Retrospectiva 2014: Os maiores destaques do ano na TV

2014 está acabando, falta só mais um dia e aproveitando que ainda é ano velho, tempo de retrospectivas e também de hiatos, eis (bem em cima da hora) nossa retrospectiva com  os maiores destaques do ano no mundo da TV, e que ano! Grandes estreias, outras nem tanto, perdas irreparáveis dentro e fora da ficção, algumas injustiças, além do desejo de um ano ainda melhor pela frente.

OBS: Não continue se não gosta de spoilers, não nos responsabilizamos se a sua noite da virada for destruída por saber demais.

1. A vitória bisonha de Brooklyn Nine-Nine no Globo de Ouro

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2014 começou estranho, logo nas primeiras semanas do ano aconteceu essa bisonha vitória da comédia policial Brooklyn Nine-Nine como melhor série cômica do Globo de Ouro. Na época estreante, a série concorria com as veteranas Girls, The Big Bang Theory e Modern Family e era considerada o azarão da noite, não por acaso. A comédia que se passa em uma delegacia do Brooklyn não oferece nada de interessante apresentando a conflituosa e sem graça relação entre os que lá trabalham, e para sua infelicidade ainda conta com o fraco Andy Samberg, ex-Saturday Night Live, como protagonista. Quase um ano depois ainda não consigo engolir essa vitória mas, como o mundo dá voltas, já saiu os indicados de 2015 da premiação e graças aos céus a série nem mesmo entrou na lista, para completar ela ainda está com problemas na audiência.

2. Adeus Dra Yang

Episódio 10x24 - Fear (of the Unknown)
Episódio 10×24 – Fear (of the Unknown)

A saga Grey’s Anatomy fez esse ano seus fãs sofrerem mais do que o normal com a despedida de uma das personagens mais queridas da série após longos 10 anos, a doutora Cristina Yang. Teve de tudo, maratona de Grey’s Anatomy com o melhor de Cristina, vídeo de despedida da atriz Sandra Oh aos fãs, uma comovente season finale e se você tem twitter provavelmente se lembrará de ter visto as hashtags  “adeus Cristina” e “coisas que aprendemos com Cristina Yang” nos trending topics.

3. É uma pena… Tão cultuada durante suas duas primeiras temporadas, True Blood sai de cena sem deixar saudade

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Episódio 7×10 – Thank You

True Blood estreou em 2008 pouco antes do início da febre de vampiros provocada por Crepúsculo, mas apostando em uma trama mais sombria a fim de fugir dos adolescentes e conquistar os adultos. A receita para o sucesso foi um enredo bem desenvolvido, com personagens carismáticos e nenhum pudor, seja para mostrar cenas de sexo ou mortes. Tudo ia bem, a série era a atração de maior destaque da HBO, indicada em prêmios importantes como EMMY e Globo de Ouro (Anna Paquin chegou a vencer como melhor atriz dramática) até que veio o terceiro ano abrindo caminho a uma infinidade de esquisitices com lobisomens, fadas, além de um Bill virando do avesso, o personagem passou de vampiro apaixonado a lunático possuído por nada mais nada menos que Lilith em um piscar de olhos. Seu sétimo, curto e último ano pareceu recuperar o fôlego e caminhar rumo a um desfecho decente, mas ficou só nas aparências mesmo, o desfecho foi frustrante e não acrescentou em nada, apenas voltou ao ponto de partida. Ao ver o insosso casal Bill e Sookie novamente trocando juras de amor e Eric voltando a ser o que era antes, tive a sensação de no lugar de uma season finale estávamos de volta aos primórdios de Bon Temps.

4. Friends vs How I Met Your Mother: Quem é a melhor?

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Com Friends completando 20 anos e How I Met Your Mother chegando ao fim após nove anos bem-sucedidos no ar, as já velhas comparações entre as duas séries voltaram assim como as discussões entre fãs mais fervorosos. O fato é que há muitas semelhanças entre as duas séries, o gênero cômico, o próprio estilo de humor, o foco no grupo de amigos que vive em Nova York, até mesmo a personalidade dos personagens (Joey e Barney/Ross e Ted), mas a série não é a primeira a repetir a fórmula de Friends (o que é natural, a história de Rachel, Mônica e companhia marcou época, é claro que influenciaria outras!), muitas outras tentaram e falharam. Se How I Met Your Mother deu certo foi por seus próprios méritos, sobretudo o talentoso elenco. E querendo ou não, assim como Friends ela sai de cena rodeada de fãs e com status de série cult.

