Séries e TV: Broadchurch – Mais uma ótima série inglesa

Recentemente passei por uma ótima experiência para quem gosta de filmes e séries: “descobrir” algo realmente interessante. Meu pai tomara conhecimento de uma série inglesa estreante no canal GNT. Ele, que não é um apaixonado pelo formato com suas intermináveis temporadas, mostrou-se interessado e me deixou curioso. Os ingleses vêm mostrando que existem obras excelentes fora dos Estados Unidos, como as reconhecidas Misfits, Sherlock e Downton Abbey, por exemplo.

Elenco de Broadchurch

Broadchurch acompanha a investigação da morte do jovem Danny Latimer (Oskar McNamara de Anna Karenina) e a repercussão do acontecimento na pequena cidade litorânea que dá nome a série. Nesse contexto, acompanhamos o detetive forasteiro Alec Hardy (David Tennant de Doctor Who e Harry Potter e o Cálice de Fogo) que é escalado para liderar a investigação assumindo o cargo que deveria ser da detetive local Ellie Miller (Olivia Colman de A Dama de Ferro).

No estilo “todos são suspeitos”, à medida que os acontecimentos se dividem nos 8 episódios da temporada, somos apresentados mais profundamente aos personagens principais. Formato que fez muito sucesso com a clássica Twin Peaks, série de 1990 desenvolvida por David Lynch (diretor de O Homem Elefante e Veludo Azul).

Apesar da temática castigada pelas excessivas séries estadunidenses, a obra inglesa se destaca por ir, justamente, na contramão das superproduções das TV’s do Tio Sam. Aqui não vemos nenhum super personagem ou vilões doentios nem sedentos por maldade, mas pessoas comuns que têm suas vidas reviradas por uma tragédia. O mais impressionante da obra é a capacidade de identificação entre os personagens e o público da série.

Encanadores, jornalistas, policiais, jornaleiro, padre, pais, mães e irmãs. Todos os personagens são muito críveis e as ótimas representações de figuras que perpetuam o cotidiano do público ajudam a nos transportar para dentro do universo proposto. Apesar de um drama policial, Broadchurch brinca com sua trama alternando o foco entre a investigação e as histórias de seus personagens. Ora mostrando pistas do assassino, ora as feridas passadas dos suspeitos que mostram a harmonia da cidade sucumbir gradativamente.

A produção é muito bem cuidada. Toda filmada em locação, a série traz uma fotografia muito interessante e alguns enquadramentos realmente inspirados e inteligentes. O ritmo cadenciado da montagem ajuda no desenrolar da série, que nunca chega a ser frenética e nem maçante, sendo dona de um ritmo desacelerado na medida certa para que a história respire. Aliás, a história é quem dita o sentido de urgência da trama que tem suspense e tensão latentes e saudáveis.

Os detetives Alec Hardy (David Tennant) e Ellie Miller (Olivia Colman)

O elenco é muito competente, sem nunca sair do tom. A melhor atuação vem de Olivia Colman como a detetive Miller, compondo muito bem uma mulher dividida entre a incredulidade exigida pela profissão e a humanidade que carrega dentro de sim. Tennant, apesar de canastrão, interpreta bem o atormentado detetive Hardy.

Alguns atores são limitados, como a mãe de Danny, Beth Latimer (Jodie Whittaker de Venus) e Nige Carter (Joe Sims de Outside Bet), por exemplo. Porém, os atores da série são capazes de entregar algumas cenas soberbas. Destaque para a participação do jornaleiro Jack Marshall (David Bradley da saga Harry Potter).

Semelhanças entre o cantor romântico Marcelo Augusto e o ator Andrew Buchan

Os pontos negativos da série se limitam a uma cena onde um policial deveria seguir um suspeito, mas a não consegue; um furo gigantesco da investigação no que remete ao local do crime; e o fato de o interprete de Mark Latimer (Andrew Buchan de O Garoto de Liverpool) ser muito parecido com o ator/cantor (¬¬) Marcelo Augusto. Nada que remeta a Marcelo Augusto merece credibilidade. Porém, nada disso interfere na fluidez da série.

Broadchurch é uma relevante obra da TV inglesa que se destacou em 2013. A segunda temporada foi confirmada e começara a ser rodada em 2014 com uma nova trama. Além disso, o canal Fox (EUA) comprou os direitos de refilmagem. Portanto, antes que a versão saia, sugiro que os fãs de série procurem e vejam a obra original, dona de um belíssimo final de temporada num dos episódios mais tocantes que já vi. Mais que recomendado!

Nota: 9/10

Ficha Técnica:

Direção: James Strong e Euros Lyn.

Criação e roteiro – Chris Chibnall.

Por João Victor Wanderley, especial para o blog O Chaplin