'Star Trek - Sem Fronteiras': Justin Lin substitui J.J. Abrams à altura
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Após revitalizar Star Trek nos cinemas, o competente diretor J.J. Abrams pulou fora do barco (ou melhor, da nave) para assumir o retorno de Star Wars às telonas. Com isso, a USS Enterprise “passou a ser comandada” por Justin Lin, responsável pela franquia Velozes e Furiosos desde o terceiro filme. A escolha sugere bem o que os produtores pretendiam e a aposta foi muito adequada.

Em Star Trek – Sem Fronteiras, a equipe liderada por Kirk (Chris Pine) segue em missão de resgate quando sofre uma terrível emboscada. Espalhados num planeta desconhecido, o capitão, Spock (Zachary Quinto), “Bones” McCoy (Karl Urban) e Montgomery ‘”Scotty” (Simon Pegg) precisam se reestruturar para salvar parte da tripulação que está sob o domínio de Krall (Idris Elba), responsável pela ataque.

Com a saída de Abrams e com os personagens devidamente apresentados, a série cinematográfica poderia se dedicar às missões da Enterprise pela fronteira final. Nesse ponto, a experiência de Lin era suficiente para que a nova aventura fosse dinâmica e repleta de ação. Sua direção é segura e certeira, principalmente ao contar com a fotografia de Stephen F. Windon, que arranca bons enquadramentos, como quando coloca sua câmera no lado externo da nave.

Apesar de extremamente simples, o roteiro assinado por Simon Pegg e Doug Jung (com participações não creditadas de Roberto Orci, Patrick McKay e John D. Payne) é ágil e eficiente. O texto deixa possibilidades para que a ação ocorra sempre bem argumentada e acerta ao explorar os conflitos internos dos dois protagonistas. Spock e Kirk nutrem a mesma vontade de largar a Frota Estelar, o primeiro para se dedicar à sua espécie em extinção e o segundo para procurar sentido no que faz. Essa escolha narrativa favorece bastante as atuações de Pine e Quinto, que dão mais profundidade e demonstram maturidade. Se o segundo mantém o bom trabalho, o primeiro evolui ao deixar o jeitão bad boy de lado. Em seu questionamento, o capitão afirma ter entrado na Frota por causa de uma aposta, diferente de seu pai, que o fez por vocação. É essa falta de norte que Pine demonstra através da apatia inicial e que o provoca a tentar algo novo.

E se o roteiro investe no dilema pessoal, encontra em Krall a sua representação física. O vilão interpretado por Elba não é muito original, mas funciona como contraponto já que a certeza de quem é impulsiona seu plano. Assim, seu conflito com Kirk no terceiro ato também tem peso metafórico.

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O vilão Krall

O visual da produção é irretocável. A direção de arte conta com maquiagens excelentes, criando personalidades inseridas no contexto da obra. Aliada aos efeitos especiais, concebe locações deslumbrantes, como a conceitual base estelar Yorktown, apresentada num imponente travelling passeando pela “construção”. Michael Giacchino entrega mais uma eficiente trilha sonora que também utiliza clássicos como Sabotage, dos Beastie Boys.

Star Trek – Sem Fronteiras dá continuidade ao trabalho feito pela parceria Paramount/Skydance, seguindo o caminho iniciado em 2009 sem abrir mão do material idolatrado pelos fãs durante cinco décadas. A nova aventura conta com bom humor, ritmo e muita ação, além de uma bela homenagem ao eterno Leonard Nimoy, falecido em 2015. Merece ser visto no cinema!

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