Alguns dos nomes mais importantes para a história do heavy metal e do rock

Sepultura no Sesc Belenzinho: Inesquecível!

Os anos 80 foram uma década muito importante para o cenário do metal. Gêneros como o Glam Metal, Thrash Metal e o Death Metal tomam corpo pelo mundo e principalmente: Brasil, Estados Unidos e Suécia. Nessa década banda famosas começam a tocar seus primeiros acordes cheios de lama, suor, rancor e ódio: Metallica, Slayer, Megadeth (Dave e sua polêmica saída do Metallica), Anthrax, Mötley Crüe, Helloween, Blind Guardian, Kreator, Venom, Sodom e Destruction. Foi uma das grandes safras do heavy metal mundial, cada uma dessas bandas influenciou e criou diversos estilos: Trash Metal, Speed Metal, Power Metal, Glam Metal e o Death Metal. A denotação grande safra talvez não se compare à quantidade de bandas que são criadas hoje em dia, porém não em originalidade, uma vez que a qualidade quase todas as bandas possuem no século mais tecnológico da história da humanidade.

O metal (junto do rock) sobreviveu ao grande movimento mainstream daquela época e hoje arrasta uma legião de fãs, os headbangers principalmente, ou os fãs do hard rock ao pop rock. Deste mundo tão vasto dos “metais”, escolheremos o Death Metal, subgênero originado do Thrash Metal. Quem nunca ouviu um comentário: “Mas que barulheira absurda é essa?”. Ouvi muito disso na minha geração, estamos falando do Metal e para o Death Metal não é diferente. O Brasil é uma referência dentro do metal pela história de algumas bandas (não vindo ao caso citar todas), mas que seja louvado, e com muito urro, o legado, marca e credibilidade criados pela banda Sepultura. Senhoras e senhores saiam da sala, agora é hora de agressividade, peso, batidas fortes e urros. O Sepultura é nosso maior nome dentro do Death Metal (essa é uma opinião pessoal), por diversos fatores: inovação, elementos “folks”, linhas de guitarra pesadas, bumbo duplos, bateria técnica, urros bem executados, etc. Não viver do passado, mas aproveitar disso para criar um novo presente é algo que o Sepultura conseguiu e consegue fazer muito bem.

Derrick Green, Paulo Jr., Andreas Kisser e Eloy Casagrande
Derrick Green, Paulo Jr., Andreas Kisser e Eloy Casagrande

Junto do Sesc, o Sepultura proporcionou aos fãs da banda e do Metal um verdadeiro show apoteótico, depois de duas (incríveis) apresentações no Rock in Rio e uma participação no Monsters of Rock junto do Korn. Um show bem organizado, segurança educada (acreditem), um espaço confortável e um preço acessível: R$ 25,00 (inteira); R$ 12,50 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino), R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes). Isso mesmo! R$ 5,00 para quem é trabalhador no comércio, é pedir para ir e curtir demais. A organização do Sesc foi sem palavras, tudo para curtir o show sem grandes problemas.

Muitos comentários se ouviam pelos cantos, alguns diziam: “Nossa, eles devem estar cansados. Vão economizar, tocar bem, mas tocar sem aquela energia do Rock in Rio”. Ainda bem que eles estavam errados. O show estava marcado para começar às 21h30 e atrasou uns 15 minutos, ajustes no som, roadie para lá e para cá, guitarra distorcida, baixo afinado e bateria ajustada e assim estava tudo pronto. As luzes se apagaram e um a um, os integrantes da banda começaram a entrar no palco, para o delírio do público, sem dúvidas para um fã “uivar”, “gritar” e falar em alto bom som: “Sepultura, Sepultura, Sepultura!”. Mostrando o peso que a banda enfrentaria. O peso dos fãs pedindo um show memorável, daqueles que um headbanger contará aos seus filhos um dia. O show foi tudo isso e muito mais, energia incrível da banda, equalização perfeita, som batendo no peito, tudo que um verdadeiro amante do heavy metal gosta para desfrutar ao máximo.

