Saga deste ano foi na Arena das Dunas (Fotos: Taline Freitas)

Saga: evento reúne 12 mil pessoas na Arena das Dunas

O Saga de Entretenimento comemorou os seus 10 anos de atividade na Arena das Dunas neste fim de semana e deu o seu recado. O evento surgiu em 2005 quando um grupo de amigos do Instituto Federal do Rio Grande do Norte de Ciência, Tecnologia e Cultura (IFRN) resolveu criar algo que unisse os fãs dos animes – famosos desenhos japoneses -, mangás (quadrinhos made in Japan) e jogos em geral.

Saga deste ano foi na Arena das Dunas (Fotos: Taline Freitas)
Saga deste ano foi na Arena das Dunas (Fotos: Taline Freitas)

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O evento tanto sucesso que no ano seguinte o evento migrou para um lugar maior até chegar no nível de hoje. Segundo os organizadores, pelas mídias sociais, neste ano o Saga conseguiu reunir 12 mil pessoas. Assim como nos últimos dois anos, o público está cada vez mais composto por jovens. “Eu estou aqui por conta do Muca (Muriçoca), que é uma das atrações, assisto os vídeos dele há um ano e meu vídeo favorito é ‘Japinha da Nerf’.  É muito engraçado”, disse o estudante Pedro Guilherme, de 14 anos, um dos visitantes do Saga.

Os espaços estavam bem definidos e o público poderia escolher se queria jogar os eletrônicos ou analógicos, comprar acessórios voltados para cultura pop, assistir palestras com os vlogueiros, curtir um bom show, gritar quando via um cosplay muito bom ou ensaiar se matar para tentar tirar foto com o ídolo.

Neste ano, o Saga reuniu muita coisa bacana e, para não deixar o texto cansativo, resolvemos dividir nossa cobertura em tópicos. Só clicar e escolher: cosplay, jogos, atrações principais e stands

Cosplay é a junção das palavras inglesas ‘Costume’, que significa ‘fantasia’, e “Play”, verbo ‘interpretar’ em português. Ou seja, além de se vestir, o cosplayer também tem que interpretar o personagem escolhido, podendo ser inspirado em um filme, quadrinho, game ou alguma personalidade da mídia. A competição é dividida em três categorias: desfile, tradicional (performance fiel ao personagem) e livre.

Ousadia e Alegria esses cosplays

Teve gente que entrou na brincadeira pela primeira vez. Foi o caso de Louise Melo que brincou de ser por um dia a personagem Lulu do jogo League of Legends (LoL). “Eu jogo há três anos e a adoro. O que mais demorei para fazer foi o cajado”.

Este ano defino o concurso com a seguinte expressão: ousadia e alegria. Por quê? A galera pegou pesado e não mediu esforços para chamar atenção. Mostrar bumbum, usar um decote para deixar bem fiel ao personagem, fazer piruetas e realizar apresentações que deixam as apresentações de drag queens no chinelo, deixando a galera enlouquecida.

Apresentação de princesa Elsa que garantiu a vitória de Kelly Batista
Apresentação de princesa Elsa que garantiu a vitória de Kelly Batista

Destaque foi a apresentação de Kelly Batista, que interpretou a personagem Elsa, do filme “Frozen”. Ela realizou uma performance bem similar com a cena que a princesa tinha fugido do reino, com direito a troca de roupa e tudo no palco. Com isso, ela ganhou os jurados e conquistou a primeira colocação na categoria tradicional.  Detalhe, ela tinha ganhado neste mesmo quesito o prêmio do ano passado.

A vencedora da categoria desfile foi a experiente cosplayer Thaís Araújo, que está na área desde 2009 e já coleciona alguns prêmios. Desta vez, ela recebeu um Playstation 4 por Ultimecia, do jogo Final Fantasy. Araújo usou dois cosplays nos dias que aconteceram no Saga, sendo que o primeiro foi de Elsa.  “Dessa vez resolvi apenas desfilar, porque tenho vergonha de fazer as performances”, justificou a cosplayer, que contou ter feito entre 30 a 35 cosplays.

Foi uma overdose de “Elsas” durante o evento. Pelos meus cálculos, foram três. Uma delas foi Polly Freitas que faz cosplay há um ano. “Demorei um mês para fazer, o modelo do vestido foi feito por uma costureira e eu que fiz a decoração”, comentou a jovem.  A jovem foi a única “Elsa” a utilizar o próprio cabelo para compor a personagem. “Gosto muito de brincar e cuidar com meu cabelo, nas horas vagas sou cabeleireira”, explicou.

    Esta é a segunda parte mais querida dos frequentadores, quando as pessoas vão competir e mostrar quem é o melhor gamer. Havia a opção de jogar nos principais consoles do mercado (tinha jogos para Xbox, Nitendo Wii e Wii U), dançar no Just Dance ou assistir as competições dos aclamados esportes eletrônicos (e-sports, o nosso colaborador Matheus Geres fez um post explicando muito bem o assunto). Também tinha um local destinado para aquelas que gostam de jogo de carta e tabuleiro, próximo da lanchonete.

    Entretanto, o interesse mesmo era assistir as competições de LoL, cujo tratamento é igual ao Brasileirão no futebol, com direito a narrador e comentarista. O certame funcionava da seguinte forma: composto por dois times de cinco jogadores, eles deviam escolher os personagens que se encaixem com as estratégias, habilidades e conhecimentos da equipe. A equipe vencedora é a que consegue conquistar a vitória destruindo a base inimiga.

