R.I.P.D. – Agentes do Além: filme desperdiça orçamento vultoso em produção desenxabida

Estrelado por Ryan Reynolds, mais famoso pelas mulheres que pega e pelo seu abdômen que por suas pífias atuações, e Jeff Bridges, aquele cara que a gente sempre vê em filmes, sejam eles quais forem, chegou recentemente aos cinemas a comédia policial R.I.P.D. (Rest in Peace Department), traduzido para o português como R.I.P.D. – Agentes do Além (2013). O trailer, quando o assisti, me remeteu a um filme cujo conteúdo do roteiro não estava assim tão batido (ao menos nos últimos anos), o que poderia render situações inesperadas e que empolgassem, e ainda me pareceu suficientemente engraçado para me convencer a ir ao cinema.

Bem… o título da crítica já denuncia o quanto o resultado das minhas expectativas foi frustrado. R.I.P.D. é apenas uma mistura insossa de “M.I.B. – Homens de Preto” e “Ghostbusters” (Os Caça-Fantasmas). Só que sem o carisma do primeiro e a autenticidade do segundo. Mas, na real, não podemos esperar muito de um filme de comédia que elege Ryan Reynolds, seu humor choco, e expressões congeladas como protagonista.

Jeff Bridges e Ryan Reynolds como os caçadores de mortos Roy e Nick

Ryan interpreta Nick Walker, um policial de Boston que tem duas paixões: o trabalho e a esposa, Julia (Stephanie Szostak) e acaba sendo morto pelo melhor amigo e parceiro de trabalho, Bobby Hayes, e aqui Kevin Bacon agrega a seu currículo mais um vilão sem-graça. Só pode ser sina. No caminho para o além, ou purgatório, onde Nick prestará contas com as entidades superiores, ele é convocado para uma oferta de trabalho na divisão de Boston do Departamento de Agentes do Além, comandada por Mildred Proctor, que é interpretada pela simpática Mary-Louise Parker. Escolhido para formar dupla com Nick, conhecemos Roy Pulsipher (Jeff Bridges), um veterano na R.I.P.D. que foi um homem da lei quando vivo no Velho Oeste do século XIX. Atritos rolam a princípio mas logo a dupla se entende na difícil tarefa de capturar os “desmortos” (dead’O, em inglês) e desvendar o plano maquiavélico que está sendo tramado para que esses seres que não encontraram a luz (os antagonistas são mortos que se recusam a morrer, e então permanecem na Terra, disfarçados) dominem o mundo dos vivos.

Mildred Proctor (Mary-Louise Parker) comanda o Departamento de Agentes do Além de Boston

Podemos até culpar a inexpressividade e ausência de carisma de Ryan Reynolds, mas a verdade é que o problema de R.I.P.D. é mais embaixo. Mesmo com algumas atuações simpáticas, o filme fracassa no quesito roteiro e entrega uma história cujo final é desvendável com pouco tempo de filme. Nada impressiona, ou intriga. E o pior, no percurso, pouca coisa faz rir, o que torna tudo ainda mais fatigante. O jeito é apegar-se à atuação caricata (mas divertida) de Jeff Bridges e nas poucas cenas em que Mary-Louise Parker aparece para abrilhantar a tela. Não que ambos sejam exímios atores, mas como não gostar de um velhinho insistente no ramo cinematográfico ou amar gratuitamente Mary-Louise Parker?

Mesmo com todo o dinheiro envolvido (130 milhões de dólares), a produção não se deu ao trabalho sequer de fazer maquiagens ou desenvolver efeitos especiais convincentes para os “desmortos”. Na verdade, me pergunto aonde foi parar todo esse dinheiro, visto que o único aspecto técnico que podemos destacar positivamente na obra é a fotografia, realmente espetacular para um filme do gênero. No mais… não há grandes nomes envolvidos, nem uma direção de peso (quem assina é o alemão Robert Schwentke, cujo currículo não justificaria um salário exorbitante), e os outros aspectos deixam muito a desejar. Melhor verificar aí, Hollywood. Fica a dica.

Uma das (poucas) sacadas engraçadas do filme: os avatares dos protagonistas, interpretados por James Hong (Nick) e Marissa Miller (Roy)

Por fim, R.I.P.D. pode até chegar a divertir aos menos exigentes (tipo eu), mas daí a ser considerado um bom filme é uma longa distância. Não há carisma, não há roteiro, peca no humor e também na ação, muitas vezes chegando perto do desnecessário. À propósito, essa é uma boa palavra para definir o filme: desnecessário. Próximo.

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