RED 2: Entre piadas e explosões, protagonistas driblam roteiro ruim

Confesso que desde o primeiro filme RED, lançado em 2010 e dirigido por Robert Schwentke, o único fator que me chama atenção é o elenco, composto por nomes já respeitados no cinema e alguns, já “descendo a ladeira” no percurso cinematográfico, naquela fase da terceira idade em que fazem filmes muito mais por diversão (e, convenhamos, por dinheiro) que pra incrementar um currículo, que já vai muito bem, obrigada. Preciso admitir que como tenho minhas afeições por alguns tipos de filmes de ação, também me agradou a ideia de “aposentados” botando para quebrar. O termo RED, inclusive, é uma sigla para “retired, extremely dangerous” (em português, “aposentado, extremamente perigoso”). Assisti, e não vi nada mais do que já esperava. Agora, no segundo filme da franquia que é baseada em uma série de quadrinhos da DC Comics, a minha (ausência de) expectativa se repetiu e dessa vez, por incrível que pareça, consegui sair desapontada.

Elenco principal completo do filme

“RED 2 – Aposentados e ainda mais perigosos” fala sobre mais uma missão do imbatível-canastrão-pegador Frank Moses (Bruce Willis), ao lado do seu amigo Marvin (John Malkovich) e, agora, da esposa Sarah, interpretada pela sempre cativante Mary-Louise Parker. No elenco ainda continua a classuda Helen Mirren, como a assassina contratada Victoria. Novos no pedaço são a sempre fatal Catherine Zeta-Jones, como Katja (agente de contra-espionagem russa e ex-peguete de Moses) e ainda Anthony Hopkins, como o cientista Edward Bailey, o “Da Vinci nuclear”, como bem descrito por Marvin, um personagem importante, prisioneiro da MY-6, e aparentemente um tanto surtado, que surpreende no decorrer do filme.

Catherine Zeta-Jones é a femme fatale do filme, responsável pelos ciúmes de Sarah (Mary Louise Parker), que é casada com Frank

A direção do longa foi assinada por Dean Parisot, que é mais habituado à direção de produtos para a TV, embora contabilize algumas poucas produções para o cinema, nenhuma grandiosa; o roteiro ficou por conta de Jon e Erich Hoeber (os mesmos do primeiro filme), mas decididamente o trabalho do trio não é um grande feito na trama. RED 2 não sabe se quer se consagrar como filme de ação, ou comédia pastelão, mas a verdade é que não faz bem nem uma coisa nem outra. O roteiro começa até cativante, com o tempo se torna confuso, e mais para o fim, já está beirando o tédio.

Anthony Hopkins faz sua participação na franquia com o Dr. Edward Bailey

Gosto de filmes de ação, mas tenho certas restrições com o gênero. Explosões, tiros e cenas de lutas são boas e até agradáveis, contanto que venham acompanhadas de um roteiro inteligente, que surpreenda e envolva, e não apenas explore os sentidos do expectador. O que acontece em RED 2 é um excesso de elementos que poderiam ser desnecessários, se o roteiro de prestasse a um pouco de respeito. Explosões a toda hora, tiros de todos os lugares, batidas, barulho, muito barulho, e por vários momentos isso se mistura a uma comédia desajeitada que parece almejar chegar ao pastelão, mas carece de competência até mesmo para isso.

Uma das várias explosões do filme

E para não dizer que não falei das flores, preciso dizer que, apesar do resultado final do conjunto da obra, ainda não consigo desprezar os trabalhos de Anthony Hopkins, Helen Mirren e companhia. Definitivamente, as atuações são o ponto forte da obra e mesmo em situações ridículas a que se prestam durante o filme, os veteranos parecem se divertir com a produção, o que torna os personagens até digeríveis. Mary-Louise Parker é a menos renomada do elenco principal, mas não deixa a desejar aos demais, com a engraçada Sarah, a minha personagem favorita, sem sombra de dúvidas. A certa altura do filme, exclamei: “Anthony Hopkins só pode estar ficando gagá…”, então minha companhia no cinema retificou a informação para o que seria mais digno falar sobre o nobre senhor: “A verdade é que ele é tão bom ator que nos faz mesmo acreditar isso…”. Sobre Bruce Willis não há muito o que comentar. Ele funciona bem para o que faz, o único problema é que sempre parece interpretar o mesmo personagem, o que me faz achar que não interpreta de verdade coisa alguma.

RED 2 talvez valha a pena para os amantes de explosões e filmes de ação comerciais. Também pode ser válido para quem considera o bom elenco como um elemento suficiente para salvar a obra. Mas agradeço por ter ido assistir ao filme numa matinê de semana, no cinema menos frequentado da cidade. Assim, não me condenei por gastar um absurdo para ver um filme que não pode ser considerado nada mais que muitíssimo fraco.