A morte é um dos recursos mais utilizados desde sempre no cinema. De forma natural, por acidente, assassinato, suicídio, explosão, execução, guerra, doença, zumbis, etc, etc . O fato é que “o caminho sem volta”, “o fim de tudo” – ou qualquer outro eufemismo que se queira usar – é utilizado frequentemente na construção das narrativas. Nem sempre bem, é verdade, mas muitas das vezes são o ponto alto de uma obra ou tem grande peso no enredo, principalmente em filmes de terror. Só pra citar um caso: aquela série, daquele autor, que não tem pena nem da mãe na hora de mandar uma alma pro além…

Eis que alguém teve a brilhante ideia de lançar um longa-metragem que na verdade é uma autêntica antologia da morte. surgido diretamente de um pesadelo de Ant Timpson, o projeto The ABCs of Death (2012) compila 26 curtas-metragens que têm um elemento em comum: a morte.

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Para a tarefa, 26 diretores de 15 países diferentes dirigiram e criaram, cada qual, um dos segmentos; estes procedem de acordo com a ordem alfabética, sendo o primeiro “A is for Apocalypse” (Nacho Vigalondo, de Cronocrímenes) e o último “Z is for Zetsumetsu” (Yoshiro Nishimura). Dentre outros realizadores temos Srđan Spasojević (A Serbian Film), Ernesto Diaz Espinoza (Mirageman), Lee Hardcastle, Xavier Gens (Hitman), dentre outros.

Nunca os filmes de morte foram tão criativos e heterogêneos. A cada segmento, um universo totalmente diferente do anterior é apresentado em conceito, roteiro e estética. As histórias tem basicamente uma tríade a seguir até seu desfecho: violência, terror e/ou comédia. Daí pode-se tirar diversos subgêneros, terror sobrenatural, psicológico, humor negro, fantasia, ultraviolência, ficção científica… Todos – que se frise bem – carregados de sangue e perturbatórios, de uma forma ou de outra.

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A is for Apocalypse

Alguns dos melhores são, o primoroso, “D is for Dogfight”, dirigido por Marcel Sarmiento, onde um homem briga ferozmente com um cachorro em uma rinha. É violento, sangrento e fantasticamente bem construído; outro que chama a atenção é o doentio “L is for Libido”, de Timo Tjahjanto, onde um homem é posto em uma competição de masturbação com outros, e o que perde é literalmente empalado por uma máquina; Mais um que vale registrar é “X is for XXL”, de Xavier Gens, que trata de como a sociedade dita as regras estéticas, levando uma mulher gorda até às últimas consequências para ter o corpo desejado. Obviamente, não dá pra falar de um por um, vocês terão que ver para crer.

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D is for Dogfight

Mérito para Timpson que conseguiu reunir uma seleção (com o perdão do  trocadilho) de grandes realizadores. Cineastas que vêm despontando com seus filmes, com boas histórias, estéticas e narrativas muito próprias, que fogem do que se vê na área nos últimos anos. E melhor ainda, saber que o volume dois está sendo preparado para ainda este ano.

Se gosta de ver morte no cinema, e quer conhecer o trabalho de grandes realizadores, essa enciclopédia é obrigatória. São mais de duas dúzias de formas de morrer. Uma overdose!

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L is for Libido

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