A banda está em sintonia entre eles e com o público, o show se torna especial ao ver a energia idêntica de um show executado no Rock in Rio ou no Sesc. “Chaos A.D.” é um CD espetacular e ao vivo soa ainda melhor, porque os caras fazem isso soar melhor que o disco original. Quem é amante do metal e tem talvez uma dificuldade de aproximação com bandas mais pesadas, certamente, ao ver a técnica e qualidade desses caras ao vivo, passará a gostar do som sem precisar forçar, apenas chocalhando a cabeça junto do ritmo, como um verdadeiro headbanger. É preciso dizer, Eloy é um grande baterista. Seu ritmo dá vários nós na cabeça, imaginando ele batendo aquela bateria daquele jeito. Paulo Júnior arrebenta em seu baixo, consegue trazer um peso enorme e conciso para a música. Derrick em seus urros e percussão leva o público ao delírio e Andreas Kisser prova ser um dos maiores guitarrista de trash metal/death metal que vamos ouvir. Ao mesmo tempo em que seus acordes e solos parecem soar simples, são rápido, bem executados, “chorados” e de qualidade exima. De fácil e simples tem nada, não inventa muita firula, sabe bem encaixar cada elemento em suas músicas.

Os pontos altos do show foram com as músicas: “Refuse/Resist”, “Amen”, “Polícia” (Cover do Titãs), “Da Lama ao Caos” (Cover do Chico Science), “Crucificados Pelo Sistema” (Cover do Ratos de Porão), “Impending Doom” (música nova) e, claro, “Roots Bloody Roots”. O show foi para guardar na memória, de valer à pena o zumbido no ouvido, de pular junto de músicas como “Polícia” e “Roots Bloody Roots”. Qualidade, comprometimento, energia e heavy metal. Foi isso que o Sepultura deu aos seus fãs, inclusive esse que vos escreve.

Além da banda, temos que elogiar o Sesc pela oportunidade dada aos fãs de comprar um ingresso tão barato, pela organização e segurança para deixar o show correr de forma tranquila. Aqueles que conheciam algumas músicas do Sepultura, com certeza se tornaram ainda mais fãs e começaram a curtir mais o som deles.

Sepultura no Palco do Sesc Belenzinho
Sepultura no Palco do Sesc Belenzinho

Não podemos esquecer também da humildade dos caras em cima do palco (que quase toda banda possui) como também, fora dele. Depois de ter curtido muito, não esperávamos que os encontrássemos para bater uma foto, dar um abraço e dizer que o show foi “do peru”. Não esperávamos, mas fomos presenteados com tal fato. Aperto de mão, elogiar o show, falar sobre futebol, o novo álbum e tirar onda com os caras. Que honra! Ficamos chateados que o Paulo Júnior e o Eloy Casagrande fugiram, mas o tempo que Derrick e Andreas disponibilizaram para a gente compensou a fugida dos dois. Simpáticos, atenciosos e sem qualquer estrelismo, mostrando uma simplicidade enorme em atender o público, mesmo possuindo o status de maior banda de heavy metal brasileira.

Além disso, antes do show, tinham camisetas à venda (garanti a minha e estou planejando comprar mais) e em primeiríssima mão o novo álbum da banda: “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”. E como disse o sábio Andreas Kisser: “Baixa não, ajuda a gente” e foi exatamente isso que fiz. Adquirido o novo CD do Sepultura e autografado pelos ídolos Andreas e Derrick. É importante dizer que o título dessa música foi inspirado numa frase do filme “Metrópolis” de 1927, mesmo não sendo um disco conceitual. Uma noite de 24/10/2013 inesquecível.

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Depois do papo, foto com Andreas Kisser. (Iago Sousa do blog Infotius à esquerda)
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Foto com o Derrick, grande vocalista (literalmente)
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Empresária do grupo: Monika Bass Cavalera

Para você que perdeu os três show do Sepultura no Sesc Belenzinho, gravamos dois pedaços só para amostra grátis!