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Dominic, Cam, Julien, Kevin e Jay | Foto: Antonio Laudenir

Executando o que eles definem como “rock psicodélico, melódico e com groove hipnótico”, a banda australiana Tame Impala aportou em solo carioca para sua segunda, e última apresentação no Brasil. O dia chuvoso e frio ganhou a quinta-feira fluminense e isso não impediu que 2 mil pessoas comparecessem ao Circo Voador, histórica casa de shows no bairro da Lapa.

Destaque no atual cenário musical, o Tame Impala recria com competência uma sonoridade perdida no final dos anos 1960. Para entender a maçaroca de ruídos, melodias, texturas e climas proporcionados pelo grupo, podemos atribuir a influência de grupos como The Nazz, Cream, Jimi Hendrix Experience e até o mais óbvio, Beatles e Pink Floyd.

Aos 13 anos de idade, Kevin Parker e seu amigo Dominic Simper formam o embrião do grupo na cidade de Perth, Austrália. Estamos em 1999 e oito anos depois a dupla deixa de lado as gravações caseiras quando Jay Watson se junta a eles. Hoje, a banda conta com a seguinte formação: Kevin (guitarra e vocais), Dominic (guitarra e teclado/sintetizador), Cam Avery (baixo), Jay (teclado/sintetizador e vocais de apoio) e Julien Barbagallo (bateria e vocais de apoio).

Como uma pá de bandas que circulam por aí, o Tame despertou a atenção do público através do My Space. A rede social disparou o que seria aquela banda de garagem adolescente para o cobiçado posto de um artista disputado entre gravadoras. Pela Modular Records eles lançaram, além de uma série de singles e Eps, os álbuns “Innerspeaker” (2010) e “Lonerism”, eleito o melhor de 2012 por várias publicações, entre elas as revistas “Rolling Stone” americana e a “New Musical Express” britânica.

Saraivada lisérgica

Simpático, o descalço Kevin saudou os presentes e agradeceu por estar de volta ao Rio. Com as hipnóticas imagens no telão ao fundo do palco, a viagem do Tame Impala começa com “Endors Toi” e a partir de então ninguém conseguiu mais ficar parado no Circo Voador. Na sequência, os australianos soltaram “Solitude is a Bliss”, “Alter Ego” e “It’s Not Mean to Be”.

Com repertório bem organizado, o show mesclou muito bem todo o material lançado pelos caras. E isto confere uma prazerosa sensação de se estar ouvindo pequenos clássicos. O som do circo estava impecável, e isso contribui demais para entender as explosões e camadas de sons que o grupo emite. O que se podia ouvir dos comentários entre as testemunhas da lisérgica apresentação era de que o Tame estava mais maduro, coeso e até mais pesado do que em apresentações anteriores no Brasil.

Tame Impala

Camisa brasileira de muitas cores | Foto: Antonio Laudenir

Vestidos com a camisa da seleção brasileira, os cabeludos de Perth fizeram o bis com “Feels Like We Only Go Backwards”, uma de suas canções mais conhecidas e encerraram a noite do Rio com “Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control”. Com aquele jeitão de “irmão meio doidão que toca guitarra”, Kevin abraçou a plateia e acabou perdendo seu estimado echarpe. O Rio de Janeiro recebia uma nova brisa, sendo mais exato, ondas de mares distantes e australianos.

Com o fim do show, o público percebeu que psicodelia, simplicidade e canções que grudam na mente podem estar juntas em um mesmo chá. Ao Tame Impala, desejamos vida longa e outros discos de sucesso, ou seja, que a onda não bata na areia tão cedo.

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