banda veio de verdade. Arrisco dizer que só perdeu para a performance de Além do que se vê, onde em determinada estrofe da música, Marcelo Camelo “largou” o microfone e o público comandou o espetáculo com um sonoro e arrepiante “E a turma diz: ‘Assim é que se faz!'”

De Fortaleza a banda seguiu para Brasília (10/10), Salvador (12/10), Curitiba (16/10), Porto Alegre (17/10), Belo Horizonte (23/10), São Paulo (24 e 25/10) e Rio de Janeiro (30/10,31/10,01/11 e 02/11), com a mesma estrutura de show e com poucas alterações no setlist.

Após quase 2h de show e 29 músicas, que incluiu Anna Júlia como bis, eu estava suada, completamente afônica e totalmente realizada por poder participar desse momento que coroou um verdadeiro reencontro de mestres. É fato que sou suspeita para falar – como fã que acompanha a banda desde quando nem sei mencionar – mas a empreitada é de se admirar nem que seja pela perspectiva de alguém que se aventurou sozinha de sua cidade (Teresina, capital do Piauí) até Fortaleza, de ônibus por quase 600 km, para me presentear com algo que eu queria tanto.

Os fins justificaram todos os meios.

Confira aqui a música “Cadê teu suín?”, no show de Fortaleza.

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