De tanto ver anúncios em redes sociais, eis que resolvi assistir o novo rebento do Netflix; a produção original, “Orange is the New Black”, é a segunda série própria do site. A comédia estreou dia 11 de julho em todos os países onde a empresa opera, dentre eles o Brasil. Adaptada pela sempre ousada e divertidíssima Jenji Kohan (Weeds), da obra autobiográfica de Piper Kerman, a série tem treze episódios produzidos para sua primeira temporada (todos já disponíveis no site de streaming).

Elenco dinâmico, divertido da nova produção do site Netflix

Uma série sobre prisão nos remete imediatamente a “Oz”, “Prison Break” ou ainda “Capadócia”, mas não, o que vemos nessa nova produção é algo mais leve, embora a cadeia seja um tema extremamente denso. Orange is the New Black parte da perspectiva da personagem principal, Piper Chapman (Taylor Schilling), uma jovem ingênua e de bom coração que se envolveu há dez anos com uma traficante de droga, Alex Vause (Laura Prepon), e transportou o dinheiro conseguido pelo tráfico.

Dez anos depois do ocorrido, Piper se encontra noiva de um escritor judeu de bom coração, Larry Bloom (Jason Biggs, de Mad Love), filho de um advogado, com quem planeja casar-se, e também inicia um negócio próprio com a sócia e melhor amiga Polly Harper (Maria Dizzia). Sua vida pacata muda completamente quando ela é denunciada à polícia e seu passado vem à tona. Pelo que cometeu, levaria doze anos para o crime prescrever, mas se passaram apenas dez e a moça é condenada há treze meses em Litchfield, prisão de segurança mínima no estado de Connecticut.

Protagonista da série, Taylor Schilling ao lado da escritora que deu origem a obra, de Piper Kerman

Ao entrar no presídio, Piper passa a conviver com diversas mulheres que cometeram variados crimes. Lá ela encontra: a russa Galina Reznikov (Kate Mulgrew), mais conhecida como Red, que comanda a cozinha; Tiffany Doggett (Taryn Manning), uma jovem problemática que se tornou evangélica; Nicky (Natasha Lyonne), uma lésbica viciada em drogas, que sempre tem as melhores tiradas; Crazy Eyes (Uzo Aduba), uma lésbica que se interessa por Piper; Erica ”Yoga” Jones (Constance Shulman), uma hippie que dá aulas de yoga; Big Boo (Lea DeLaria), uma detenta que sofre de câncer; e Sophia (Laverne Cox), uma transexual afro-americana, entre outras.

Dentro da prisão, existem as detentas e as pessoas que lá trabalham; dentro do quadro de funcionários, encontramos aqueles que se esforçam para fazer o melhor que podem dentro do sistema, como é o caso de Caputo (Nick Sandow), diretor assistente; o guarda corrupto, que sempre quer se dar bem, Mendez (Pablo Schreiber); o preconceituoso supervisor e conselheiro, sr. Healy (Michael Harney), e a sempre elegante Natalie Figeroa (Alysia Reiner), mais conhecida como Fig, diretora da instituição que desvia verbas enquanto tenta manter as aparências.

A tônica do dia dia e as regras da prisão são ensinadas a Piper

Jenji Kohan está acostumada a falar de assuntos pesados e controversos com um senso de humor peculiar, como no caso da série “Weeds”, onde ela mostra e fala da saga de uma mãe viúva que, ao se ver no papel de chefe de família, encontra no tráfico de drogas a saída para manter sua família, com diálogos criativos e tiradas pra lá do humor negro. A autora deixou sua marca na produção, que se aplica com o mesmo talento em seu novo trabalho.

Em “Orange is the New Black”, o humor negro e o timing de humor estão presentes novamente. Há momentos de drama, em que os conflitos dos personagens são bem explorados, mostrando os elos que se formam dentro do presídio, onde as detentas se unem, se ajudam com suas regras e condutas próprias. Há espaço também para comédia, com as gafes e a ingenuidade de Piper com suas companheiras. A parte mais polêmica da série seria no tocante ao lado sexual, que é inevitável não ser falado. Na série, ele é mostrado, não de maneira escrachada, mas sim como parte da vida das pessoas, sem exageros. Os estereótipos estão presentes, bem como os clichês, mas são abordados de maneira interessante e os momentos em que se tornam banais são prontamente descartados ou deixados de lado.

A cor do uniforme das recém-chegadas é que dá título a série

Uma das minhas curiosidades era com relação à qualidade técnica da produção, uma vez que a série seria veiculada na web e não na TV e, no que diz respeito ao orçamento, sabia que não era tão gordo com o das grandes emissoras, mas me deparei com um produto que em nada deixa a desejar a qualquer superprodução das telinhas, o que denota um entusiasmo da Netflix após o sucesso de crítica de “House of Cards”, sua primeira série original. A autora da série assina com qualidade o roteiro que constrói bem seus personagens, diálogos fluentes que prendem a atenção do espectador até o final dos episódios.

Ao longo dos episódios, pude perceber que a cadeia é apenas um dos componentes da série, mas seu tema principal não é o sistema carcerário, crimes ou mesmo violência, mas sim o relacionamento humano. Todas as personagens para chegar até ali passaram por momentos complexos, desde o envolvimento com uma traficante de drogas, caso de Piper até assassinatos passionais. As histórias de vida das personagens são contadas em flashbacks a cada episódio, para compreender como elas foram parar atrás das grades. A série é agradável e divertida, para aqueles que buscam entretenimento com roteiro sagaz, é uma ótima pedida. Aos assinantes da Netflix, a primeira temporada está disponível no site, a segunda temporada já foi confirmada e tem estreia prevista para o ano que vem.

3 Responses

  1. Alicia Jaramillo

    Definitivamente uma proposta surpreendente se série é o personagem que eu gostei sobre este foi Pablo Schreiber, um ator que sempre participa de série de humor negro, comédia y drama eu adoro a forma como ele funciona. Agora na nova série The Brink, começou apenas em Julho, mas é o meu favorito.

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