(Foto: Taline Freitas)

Shiko e a expansão dos quadrinistas do Nordeste

(Foto: Taline Freitas)
(Foto: Taline Freitas)

O premiado quadrinista e ilustrador paraibano Shiko (eleito o melhor desenhista do ano pelo Troféu Angelo Agostini em 2014) esteve em Natal recentemente no Bazar Independente do Duas Estúdio e nós d’O CHAPLIN o entrevistamos.

Francisco José Souto Leite nasceu em Patos, mudou-se para João Pessoa aos 18 anos, quando começou a trabalhar com publicidade e a criar quadrinhos independentes, especialmente pela revista indie Marginal Zine. Sua trajetória inclui obras como a adaptação de O Quinze e as graphic novels “O Azul Indiferente do Céu”, “Talvez seja mentira”, “Lavagem” e “Piteco – Ingá”.

Confira o nosso bate-papo a seguir:

O CHAPLIN: A gente está vendo um crescimento na produção de quadrinhos tanto em Natal quanto nos outros estados do Nordeste. Como você observa esta mudança?

Em Natal, João Pessoa e Recife, é nítido este aumento do interesse por quadrinhos, isto não é impressão. Alguns dias tinha visto uma enquete na internet, era um questionário que abrangia todo o país. Cheguei até a responder. O resultado dizia que o número de leitores nordestinos de quadrinhos é o mesmo da região Sul. Então, é claro o interesse do Nordeste em ler histórias em quadrinhos. Tem muita gente aqui produzindo produto de alta qualidade.

O CHAPLIN: Quais quadrinistas do Nordeste que você mais gosta do trabalho?

Uma das minhas primeiras influências foi um cara de Recife, Watson Portela, que foi conhecido bastante nos anos 80/90. É um cara até hoje que é referência, fiquei muito feliz quando soube que “Paralelas” seria relançado este ano numa editora de São Paulo. [Também posso citar Mike] Deodato, meu vizinho, lá de João Pessoa, que é uma referência. Mais do que essas, que estão fazendo quadrinhos há algum tempo, é importante perceber o crescimento de novos nomes e grupos de produtores publicando.

O CHAPLIN: Sem contar que a internet está ajudando bastante na divulgação destes trabalhos, isto deixa o trabalho um pouco mais democrático, não é mesmo?

Sim! [A internet deixou] um caminho mais curto entre o autor e leitor. Fica mais fácil de encontrar um trabalho da Ana Luísa Medeiros [autora de “Ana e o Sapo, Editora Tribo”] e Thaís Gualberto. É interessante perceber essa leva de mulheres quadrinistas. Isso sim me parece um fenômeno recente!

O CHAPLIN: Verdade! Muitas quadrinistas estão com mais espaço para mostrar o seu talento com os quadrinhos…

Sim, elas são muito bem-vindas! Estava faltando. É o caso de se pensar o porquê das meninas terem demorado tanto.

O CHAPLIN: Talvez seria um pouco de preconceito?

É… Basicamente é um Clube do Bolinha. Porque é um monte de menino fazendo gibi para um monte de menino. Quando você vê um monte de meninas fazendo quadrinho, começam outros tipos de produção. Então, vai aparecer estilos e propostas das mais diversas.

O CHAPLIN: Em João Pessoa, graças ao curso de Comunicação em Mídias Digitais, a produção de quadrinhos fervilhou bastante, isto foi uma coisa ótima. Que motivo levou este crescimento?

Graças ao aluno do professor Henrique Magalhães, que possui uma editora chamada “Máquina da Fantasia”, que tem um catálogo incrível e já me publicaram. Além disso, também tem pequenas editoras descentralizadas e ajudando a publicar diversas produções.

O CHAPLIN: Mudando de assunto e para finalizar, você é conhecido pelos autógrafos quase obra de arte, quando surgiu este carinho com o público?

Não sei se é uma forma de “seduzir” o meu público, mas para mim é difícil abrir um livro e dar apenas uma “canetada” e escrever meu nome. Vejo um pedaço branco de papel, eu quero desenhar. É bom para mim. Às vezes é cansativo, mas não consigo pensar de outra maneira.