Eco Praça acontece uma vez por mês

Eco Praça acontece uma vez por mês (Fotos: Lara Paiva)

As praças, na teoria, deveriam ser usadas como uma forma de lazer. Contudo, a onda de insegurança faz com que diversos lugares públicos não sejam aproveitados. Neste último domingo (28), um evento provou que existe a possibilidade de fazer com que as mesmas possam ser divertidas e animadas. O nome da atividade é Eco Praça, criada neste ano, e tem o objetivo de revitalizar as praças natalenses. A sexta edição foi no bairro de Candelária.

Acontece uma vez por mês, sempre no último domingo. A Praça dos Eucaliptos estava recheada de atividades diferentes. De acordo com Geraldo Gondim, idealizador do projeto, o Eco Praça é comunitário e colaborativo. Surgiu a partir da necessidade de resgatar o papel fundamental das praças públicas na cidade e ampliar a perspectiva da democratização desses espaços.

Geraldo afirma que escolheu a Praça dos Eucaliptos por ser perto da casa dele, entretanto pretende expandir os trabalhos para outros locais de Natal. “A percepção das praças públicas pela sociedade atual passa por sentimentos de estranheza e medo, sendo frequentemente abandonados pelo poder público e consequentemente pela comunidade”, aponta.

Famílias se divertindo na Praça dos Eucaliptos

Famílias se divertindo na Praça dos Eucaliptos

Como o nome já diz, o Eco Praça procura criar mecanismos para não piorar ainda mais a degradação do meio ambiente, tem local estratégico para colocar os lixos (evitando, assim, sujar o local), estimula os visitantes a irem de transportes públicos ou de bicicleta e tem a realização de um mutirão de limpeza.

Chegamos às 16 horas, porém a programação acontecia desde manhã, com café da manhã, yoga, palestras, oficinas, exposição da fotógrafa Catarina Santos e apresentações musicais. O que mais chamou atenção, de início, foi a quantidade de pessoas que tinha naquele lugar, que é espaçoso e arborizado.

Diversas famílias estavam presentes, sentadas numa toalha e fazendo piquenique ou estimulando os respectivos filhos a andarem de skate ou bicicleta. Os amigos estavam juntos, conversando, bebendo algo e rindo das coisas.

Nicholas realizou um piquinique na praça

Nicholas realizou um piquinique na praça

Por falar em piquenique, muitos também faziam isto e o estudante Nicholas Almeida era um desses. Nicholas sempre frequenta a praça e no domingo em que resolveu passear por lá, ele descobriu a iniciativa. O jovem comenta o que gosta do local não somente pelas atrações, mas também do ambiente arborizado e pelo fato de não ter a sensação de medo por estar lá.

“Me proporciona a sensação de estar realmente em outro tempo, pois em Natal temos a ilusão de que essa coisa de praça é algo de um período histórico intocável e distante, que devemos nos amontoar nos shoppings. O Eco Praça ainda nos propicia oportunidades de expor vários tipos de arte, participar na venda de produtos artesanais, culinária, bazares, etc. A comunidade tem a noção de que pode realmente fazer parte do evento, e não ser simplesmente mais uma espectadora”, conta.

Estudante publicitário, Sérgio Leonardo veio de Parnamirim para o Eco Praça e levou um amigo para conhecer o local. Achou interessante a ideia de reunir o contato com a natureza dentro da cidade e que a população está procurando outros caminhos alternativos para se divertir. “Gostei de ver toda aquela galera junta curtindo a natureza e boa musica no meio da grande cidade”, relata.

Pessoas podiam praticar tecidos acrobáticos, slackline ou capoeira

Pessoas podiam praticar tecidos acrobáticos, slackline ou capoeira

Também foi promovida a prática de exercícios ao ar livre. Os tecidos acrobáticos eram uma das sugestões, deixando de ser só uma atração circense para serem usados em qualquer lugar. Lá, podia-se ver pessoas fazendo acrobacias em um tecido fino e isto despertou a curiosidade de muitas pessoas. Bárbara Pimenta gostou muito de aprender isto. “É super legal de ver e de fazer também. As meninas que estavam lá eram muito amigas e ficavam ensinando quem queria aprender”, conta.