5. O adeus à Grande Família

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Após 13 anos no ar, A Grande Família chegou ao fim no dia 11 de setembro (essa data, hein?). Que a sitcom já não divertia como antes todos sabem, mas incrivelmente conseguiu a façanha de se manter tantos anos no ar e com boa audiência, por isso seu adeus tinha quer lembrado.

6. O final merecido de Joffrey e chocante de Oberyn Martell

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Foram longas e torturantes três temporadas e 32 episódios de anseio pela morte do desprezível Joffrey, mas finalmente aconteceu, no segundo episódio da quarta temporada, “The Lion and the Rose”, o mimado e cruel rei morreu envenenado em seu próprio casamento. A cena “regular” para os padrões “George Martin de morte” dividiu os fãs, enquanto uns respiraram aliviados outros pareciam insatisfeitos, queriam que ele tivesse sofrido mais (me enquadro nesse grupo, admito) e talvez por esse motivo e pelos próprios méritos de Pedro Pascal não foi a morte de Joffrey a mais chocante e comentada da temporada e sim a do coadjuvante e carismático príncipe Oberyn Martell, (personagem de Pascal) no oitavo episódio, “The Red Viper”. Sua entrada na última temporada movimentou a série, de modo que seu injusto e brutal fim chocou a todos (em um momento que eu já não esperava me surpreender com a série, não depois do chocante final do terceiro ano). Após o choque inicial não pude deixar de lamentar, sei que a morte do personagem já estava prevista, mas de algum modo pareceu errada.

7. A estreia da intrigante Penny Dreadful

Eva Green no episódio 1x02 - Seance
Eva Green no episódio 1×02 – Seance

Uma série com a Eva Green já é meio caminho andado para o sucesso, some-se isso a um enredo intrigante com personagens complexos e não tem como errar. Penny Dreadful estreou pela Showtime na mid-season sem muita badalação, a série de terror traz personagens icônicos do gênero como o doutor Frankenstein e seu monstro, Dorian Gray, além de lobisomens, vampiros e demônios. Atuações afiadas, enredo que apesar de vacilar em alguns momentos intriga e choca além da fotografia incrível são muitas das qualidades responsáveis por torná-la uma das maiores e melhores surpresas do ano. Todo o destaque, é claro, fica para a francesa Eva Green que dá um show como Vanessa Ives, uma mulher sensitiva perseguida por demônios, vale muito conferir três episódios em especial Seance, Closer Than Sisters e Posession; a atriz está de arrepiar (literalmente).

8. True Detective: A série do ano?

HBO's "True Detective" Season 1 / Director: Cary Fukunaga
True Detective estreou na mid-season de 2014 como minissérie de oito capítulos e em pouco tempo já estava na boca do povo e dos críticos. Só para ter uma ideia de sua popularidade, seu último episódio deixou o serviço de streaming da HBO (onde é possível conferir a série online) fora do ar. Mas qual razão de tanto frisson? Bem, no geral True Detective tem uma trama até comum para a tv americana, fazendo o gênero série policial, e em sua primeira temporada acompanhou os detetives Rust Cohle (Matthew Mcconaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson) em uma caçada a um serial killer. Seu provável diferencial está nos personagens complexos e controversos, Martin é um homem machista que trai a esposa com frequência e tem uma visão extremamente fria do mundo, enquanto Rust é um homem infeliz pela morte de sua filha e o fim do seu casamento, vive exclusivamente para o trabalho e tem constantes crises existenciais. A série não rotula os detetives como os mocinhos da história por estarem supostamente do lado da lei, pelo contrário, atenua suas imperfeições no intuito de confundir o espectador e mostrar que a linha entre bondade e maldade é muito tênue, não há heróis aqui, o que fica claro na resposta de Rust quando questionado por Martin se ele se achava um homem mau “o mundo precisa de homens maus, nós impedimos os outros homens maus de saírem por aí”. True Detective é uma série antológica, com mudanças constantes de elenco e narrativa, para a segunda temporada estão confirmados Colin Farrel e Vince Vaughn como protagonistas.

