Quando o colega Cefas Carvalho falou-me a respeito do filme Almas Gêmeas (do inglês, Heavenly Creatures), interessei-me de cara e na mesma noite procurei-o no mundo dos downloads virtuais. Não foi difícil achá-lo. Contudo, antes de assistir, procurei saber um pouco mais sobre a sinopse do filme. Trata-se de duas amigas com fortes tendências homossexuais e sociopatas, em resumo. Pauline Parker e Juliet Hulme criam um mundo fictício para elas próprias, chamado “O Quarto Mundo”, onde os santos eram artistas, escritores, e pessoas de renome as quais elas admiravam. A amizade se torna preocupante para as famílias, que insistem na ideia de separá-las, alegando que a amizade não era saudável. Contudo, a cada dia Pauline e Juliet apenas penetram mais em seu mundo particular, que só fazia sentido para elas próprias e seus personagens. Tratavam-se como personagens de suas histórias: Pauline era Gina, a cigana, e Juliet era Deborah, a rainha. Contudo, a mãe de Pauline, em atos de preocupação, começa a criticá-la mais severamente e a garota passa a odiá-la, trama e executa, junto com a melhor amiga, a morte da própria mãe.

 Trailer “Heavenly Creatures”

Isso não é nada, comparado ao que descobri em seguida. A história é real e aconteceu nos anos 50. Hoje, Pauline é dona de uma escola de equitação para crianças e Juliet é uma escritora best seller de ficção policial conhecida pelo pseudônimo de Anne Perry.

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Kate Winslet

A película, produzida em 1994 e dirigida por Peter Jackson (de O Senhor dos Aneis) na Nova Zelândia, é incrível, retrata bem o mundo de Pauline e Juliet e me fez refletir bastante sobre a loucura humana. A cada dia sou mais convicta que loucura sozinha não faz tanta desgraça. Para mim, é preciso loucura e uma índole ruim, o que aquelas garotas tinham de sobra, talvez mais índole ruim que mesmo loucura. O fim do filme me lembrou muito o tocante Um crime americano, de 2007, também baseado em fatos reais, com a atuaçao da talentosa Ellen Page.

O post, contudo, não é exatamente para falar do filme, mas do estranho e contraditório destino que as atrizes, então mirins, principais tomaram. Juliet foi interpretada por uma Kate Winslet adolescente e incrivelmente talentosa em seu primeiro longa metragem (até então, ela só havia feito participações na tv). Também foi a estreia de Melanie Lynskey, nos cinemas e na carreira como atriz. Winslet emplacou três premiações por sua atuação, e Melanie apenas uma, a de Melhor Atriz na premiação de cinema e TV da Nova Zelândia. isso.

Melanie Lynskey

Melanie Lynskey

A partir daí o futuro cinematográfico das duas atrizes igualmente promissoras seguiu rumos totalmente diferentes. Enquanto Winslet mantinha-se ao nível de Razão e Sensibilidade, Titanic, Hamlet, A vida de David Gale, Todos os homens do Rei e O Leitor (por que ganhou nada menos que 14 prêmios e foi indicada para outros quatro), Melanie chegou a fazer pontas de menos de um minuto em filmes alternativos como Itty Bitty Titty Comittee (que é um excelente filme, a propósito, mas pouquíssimo comentado), e papéis secundários, terciários e quartenários, em filmes invisíveis a nível de crítica como Amor sem escalas, Doce Lar e Showbar. Recentemente, tem um contrato no seriado de comédia mamão com açúcar Two and a half man, em que interpreta Rose. Além disso, faz participações de um ou dois episódios em diversos outros seriados da TV. Papéis de destaque, como Winslet? Nenhum que essa blogueira tenha conhecimento. O que é, no mínimo contraditório, uma vez que muito cedo, a jovem Melanie provou ser tão talentosa quanto a “amostrada” Winslet. Falta de boa vontade ou de um bom agente? Vai saber.

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