Há algumas semanas comentei aqui sobre como é acompanhar uma série, quase um relacionamento (ler aqui). Quem nunca se decepcionou com o desenrolar de sua série favorita? Com os rumos que algumas histórias tomam, ou com temporadas “caça-níqueis” que não acrescentam em nada?

Spartacus tomou um caminho diferente, a série do canal Starz se mostrou coesa e excitante desde a primeira temporada, e recentemente chegou ao seu fim, muito digno por sinal, mesmo com grande sucesso de público.

 

Andy Withfield (RIP)

O show conta a verídica história do escravo trácio que liderou a maior revolução contra o antigo império romano, chegando a reunir quase cem mil escravos. Spartacus foi treinado como gladiador e batalhava nos sangrentos eventos que serviam para distrair o povo romano, no que ficou, historicamente, conhecido como a política do pão e circo. Nestes embates, homens se enfrentavam até a morte, para deleite de centenas de pessoas.

A primeira temporada estreou em janeiro de 2010 e tinha como temática central a ida de Spartacus (Andy Whitfield) para o ludus, espécie de escola para gladiadores, de Batiatus (John Hannah). O foco dramático era a violenta separação do escravo de sua amada esposa Sura, sofrida enquanto o escravo passava por seu duro treinamento e os primeiros combates na arena da cidade de Cápua. Paralelamente o público vai se inteirando das diversas tramas contidas na história. A primeira temporada termina com a revolta dos gladiadores contra seus dominus.

 

Lucretia, Batiatus, Spartacus e Oenomaus(Doctore)

 

Após esta primeira fase o protagonista Andy Whitfield foi diagnosticado com um tipo raro de Câncer, o que fez com que a produção da segunda temporada fosse adiada. Nesse meio tempo os produtores criaram a mini-série Spartacus: Gods of the Arena, que se passa anos antes da prisão de Spartacus, e tem como personagem principal o gladiador Gannicus (Dustin Clare), um dos poucos guerreiros a conseguir sua liberdade na arena. Neste prólogo se destacam os personagens Crixus (Manu Bennet), Oenomaus (Peter Mensah) e Lucretia (Lucy Lawless, conhecida da série extinta Xena).

Infelizmente Andy faleceu em setembro de 2011, o que abalou fãs da série e incertezas quanto ao andamento da produção. No entanto, produtores logo buscaram um substituto para interpretar o Gladiador-Rei. O escolhido foi o desconhecido Liam McIntyre, que teria o desafio de tomar o lugar do protagonista em uma série com público já fiel.

 

Gannicus (Dustin Clare) em Gods of the Arena

 

Já com um novo rosto, estréia então em 2012 a segunda temporada, Vengeance, que mostra a caça ao grupo de rebelados, comandada pelo Pretor Glaber. Logo o público se acostumou com Liam no posto de Spartacus, a série não perdeu em qualidade, pelo contrário, e a quantidade da tríade sangue-sexo-violência permaneceu muito presente na trama. Aqui tivemos a fantástica batalha do Monte Vesúvio e a despedida de grandes personagens, vilões e heróis.

No início deste ano teve início o último capítulo da saga dos gladiadores, War of the Damned, terceira temporada. Tivemos um pulo no tempo, aqui o exército de Spartacus já estava numeroso e triunfando sobre as investidas de Roma. É quando entra em cena o romano Crassus (Simon Merrells), principal articulador para a queda de Spartacus e seu exército. Foram dez episódios de lutas, traições, tramas, e muita violência e sexo, marcas registradas do show.

Os últimos momentos desta jornada foram nada mais nada menos que espetaculares. Os criadores conseguiram transformar uma história da qual todos já sabiam o final em eletrizante e extremamente chamativa. A estética usada para ambientar a série não podia ser melhor, o resultado foram grandes batalhas e performances inesquecíveis. Detalhe para o fabuloso series finale, emocionante por demais.

 

Liam McIntyre como Spartacus

Mas Spartacus não foi só sanguinolencia e luxúria, o roteiro foi muito bem escrito e dramatizado, as tramas foram envolventes e por vezes deixaram o telespectador em euforia, ou indignado. As atuações foram ótimas, assim como muitos personagens.

Um ponto negativo que aponto é que às vezes não se tinha referência do quão grande foram os acontecimentos, pois o número de atores e figurantes não era o bastante para criar a noção de que havia milhares de pessoas em determinadas locações, mesmo com a ajuda da computação gráfica.

Creio que os produtores fizeram certo em acabar a série na terceira temporada, enquanto ainda estava no auge. Não correram o risco de tantas outras que se prolongaram demais e acabaram por se perder. Se caberia mais um temporada? Talvez. Mas Spartacus só precisou de quatro anos para contar de forma excelente um acontecimento histórico.

 

Agron, Gannicus, Spartacus e Crixus

O que escrevo aqui é apenas uma pontinha do todo. Quem ainda não assistiu, não deveria deixar de ver. E quem já viu, fique à vontade para comentar, pois há muito pra se debater sobre essa que, para mim, é uma das séries top dos últimos dez anos.

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