Primeiro disco "O Fim da Linha Não é o Bastante" foi lançado em 2013

République du Salém: banda mistura hard rock com letras poéticas

Da esquerda para direita: Guido Lopes (guitarra), Marcio Albano (baixo), Davi Stracci (vocalista) e Raul Lino (bateria)
Da esquerda para direita: Guido Lopes (guitarra), Marcio Albano (baixo), Davi Stracci (vocalista) e Raul Lino (bateria) (Divulgação/Flickr)

République du Salém foi formado em 2010 e é composto por Guido Lopes (guitarra, violão, piano), Davi Stracci (vocais), Marcio Albano (baixo) e Raul Lino (bateria). O grupo paulistano tem como objetivo unificar o clássico rock and roll com letras que retratam a problemática social e urbana de forma poética. A boa aceitação de críticos especializados em música, as redes sociais, tipo Facebook e You Tube, ajudaram a banda a ter um reconhecimento e conquistar fãs.

O grupo lançou o primeiro álbum em 2013, intitulado de “O Fim da Linha Não é o Bastante”. O making of da produção foi gravado e está disponível pelo canal do grupo no You Tube. Eles lançaram um clipe chamado “Sem Hora Para Voltar”, que realiza uma crítica de como a população está levando as suas rotinas e faz uma pequenina homenagem ao Beatles.

République tem um som com uma pegada hard rock e toques de moderninade, com influências de bandas setentistas como Led Zeppelin. Confira a entrevista que a equipe d’O Chaplin realizou com a banda:

O CHAPLIN: Como surgiu a banda e de onde veio o nome “République du Salém”?
Davi Stracci: Eu e Guido nos conhecemos em um ensaio de um amigo em comum. Começamos a trocar ideias sobre música e percebemos que tínhamos afinidades musicais, além de um propósito parecido no tocante a uma carreira musical. A partir deste momento, iniciamos a compor músicas. Em seguida, chamamos o Márcio, amigo de longa data de Guido, e o Raul, um amigo da minha família.

O nome da banda é uma mistura de duas palavras com a finalidade de exprimir um conceito. É algo que buscamos praticar em todo posicionamento do trabalho. “République” vem do conceito de República de Platão, obra que expressa uma república “perfeita”, no qual as relações humanas se dão plenamente. E “Salém” vem do hebraico-árabe, que significa pleno, completo.

O CHAPLIN: Por que a escolha do nome do disco “O Fim da Linha Não é o Bastante”?
Guido Lopes: Curioso, só demos o nome ao disco depois de terminado, quando olhamos para o trabalho como um todo e percebemos que havia algo em comum, um tema que ligava todas as canções. Então, escolhemos uma frase da ‘Expresso 212’ (a última faixa do disco), pois resume bem o espírito deste trabalho. Alguns limites que nos são impostos muitas vezes podem ser encarados como estímulos para que possamos crescer. O aprendizado está na caminhada, no processo. O caminho nem sempre vai nos levar ao desejado fim da estrada, mas pode nos ajudar a entender que algumas estradas, não precisam ter um fim.

O CHAPLIN: Eu vi o clipe “Sem Hora Para Voltar”, a letra fala muito em fugir do cotidiano e o clipe mostra que as pessoas estão presas ao cotidiano. Quais fatores fazem as pessoas ficarem assim?
Guido: A vida nas grandes cidades é bastante dinâmica; falta tempo, perde-se o pouco tempo que se tem em coisas banais, trânsito, discussões, etc. Muitas vezes o dia passa sem se dar conta dessa rotina, que com o tempo vai gerando um distanciamento entre as pessoas, além de fazer aumentar a alienação consigo mesmo. A gente quis mostrar que, mesmo dentro desse cotidiano de urgências, deve existir um espaço de parar, se divertir, relaxar; e que a arte e a música apontam caminhos interessantes para isso.

Grupo paulistano mantém o clássico Rock N' Roll com letras poéticas
Grupo paulistano mantém o clássico Rock N’ Roll com letras poéticas (Divulgação/Flickr)

O CHAPLIN: Vocês enfatizam que fazem rock com poesia. Falta um pouco disso no mundo?
Davi: Ótima pergunta! Não acreditamos que o rock com poesia em si possa beneficiar o mundo, mas aquilo que precede o ato de se dispor a produzir qualquer atividade humana, como o Amor. É o que nos faz olhar para a arte não apenas como um meio de obter sucesso no sentido de visibilidade ou qualquer coisa parecida, mas olhar para a arte por meio do amor. Como consequência disso, podemos propor mais do que mero entretenimento como se vê em nossos dias. Falta no mundo amor pelo que se faz, amor para quem se faz e amor por aquele que faz.

O CHAPLIN: O clipe faz uma pequena homenagem ao Beatles. Qual importância dos ingleses ao République du Salém?
Guido: Seríamos influenciados por eles, mesmo que não soubéssemos (risos)… Quero dizer, tudo o que foi feito após eles no rock, invariavelmente carrega essa influência, seja na musicalidade, na ideologia, ou no visual. Fizemos uma homenagem a eles no clipe de “Sem Hora pra Voltar”, simulando a travessia do Abbey Road em uma rua dentro da USP (Universidade de São Paulo).

O CHAPLIN: Além dos Beatles, quais são as bandas/artistas que mais lhes influenciam?
République du Salém: Bandas como Led Zeppelin, Jimi Hendrix Experience, Cream, Allman Brothers, Free, The Black Crowes… Da atualidade, gostamos de Rival Sons, Vintage Trouble, The Answer, Stone Machine, entre outras.

O CHAPLIN: Vocês receberam avaliações positivas de alguns críticos importantes da cena musical, como Régis Tadeu. Isso é uma forma de incentivar a fazer um bom trabalho?
Marcio Albano: Sim, porque as críticas nos trazem um comprometimento maior em realizarmos algo com qualidade, seja compondo, tocando, etc.

O CHAPLIN: Pretendem fazer algum show para a região do Nordeste? Conhecem muitos fãs nordestinos?
Marcio: Temos recebido elogios, críticas positivas, através das redes sociais, desse povo maravilhoso do Nordeste. Com certeza, se tivermos a oportunidade de compartilhar com vocês o nosso som será um grande privilégio! Sabemos que existe uma cultura rock and roll fidedigna no povo nordestino. Abraços a todos vocês!

Primeiro disco "O Fim da Linha Não é o Bastante" foi lançado em 2013
Primeiro disco “O Fim da Linha Não é o Bastante” foi lançado em 2013 (Divulgação/Flickr)

O CHAPLIN: Qual importância da internet na divulgação das bandas criadas recentemente? Facilitou a divulgação ou vocês ainda encontram dificuldade?
Marcio: A internet democratiza o acesso das pessoas à arte. Existe esse canal direto com o artista, que ajuda no contato e aproxima o artista dos fãs. Porém, isto não deve substituir aquilo é mais importante que uma banda ou artista faz: compor e expor seu material, tocar ao vivo.

O CHAPLIN: Quais são os planos do grupo para 2014?
Davi: Lançamos nosso blog no dia 31 de janeiro, através do qual vamos nos dedicar a conhecer o que nossos fãs pensam. Seguiremos cumprindo nossa agenda de shows e no fim do ano entraremos em estúdio para a gravação do nosso segundo trabalho com algumas surpresas… Aguardem! Obrigado a todos que acompanham nosso trabalho!

É possível encontrar a banda a partir destes canais:

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