A poeta currais-novense Adélia Danielli lança seu primeiro livro de poemas solo nesta sexta (13), em Natal. O evento acontece a partir das 19h30, no Mahalila Café & Livros. Bruta, publicado pela Editora Tribo, tem poemas intimistas da autora somados a fotografias de Pedro Andrade.

Adélia já é conhecida por sua participação em outro livro de poemas, Por cada uma, uma parceria de mais quatro autoras, e por seus poemas eróticos, como, por exemplo, este belíssimo a seguir:

No interior

das coxas

uma lambida

e uma mordida

mel e pão

de café da manhã

2222

Conversamos com Adélia sobre suas influências, sobre o cenário cultural, e, claro, sobre Bruta. Confira:

O CHAPLIN: Quais são suas principais influências hoje?

ADÉLIA DANIELLI: Eu não consigo perceber influencias específicas no que escrevo, eu me sinto contaminada por diversas coisas que me tocam, não apenas literárias, ou poéticas, mas da arte e vida de uma forma geral, o que pode ser  um filme, ou um momento cotidiano de observação da vida ordinária.

O CHAPLIN: Como começou sua relação com a poesia erótica?

AD: Essa pergunta é um pouco complicada de responder porque, na verdade, eu não vejo minha poesia como “poesia erótica”; há algumas poesias que tem uma temática sexual, como há poesias que carregam a angústia em sua essência, e assim também não acho que escrevo “poesia depressiva” (risos). A sexualidade está atrelada à minha vida como o amor, como a busca pelas questões que só a poesia responde, como a minha interpretação de um fim de tarde solitário ou um filme. Não há engessamento nas temáticas, assim como na vida.

O CHAPLIN: Como são os poemas de Bruta? Há alguns eróticos também?

AD: Creio que as poesias que compõem Bruta são poesias referentes a um período de sentimentos intensos em geral. Que vão da tristeza ao gozo do corpo, da apatia à satisfação da alma. Entre esses aspectos, há espaço pra relatos de desejos e experiências de sexualidade também, como por exemplo:

profundamente

respiro

lembro que estou viva

surge então um desejo

de cortar cabelo

de pintar a boca

de sair pra vida

adO CHAPLIN: E o processo criativo com toda a elaboração do livro, como aconteceu?

AD: O meu processo criativo foi o mais bruto possível, daí o nome do livro. Vejo a minha poesia como bruta, como não lapidada, como recebida e não programada e assim conservada em sua essência. Escrevi as poesias que estão nesse livro no período de 2013 a 2015 e foram concebidas como todas as outras que acontecem em minha vida, sem programação, apenas com um nascimento oportuno em situação de silêncio e solidão, mas sem prévio aviso. Já a elaboração do livro foi feita durante o último ano, quando nesse tempo aglomerei a produção e, junto com a Editora Tribo, concebemos uma identidade, através do título, da edição, e do projeto gráfico bastante coerente com a obra literária. Bruta é literariamente minha obra, mas não só isso, pois é composto também pelas fotografias do Pedro Andrade e pelo projeto gráfico de Themis Lima. Bruta é a obra de todos que se envolveram nela.

O CHAPLIN: Como você enxerga a cena de poesia nacional ou local?

AD: Eu não me considero gabaritada para opinar de forma segura por uma questão de sentir-me ignorante do teor ou quantidade de produção. Mas pela minha observação creio que o que é visto como “cena” de fato é muito limitada. Quando não há abertura ou espaço para tantos que produzem, percebo que as redes sociais estão cheias de pessoas que escrevem, que organizam sarais, que postam em seus perfis, que tem blogs ou pages, e acho isso lindo. Atualmente, um livro não é o que determina um poeta, e sim a suas obras, sejam elas expostas em lambe-lambe, cantadas em rap, em posts nas redes ou em zines. Enfim, acho que as pessoas estão perdendo o medo de se mostrarem como escritores e poetas, e isso é muito bom.

SERVIÇO

Lançamento do livro Bruta, de Adélia Danielli

13/05, a partir das 19h30

Mahalila Café & Livros

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