Trumbo é uma grata surpresa que merece ser vista
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Trumbo conta a história real do roteirista Dalton Trumbo. Se você não sabe quem ele é, aqui vão algumas credenciais: indicado a 3 Oscars, vencedor de 2 e mais conhecido por ter roteirizado Spartacus, dirigido por Kubrick e estralado por Kirk Douglas. Até aí tudo bem, os números não são tão expressivos assim, mas como eles vieram é o que torna a história deste personagem digna de ser contada.

Dalton Trumbo se filiou ao partido comunista, quando União Soviética e Estados Unidos ainda eram aliados e mesmo após o início da Guerra Fria entre os dois países manteve seus ideias abertamente, mesmo após ser denunciado por colegas da indústria e chamado para depor no senado sobre suas atividades “antiamericanas”.

Guiado por sua consciência e  certo de que estava aparado pela lei, o roteirista nunca retrocede e termina por ser preso (por quase 1 ano) e incluído na lista negra de Hollywood, o que o impedia de ser contratado pelos estúdios, que seriam vistos como conspiradores e pro-comunistas. Mas Trumbo, criativo como em seus trabalhos, soube se reinventar. Passou a escrever roteiros sob pseudônimos para pequenos estúdios, sem ser creditado, mas sendo pago.

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Dirigido por Jay Roach (Austin Powers em o Homem do Membro de Ouro), o filme toca em um tema delicado, especialmente para os americanos. É importante lembrar que essa lista negra não se restringiu apenas a Hollywood, pessoas das mais diversas indústrias e classes sociais foram vítimas desse instrumento anticonstitucional. O filme conta o drama de Dalton sem ser piegas, por muitas vezes beirando o gênero da dark comedy.

A fotografia me agradou bastante, claramente filmado digitalmente, Trumbo entrega uma imagem cristalina (sem adição de ruídos para simular película na pós-produção), mas que casada com uma direção de arte competente nos dá a sensação de época. Se o digital é mesmo o inevitável futuro, eu gostaria de ver mais fotografias como essa.

Mas o destaque do filme vai para o indicado ao Oscar Bryan Cranston. Ele entrega uma atuação audaz e cheia de nuances, que retrata um personagem real igualmente intrigante. Em seu primeiro papel de protagonista em um grande filme, Cranston parece mostrar que tem gás (e talento) para se tornar um dos grandes nos próximos anos. Não tivessem Leonardo DiCaprio e Michael Fassbender entregue atuações tão brilhantes esse ano, seu nome estaria sendo mais falado e ele teria uma real chance nas premiações.

Trumbo é um filme agradabilíssimo. Discreto, mas impossível de ser ignorado. Uma aula de história sobre Hollywood, que conta como um um homem soube triunfar quando parecia impossível, sendo o roteirista de sua própria vida.

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