Acompanhada do namorado, esta é a primeira vez que vai ao evento. Apesar de ter gostado bastante do projeto, ela citou algumas coisas que poderiam ser melhoradas: “Acho que os ambientes poderiam ser mais bem divididos, ficou um pouco confuso”.

Outro exercício que o público poderia fazer é o slackline, que é uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos, o que permite ao praticante andar e fazer manobras por cima a exemplo das cordas bambas que se veem em circo. Qualquer pessoa pode fazê-lo. Quer algo menos emocionante? Era possível participar de uma roda de capoeira bastante animada.

Muitas pessoas se reuniram para o evento

Muitas pessoas se reuniram para o evento

O Eco Praça também tinha performances artísticas e espaços para comprar camisetas, quadros, plantas, brincos, filtros de sonhos (também conhecido como dreamcatcher), comidas para todos os gostos, almofadas e bebidas (a procura pelas cervejas foi tão grande, que acabou o estoque de quase todos os ambulantes presentes).

Quem não quisesse ficar sentado ou brincar de slackline e tecidos acrobáticos, podia fazer qualquer coisa, como divulgar o Partido Pirata, andar com os amigos por volta da praça ou escutar uma boa música.

Alguns participantes estavam fazendo dreads nos cabelos dos visitantes e tinham outros que estavam promovendo a adoção de um gato, o caso da Maryane Ferreira. Esta também é a segunda vez que vai ao local para doar gatos para adoção no evento, na qual conheceu através da Organização Não-Governamental (ONG) Deixe Viver.

“Deveria ter mais iniciativas como essa. As pessoas aqui não têm muitas alternativas pra levar a família toda”, disse. Ao ser questionada o que mais gostou, ela respondeu: “Gostei, da movimentação de pessoas, da música, dos produtos e alimentos vendidos, do skyline, enfim do clima do evento”.

Dusouto realizou um show

Dusouto realizou um show

Ainda sobre escutar uma boa música, quando estávamos por lá, tocava a banda Dusouto, que mesmo tocando após uma hora de atraso, fez muita gente dançar com o seu trabalho. Surgiu em 2003 e é uma das mais populares da cidade, a música mistura rock, reggae, regional, eletrônica e dentre outras coisas. É formada por Paulo Souto, Gabriel Lamartine e Gabriel Souto.

Durante a apresentação, os caras tocaram os seus clássicos e reverteu o cachê para manter a realização do Ecopraça. Por isso, uma urna foi instalada próximo ao palco para a realização da campanha de financiamento coletivo, onde todos possam colaborar com o que pudessem.

Depois, no encerramento, houve a apresentação da banda Fuá, que tocou o seu forró de pé de serra. Vale a pena largar o Faustão para se divertir com uma atividade diferente, e ao mesmo tempo proveitosa.

Mais fotos do evento estão na página do blog no Facebook.

Abaixo-Assinado

Por meio do site Avaaz, a equipe do Eco Praça está realizando um abaixo-assinado e a intenção é angariar 750 assinaturas para serem enviadas para Prefeitura do Natal. A intenção é fazer com que o órgão ajude a manter e expandir as atividades. O objetivo desta causa é fazer com que o projeto seja reconhecido pelo poder Executivo que é um projeto importante para revitalização das praças da capital do Rio Grande do Norte. Quem tiver interessado e queira assinar, acesse o link para preencher com seus dados e apoiar o projeto.

 

4 Responses

  1. Avatar
    priscilla karla

    oi gostaria de fazer parte do eco praca ??
    como e com o q posso ajudar !!!

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