“Para onde ela foi”, de Gayle Forman: uma razão para ler “Se eu ficar”

Depois de finalizar a primeira grande obra de sucesso da Gayle Forman, Se Eu Ficar, todas as boas expectativas para qualquer continuação foram destinadas ao vento. Uma definição básica para esse livro seria “uma obra onde nada acontece” e fim. Na verdade, se não fosse o grande tumulto que o lançamento da adaptação com a Chloe Moretz estava causando, provavelmente teria suspeitado desde o principio que um livro com 192 páginas não poderia conter uma tão grande e contextualizada história assim. Aos navegantes de primeira passagem, já aviso: Não se enganem com a versão de capa da adaptação, pois um quinto das páginas são entrevista com os atores.

Tudo bem, assim como não se julga um livro pela capa, também não se julga pelo tamanho. É verdade. Já li livros menores com uma história sensacional. Mas esse, infelizmente não é o caso de Se Eu Ficar. Tudo se resume àquilo que você prontamente encontra no trailer: A protagonista, Mia, é uma violoncelista prodígio que sofre um acidente com a sua família. Todos morrem e ela fica a beira da morte, com sua alma vivenciando tudo em seu lugar enquanto seu namorado tenta convencê-la a ficar, sem saber que ela realmente está presenciando isso. Ah! E ao contrário do filme, ela nem chega a acordar no final. Verdade seja dita: A personagem narradora é chata e a história nem ao menos é original. Pegue algum livro espírita e se divirta.

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A todos que conheço digo que a melhor parte do livro é o final estendido, equivalente ao início da continuação. E vejamos, isso ficou claro desde a primeira folha da parcial do primeiro capítulo. Ainda assim, não tinha grandes esperanças e estou satisfeita em dizer que me surpreendi. Diferentemente do obra introdutória, “Para onde ela foi” não é narrada pela Mia (Glória!) e sim pelo Adam, o namorado roqueiro e o personagem mais interessante da história. Também diferentemente do que todos imaginam, a segunda obra não ocorre no espaço de tempo após a volta de Mia e sim, mais de três anos depois! Mas calma, o que aconteceu nesse meio tempo não passa em branco, tudo é contado nos mínimos detalhes.

Porém, acredito que a parte que mais me agradou na história foi o fato de ela se passar, majoritariamente, no presente. É profundamente irritante que a maior parte de “Se Eu Ficar” seja feito de flashes e memórias que muitas vezes não acrescentam em nada e só introduzem personagens vagos e superficiais.

“Para onde ela foi” relata a vida pós-retorno do coma, superação do luto e decisões da juventude. Adam agora é um roqueiro famoso comprometido com uma estrela de cinema e totalmente frustado desde que o amor da sua vida decidiu deixá-lo e seguir o seu caminho. Do outro lado do país, Mia é um talento em ascensão da Julliard que abandonou completamente a sua vida no Oregon.

Uma história de 216 páginas intensa, com bastante conteúdo, acontecimentos, que prenderá sua atenção e despertará a sua curiosidade até a última linha. Isso, ou eu sou apenas uma grande fã de amores proibidos.

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Tainá Rodrigues
Pseudo-escritora com um pé em artes cênicas, decidiu se mediar entre dois mundos e cursar jornalismo. Apaixonada por literatura, fotografia e Canadá, quer abraçar o mundo com as pernas e mantém em um caderninho uma lista de sonhos, desejos e objetivos ainda a serem alcançados. Para dar cor a vida, escreve em blogs, fotografa espontaneidade e produz audiovisuais.
Tainá Rodrigues

Tainá Rodrigues

Pseudo-escritora com um pé em artes cênicas, decidiu se mediar entre dois mundos e cursar jornalismo. Apaixonada por literatura, fotografia e Canadá, quer abraçar o mundo com as pernas e mantém em um caderninho uma lista de sonhos, desejos e objetivos ainda a serem alcançados. Para dar cor a vida, escreve em blogs, fotografa espontaneidade e produz audiovisuais.

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Vanessa
Vanessa
9 anos atrás

Caramba! Você definiu exatamente a conclusão que eu cheguei ao ler Se Eu Ficar. Fiquei também com um pé atrás na continuação, por achar que o primeiro livro foi bem raso, mas agora me empolguei para ler!

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