    Jogos de tabuleiro era uma ótima opção para se divertir no Saga
    Jogos de tabuleiro era uma ótima opção para se divertir no Saga

    O estudante Oman Moura estava acompanhado de sua namorada Daiane Leal, os dois adoram jogar este game. “Não sei quanto tempo jogo LoL. Faz quanto tempo mesmo, hein? Acho que dois anos. Fui por causa dos amigos e gosto muito”, garantiu o jovem. Daiane, por sua vez, conheceu o LoL por livre e espontânea vontade. “Jogo há um ano e meio já sou Ouro 3, ainda preciso melhorar o meu desempenho”, disse a jovem.

    Para mostrar que a competição é levada a sério, o Saga fez competições dias antes do evento e as quartas, semifinais e a final foram nos dois dias do evento. O pessoal se prepara mesmo e treina bastante. O José Dantas conseguiu chegar às quartas de final da competição junto com os seus amigos.

    “Eu jogo desde o beta (versão teste). Eu acho que além da diversão entre os amigos, o jogo faz com que a gente conheça pessoas do mundo todo”, avaliou Dias, que participou pela terceira vez das competições.

      Potiguares do Saigo Ni deram o ar da graça no Saga
      Potiguares do Saigo Ni deram o ar da graça no Saga

      O Saga sempre conta com convidados especiais e neste ano contou com o vlogueiro Muca Muriçoca, que fez fãs ficarem desesperados ao vê-lo e tulmutuar para pegar um autógrafo e arrancar um selfie. Parecia que o Luan Santana estava lá. Confesso que não sabia quem ele era antes de visitar o local, porém o vlogger fala sobre diversas coisas relacionadas com o mundo nerd/geek, público-alvo do Saga. Os vídeos são até engraçados.

      Apesar da confusão, teve gente que conseguiu conhecê-lo. “Comecei a ver esse ano por causa dos meus amigos. Ele foi super fofo, me deu um abraço e pediu para que não fosse chorar”, disse Bianca Beatriz que ficou super emocionada ao vê-lo. Outra visita super ilustre ao Saga foi o dublador Carlos Seidl, conhecido por ser a voz do Seu Madruga, da série “Chaves”. Seidl contou um pouco sobre a sua carreira e também da profissão ao público presente.

      “Isso é bom, o público mais jovem conhecendo o meu trabalho, mesmo depois de 30 anos ter feito esse programa e receber esse carinho. É muito gratificante, porque começou com uma coisa pequena, tendo um pequeno fã-clube ali e acolá. Hoje, a gente ver um grande público e ver que o pessoal agrada realmente”, alegou.

      Deixo um áudio com Seidl fazendo a voz do Seu Madruga:

      Dentre as atrações musicais está a banda Almah, cujo vocalista é Edu Falaschi conhecido por contar a versão brasileira da música “Pegasus Fantasy”, de Cavaleiro dos Zodíacos. Este é o terceiro evento de cultura pop de Natal de que participa.

      “É muito legal estar de volta a Natal, o público é bem carinhoso e tem muita gente que é fã do desenho. Dessa vez volto com o Almah, que a galera vai curtir também”, afirmou Falaschi, que também é ex-vocalista do Angra.  Outras apresentações musicais foram Ayu e a banda potiguar Saigo Ni, composta por alguns organizadores do evento.

      Edu Falaschi tocou no Saga junto com a banda Almah
      Edu Falaschi tocou no Saga junto com a banda Almah

      Também havia o espaço dedicado exclusivamente ao pop coreano, no qual pessoas e grupos de danças travaram competição para ver que faz as melhores coreografia das boybands e girlbands vindas da Coréia do Sul. A galera dança muito e é uma parte bem animada do Saga. O dançarino Ian Amaral conheceu este gênero musical há um ano e sua banda favorita é Shinee. “O ritmo é dançante e envolvente. Além disso, podemos dançar como os nossos ídolos”, justificou.

        No espaço também havia locais para vender acessórios, roupas e objetos típicos da cultura geek, nerd e asiática. As lojinhas foram bastante procuradas pelos visitantes. Além disso, uma das novidades foram os carrinhos portando bebidas por todo o evento e uma lanchonete no primeiro ándar da Arena das Dunas.

        Saga completou 10 anos em 2015
        Saga completou 10 anos em 2015

        Os stands continham lojas vindas de estados vizinhos. Juciele Lima é natural de João Pessoa e veio ao Saga pela quarta vez e ficou animada com os natalenses comprando as suas almofadas, camisetas e outros produtos relacionados à cultura pop. Ao ser questionada como é a relação dos fãs pessoenses, ela respondeu: “Lá a gente tem o público bem legal que gosta dessa cultura”.

        Uma novidade é a presença da loja natalense Multiverse Geek, especializada em action figures, bonecos que fazem miniaturas de super-heróis, desenhos animados, animes ou vídeo-game, que já falamos aqui no blog.  “Aqui realmente tem muita gente mesmo para o Saga e isso é muito bom para Natal”, alegou Henio Paiva, proprietário da loja.


         

        Reuniu 12 mil em um fim de semana
        Reuniu 12 mil em um fim de semana

        Comparando o evento do ano passado, este ano o Saga acertou em escolher a Arena das Dunas como palco, os lugares ficaram bem definidos, não houve tumultos e estava fácil de circulação, com exceção na parte próxima do palco principal. Espero que façam o Re:Saga ainda no estádio, pois foi a melhor opção.

        Vejo que o público está cada vez mais jovem e muitos adultos estão levando os seus filhos para conhecer este mundo, que antes era considerado “algo estranho e coisa de maluco”. Foi animado, trouxe uma nostalgia dos tempos de criança/adolescente quando assistia a animes  e foi um ótimo momento para encontrar amigos que têm o mesmo interesse em comum.

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