9. John Constantine ganha uma segunda chance mas novamente decepciona

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Em 2005 estreava a aguardada adaptação de Constantine para o cinema sob batuta de Francis Lawrence (franquia Jogos Vorazes) e trazendo o astro de Matrix, Keanu Reeves, como o peculiar herói. Mesmo com um bom elenco que incluía a sempre fantástica Tilda Swinton, o longa decepcionou muitos fãs, principalmente em função do roteiro que se distanciou da história presente nos HQs. Quase 10 anos depois Constantine teve uma nova chance para se redimir, dessa vez na tv. Os criadores Daniel Cerone e David S.Goyer se preocuparam em reparar os erros cometidos por Lawrence aproximando o roteiro da história original ao apresentar um John Constantine loiro (assim como nas HQs), mais debochado, ainda que politicamente correto (por determinações da tv aberta americana o personagem não podia ser visto fumando, uma de suas marcas registradas). Tanto esforço por nada. Não sei dizer o que deu mais errado, se o roteiro que, mesmo fiel, era fraco, ou o elenco que também não empolgava, principalmente o ator Matt Ryan que, embora esforçado, não convenceu como o Hellblazer. O resultado foi um eterno quase, ela quase prendia, quase empolgava, quase convencia. É claro que uma série assim não poderia durar.

10. O REBU surpreende e mostra que ainda há esperança para a TV brasileira

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Quem diria, mas o Brasil consegue (às vezes) fazer séries interessantes. O REBU me intrigou desde a primeira chamada, aquela toda enigmática que só convidava o público para uma festa sem revelar nada mais. Portanto o primeiro acerto foi em como se apresentou para o público, lentamente, sem pressa de entregar o ouro, apenas na intenção de intrigar e atrair o espectador. O elenco foi outro grande acerto e aqui destaco as incríveis atuações de Patricia Pillar e Sophie Charlotte como Angela e Duda, respectivamente, além de dois outros critérios muito comentados: o fabuloso figurino e a impecável fotografia. Há e já mencionei o roteiro? Não? Bem, apesar de ter escorregado no final com uma solução previsível do culpado pela morte de Bruno (todo mundo sabia que era a dupla aí de cima), segurar 36 capítulos baseados em um único dia não é fácil, mas o diretor José Luiz Villamarim e o roteirista George Moura se saíram bem. No fim, além de me encantar, O REBU ainda acendeu uma centelha de esperança (que eu não tinha) na TV brasileira. Espero ser surpreendida novamente em breve.

11. A aguardada estreia de Gotham

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Episódio 1X07 – Pengin’s Umbrella

Uma das mais aguardadas estreias da fall-season, Gotham não decepcionou. Inicialmente a série que retrata Gotham City em seus primórdios, sofreu com instabilidades no roteiro, mas ela tem melhorado e parece estar engrenando. Um personagem em especial tem ganhado grande atenção do público e da crítica, Pinguim (Robin Lord Taylor) o grande protagonista do melhor episódio da série até o momento, o brilhante “Penguin’s Umbrella”. A fotografia e os cenários também foram grandes acertos, assim como o time de vilões que, além de Pinguim, conta com Fish Money, Carmine Falcone, Edward Nygma (Charada) além dos vilões em potencial, Selina Kyle e Harvey Dent (Duas Caras).

12. The Flash estreia quebrando recorde

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A CW fecha o ano feliz, uma de suas estreias mais aguardadas, The Flash, spin-off da série Arrow, conseguiu superar as expectativas batendo o recorde de The Vampire Diaries como a maior audiência do canal, estima-se que cerca de 6,8 milhões de espectadores assistiram ao primeiro episódio contra 4,8 milhões do episódio piloto da série de vampiros. O mais impressionante é que o episódio em questão já havia vazado meses antes. Depois dessa nem precisa dizer que ela foi renovada para uma segunda temporada.

