Star Wars na literatura – Trilogia Thrawn

A saga Star Wars sem sombra de dúvidas é uma das mais famosas e também rentáveis franquias do cinema. Criada por George Lucas, o primeiro filme, Star Wars, foi lançado originalmente pela 20th Century Fox em 25 de maio de 1977, o longa tonou-se um fenômeno mundial e originou mais duas produções: “Star Wars V: O Império Contra-Ataca (1980) e “Star Wars VI: O Retorno de Jedi” (1983).

A série expandiu-se e dezessete anos mais tarde, com mais recursos tecnológicos, três novos filmes foram feitos: “Star Wars I: A Ameaça Fantasma” (1999); “Star Wars II: Ataque dos Clones” (2002) e “Star Wars III: A Vingança dos Sith” (2005). A legião de fãs não se contentava em apenas assistir aos filmes, era preciso ter um artigo da franquia. Foi preciso criar um Universo Expandido: livros, histórias em quadrinhos, jogos de videogame, filmes, séries de televisão, brinquedos e outras mídias que narram histórias fictícias reconhecidas, mas não mostradas nos seis filmes. Sobre a literatura, e mais especificamente à Trilogia Thrawn que vamos nos ater neste artigo.

Após “O Retorno de Jedi”, o gostinho por novas histórias de Leia Organa, Luke Skywalker e Han Solo ficou no ar, apesar dos três filmes do início dos anos dois mil; que, embora ótimos, são centrados na origem de Darth Vader; a vontade de se prosseguir para frente com a trama dos irmãos ficou no ar. Esperto e sempre ligado na alta qualidade da sua obra, George Lucas aceitou a ideia de desenvolver livros, uma seleção de escritores de ficção científica foi feita e o vencedor foi Timothy Zahn.

Com lançamento previsto para 17 de dezembro (no Brasil) pela Walt Disney Company, que adquiriu a produtora da série, Lucasfilm, pela bagatela de U$ 4,05 bilhões, o novo filme da franquia, “Star War VII: O despertar da Força” tem J.J. Abrams na direção. Os episódios VIII e IX já foram confirmados.

Pensando em saciar a curiosidade dos fãs, a Editora Aleph relançou a famosa Trilogia Thrawn (originalmente lançada em 1991 pela Bantam Spectra), escrita por  Timothy Zahn. O arco da história tem três obras: Herdeiro do Império, Ascensão da Força Sombria e o terceiro e derradeiro livro da trilogia, O Último Comando. O Universo Expandido do Star Wars rende tanto que, além da trilogia, outros autores deram vazão à história de personagens importantes, como: “Kenobi”.

Atenção: contém spoilers

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Herdeiro do Império

A trama começa cinco anos após a derrota do Imperador e da destruição da segunda Estrela da Morte. Porém, ao contrário do que se imaginava, os eventos não significaram o fim da guerra. O Império, extremamente enfraquecido, conta com efetivo reduzido e com jovens oficiais inexperientes, que ainda representam uma ameaça à paz e à liberdade na galáxia. A Rebelião que havia fundado uma Nova República, com sede no planeta Coruscant, enfrenta vários problemas para se estabelecer.

Luke Skywalker alcança seu amadurecimento como Jedi com apoio do espírito do mestre Obi-Wan Kenobi. Han Solo e Leia, como era de se esperar, se casaram, e estão contentes com a chegada dos filhos. Apesar de estar grávida de gêmeos, Leia segue um treinamento Jedi com seu irmão, Luke. Nenhum deles tinham consciência do que estavam por enfrentar: o grão-almirante Thrawn. Último grande Almirante, mentor de muitas das ações do Império ao longo dos anos, único não humano a receber o título de imperador, Thrawn é um gênio no que diz respeito à estratégia militar, capaz de analisar psicologicamente seu inimigo e antever suas ações.

Entre pequenos e grandes conflitos intergaláticos, perseguições espaciais, a Força corre risco! Um autoproclamado mestre Jedi, Joorus C’baoth, que não passa de um clone com ideias doentias, se alia a Thrawn. O Jedi pouco ortodoxo, por assim dizer, passa a liderar as tropas imperiais e este vilão em particular é uma ameaça à Força. Ressalto dois novos personagens que entram para incrementar a história: Talon Karrde e Mara Jade.

