Neste mês de Agosto, uma das séries mais famosa do início do século completou uma década. Não está mais entre nós (R.I.P) mas, enquanto durou, fez um sucesso estrondante, principalmente entre os adolescentes. No dia 5 de agosto de 2003 ia ao ar o primeiro episódio de The O.C. e nós comemoramos a data relembrando esse sucesso.

A história se passa na Califórnia. Ryan Atwood (Benjamin McKenzie) é um adolescente de dezesseis anos que vivia em Chino, entre criminosos, pobreza, muitos problemas e uma família bastante complicada. Se envolve num crime por causa do irmão mais velho e, graças a isso, conhece Sandy Cohen (Peter Gallagher), que é defensor público e resolve ajudar Ryan a mudar sua vida e construir um futuro melhor. O jovem, então sob a tutela de Sandy, se muda para Orange County (daí vem o O.C. no título), em Newport, e passa a viver no meio da mais pura riqueza, mansões, carros de marca e festas luxuosas. Na casa dos Cohen, ele enfrenta alguma resistência da esposa de Sandy, Kirsten (Kelly Rowan) e conquista imediatamente a amizade de Seth (Adam Brody), o filho do casal. Ao lado de sua nova casa mora Marissa Cooper (Mischa Barton), filha mais velha do casal Jimmy (Tate Donovan) e Julie Cooper (Melinda Clarke). Como não poderia deixar de ser, Marissa e Ryan vivem um romance e, enquanto isso, Seth e a melhor amiga de Marissa, Summer Roberts (Rachel Bilson) também se apaixonam (não sem antes um enorme drama para findar na união do casal). É sob essa base que a série se desenrola e vários temas dramáticos típicos de programas adolescentes serão abordados, como virgindade, traição, álcool, drogas, sexualidade, divórcio e etc.

A série criada por Josh Schwartz e produzida pela Warner tinha uma trama fácil de entender e um texto bem humorado. Com altos e baixos, Marissa, Ryan, Seth e Summer contornaram três temporadas com um bom índice de audiência, porém, na terceira temporada, o grande problema surgiu. A atriz Mischa Barton teve sua crise de estrelismo e decidiu que não queria mais interpretar a problemática Marissa e por isso seu personagem foi, literalmente, sacrificado. Estava claro que sem Marissa a série não andava. Os roteiristas tentaram, mas o fato é que a garota-injustiçada-sofrida-aka-maria-do-bairro era espelho em todos os dramas da série. Tudo refletia nela, e sem ela os personagens se perderam. Após a morte da personagem, no final da terceira temporada, a série afundou sem limites e caminhou para o limbo das séries canceladas sem um fim plausível.

Na ‘volta dos que não foram’, alguns personagens foram marcantes ao longo da série. Escolhi os oito mais recorrentes para apresentar:

 

Marissa Cooper: Garota mimada, sempre envolvida em escândalos. Apesar de ser rica, inteligente e popular, vivia inúmeros dramas, em sua maioria oriundos da sua relação com os pais e o namorado. Conquistou fãs por ser naturalmente ‘inocente’ e, exatamente por isso, acabava sempre no meio do fogo cruzado. Foi o verdadeiro camaleão da série: apaixonada, depressiva, alcoólatra, lésbica, criminosa, fugitiva, drogada e etc.

Ryan Atwood: Rapaz pobre e humilde que é adotado aos 16 anos pela família Cohen e passa a viver e lidar com os conflitos de um mundo de ambições e segundas intenções. Também tinha seus momentos de dramas e revoltas sem necessidade, mas em geral, só se envolvia nos problemas alheios (principalmente da namorada).

Seth e Summer

Seth Cohen: Filho único dos Cohen. Mimado, tímido, nerd, sem muitos amigos. Vê em Ryan um irmão que nunca teve. É simpático, engraçado e (na minha opinião) um dos personagens mais interessantes e divertido da série. Apesar de imaturo e muito mais infantil do que o esperado para a sua idade, era o que causava menos problemas graves.

Summer Roberts: Melhor amiga de Marissa Cooper, é a paixão de infância de Seth. Apesar de não ser muito inteligente e bastante fútil, estava sempre entre os mais populares. Depois que começa a namorar com Seth, começa a ser uma personagem bem mais agradável, madura e querida do público. Tem também seus problemas familiares (como era de praxe na série) mas não faz deles uma novela, como todos os outros.

Julie Cooper-Nichol: Mãe de Marissa e Kaitlin. Uma mulher completamente viciada em luxo, riqueza e poder. Muda de marido, literalmente, para continuar rica. Numa primeira avaliação, se mostra uma esposa tola e deslumbrada, porém, aos poucos, revela uma personalidade forte e determinada, o que, com o tempo, passa a ser admirável (mesmo que seja uma determinação com fins não tão nobres).

Caleb Nichol: Pai de Kirsten. Homem extremamente rico, bem sucedido e mesquinho, dono do Newport Group (empresa onde sua filha trabalhava). Tinha problemas claros com Sandy e não se dava bem com nenhum outro personagem da série. Casou-se com Julie e a fez sofrer (e amadurecer) bastante. Quando morreu, deixou para sua esposa apenas dívidas.

Sandy e Kirsten

Sandy Cohen: Advogado e defensor público que luta pelo justo e nobre. De origens humildes, nunca fez questão de muito dinheiro ou riqueza (como todos os outros personagens). Apesar de enfrentar problemas com sua esposa (Kirsten), sempre foi declaradamente apaixonado e fez tudo para agradá-la, inclusive morar em Orange County.

Kirsten Cohen: Esposa de Sandy e mãe de Seth, se desdobra em várias para ser uma boa esposa, filha, empresária, dona de casa e etc. Não se dá muito bem com Ryan no início, mas aos poucos passa a reconhecê-lo como um segundo filho. Na adolescência, foi apaixonada pelo Jimmy Cooper (pai da Marissa) e em alguns momentos da série, cogita reviver essa paixão, apesar de amar o marido e a vida que possui.

Alguns momentos da série são inesquecíveis, como a festa de debutante das garotas, quando os casais (Marissa/Ryan, Seth/Summer) ainda estavam começando a se apaixonar. Ou quando Ryan volta pra Chino e reencontra sua antiga namorada e Seth foge de casa num veleiro. A viagem para Tijuana, quando Marissa está surtando com o divórcio dos pais e tem uma overdose com álcool e comprimidos… E a trilha sonora também era fantástica. Uma das melhores coisas da série, aliás. Só pela música de abertura já dá pra notar isso.

Pois é. Muita história por trás de apenas quatro temporadas. Não fosse a morte de Marissa, possivelmente ainda teríamos a oportunidade de ver um fim mais decente dos nossos casais favoritos e até mesmo uma conclusão mais decente e melhor anunciada. Essa, definitivamente, entrou pra grande lista das séries que “tinham tudo para ser, mas não foram”. Uma pena. Restou apenas uma década de saudade e recordações.

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