13. Alan e Walden se casam em Two and a Half Men

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Depois de 11 anos turbulentos, Two and a Half Men estreou seu 12º e último ano com um enredo bastante ousado. Os personagens Alan e Walden se casaram. O casamento até então é por conveniência (ambos querem adotar uma criança) e eles continuam héteros, mas nunca se sabe. O evento causou controversa entre os fãs que ficaram divididos. Eu até gostei da ideia mas achei o momento errado, a saída de Charlie Sheen era o gancho ideal para uma mudança radical no roteiro e se os produtores tivessem tido a coragem de investir nessa temática desde a entrada de Ashton Kutcher há três anos a série poderia ter ficado mais interessante e finalmente superado a ausência de Sheen, o que nunca aconteceu. Da forma abrupta como foi colocada, pareceu uma estratégia desesperada para atrair audiência.

14. Minissérie alemã que causou polêmica por supostamente vitimar a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial vence o Emmy Internacional

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A minissérie Unsere Mütter, Unsere Vätter (com os títulos Nossas mães, Nossos pais em português, e Generation War em inglês), venceu o Emmy Awards de melhor minissérie em novembro deste ano. O enredo que se centra nas experiências de cinco jovens amigos alemães durante a Segunda Guerra recebeu inúmeras críticas internacionais por supostamente ter colocado os alemães em uma posição de vítimas da guerra. Apesar disso, ela fez muito sucesso na Alemanha e ganhou prêmios importantes no país. Foi exibida pela emissora pública ZDF em 2013.

15. O Adeus a Robin Williams e Roberto Bolaños

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Robin Williams 21de julho de 1951 – 11 de agosto de 2014                   Roberto Bolaños 21 de fevereiro de 1929 – 28 de novembro de 2014

2014 não foi apenas de grandes estreias, fracassos ou episódios marcantes, ele também trouxe grandes e irreparáveis perdas de duas grandes estrelas da TV mundial. Robin Williams pode ter se consolidado no cinema mas ele também possui uma longa trajetória na televisão que conta com participações em mais de 30 séries e prêmios importantes como o Globo de Ouro de Melhor Ator em série cômica de 1980, fruto de seu trabalho em Mork & Mindy . Já Roberto Gómez Bolaños virou ícone da TV mexicana e latina ao criar e protagonizar os sucessos da década de 70 Chaves e Chapolin. A televisão jamais será a mesma sem esses grandes mestres.

16. The Big Bang Theory e Game Of Thrones são campeãs de audiência e pirataria

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Para a alegria do canal CBS, The Big Bang Theory já em seu oitavo ano e sem dar sinal de cansaço foi a série mais vista da fall-season 2014 nos EUA com 21,76 milhões de telespectadores por episódio, essa é a segunda vez consecutiva que a comédia dos nerds consegue tal feito. Em seguida estão NCIS (série policial) e o show de zumbis The Walking Dead, a pesquisa foi realizada pelo instituto especializado Nielsen. Game Of Thrones foi outro sucesso campeão, porém de pirataria. O show foi baixado por mais de oito milhões de usuários no torrent durante o ano, logo atrás estão novamente TBBT e The Walking Dead, os dados são do site TorrentFreak.

Menção honrosa a The Missing

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A britânica The Missing assim como True Detective é uma minissérie antológica e nessa primeira temporada teve como enredo central a procura obsessiva de um pai por seu filho desaparecido há oito anos em uma cidade da França. O enredo é um prato cheio para os fãs de grandes mistérios apresentando um roteiro firme e inteligente que prende o espectador durante seus oito episódios. E ainda que peque com um final insatisfatório e pouco criativo, a primeira temporada abriu caminho para uma série que pode evoluir muito com o passar do tempo. Ela inclusive já foi renovada, é cruzar os dedos para que a segunda temporada supere a primeira (principalmente no desfecho).