Talon Karrde é líder de uma grande organização de contrabandistas, acredito que seja a maior desde a derrocada de Jabba. Seu perfil se assemelha ao de Han Solo, antes de se envolver com Luke e Leia, um fora da lei cheio de recursos e inescrupuloso. Mara Jade é uma ex-agente secreta de Palpatine, designada para cumprir com todos os trabalhos sujos: dando cabo a inimigos e vingando traições. Mais conhecida como a “Mão do Imperador”, Jade perdeu o sentido da sua vida com a morte de seu mestre e vagou por anos até integrar a organização de Talon. Está é sem dúvidas a minha vilã favorita da trama, sua sede de vingança e absurda vontade de matar Luke são táteis. Zahn sabe como instigar nosso interesse por uma personagem e no caso de Mara, não é à toa, marquem bem esse nome: Mara Jade!

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Ascensão da Força Sombria

Após sermos apresentados aos personagens e à problemática da trama, o segundo volume da trilogia, “Ascensão da Força Sombria” prossegue com a luta de Luke, Han Solo e Leia em defesa da Nova República. Novamente os três têm de lidar com as tropas imperiais lideradas por Thrawn. A corrida armamentista e seus resultados definem o segundo livro. E uma frota de naves em particular está em jogo.

A Frota Katana, composta por duzentas naves clônicas estava perdida há cinquenta anos e acidentalmente foi localizada por Talon Karrde. O contrabandista é capturado por forças inimigas e o Império se adianta na corrida. Não sendo bastante, Trawn consegue localizar um antigo aparato do Imperador que, posso adiantar apenas a você leitor, pode fazer uma imensa diferença no desenrolar da história.

Leia, que carrega consigo o futuro dos Jedis, vai até à Honoghr a procura de novos aliados para combater Thrawn. A conspiração  de traição no Novo Império prossegue. Os encarregados de desvendar a questão são: Han Solo, ao lado do seu fiel escudeiro Chewbacca e Lando Calrissian. Aliás, sempre que Chewie aparece no livro eu tenho a sensação de ouvir seus grunidos, bem como os demais personagens. O trabalho atento de Timothy Zahn na construção do seu mundo é extremamente cuidadoso. Embora a imagem que eu tenha dos personagens seja a dos filmes, o que o autor mantém em sua obra, os vilões e as novas paisagens e planetas que as naves percorrem são ricos em detalhes.

A esta altura da história, o Império tem a faca e o queijo na mão para arrasar definitivamente a Nova República. Mara Jade reluta, reluta e reluta, mas não vê outra solução senão pedir ajuda ao desafeto declarado, Luke Skywalker, para salvar Talon Karrde. Não vou me aprofundar nesta trama paralela em questão, mas digo que é um dos eventos mais interessantes do livro e me remeteu ao filme “O Retorno de Jedi”. Timothy Zahn consegue algo que só encontrei nas grandes obras literárias de aventura e ficção: entrelaçar diversas tramas secundárias sem que nenhum ponto se perca.

Timothy Zahn

Algo bem bacana que a Editora Aleph fez na edição brasileira de “Herdeiros do Império” foi a introdução escrita por Timothy Zahn. O autor explica como se envolveu com a saga Star Wars, relata seus medos e receios de fã da saga de tocar na história que para ele, assim como para tantos fãs, é sagrada.

Vencedor do Hugo Award por seu romance “Cascade Point”, e autor de duas séries, “Cobra” e “Blackcollar”; livros de ficção centrados no militarismo, análises socioculturais e estratégias de combate, Zahn desenvolveu, sob os cuidados e revisão de George Lucas, a Trilogia Thrawn e se tornou, ao meu ver, o melhor autor do Universo Expandido Star Wars.

Aguardo ansiosamente o lançamento de O Último Comando, livro que finaliza a trilogia. Embora J.J. Abrams e Lawrence Kasdan, roteiristas das próximas aventuras cinematográficas Star Wars VII ao IX, já tenham declarado que os novos filmes têm roteiros originais, sei bem que eles leram a obra de Zahn e torço para que coloquem elementos das histórias dentro dos filmes.