Nas últimas semanas fui ao cinema várias vezes para assistir a vários blockbusters. Confesso que não me empolguei com quase nenhum, mas sobre um em especial posso falar com mais propriedade. “Truque de Mestre” conta com um elenco de respeito: Woody Harrelson, Morgan Freeman, Jesse Eisenberg, Melanie Laurente e Mark Ruffalo, só pra citar alguns. Mas o que faltou talvez foi direção competente e um roteiro mais coeso.

Isla Fisher, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson e Dave Franco são os mágicos que formam os Quatro Cavaleiros

Louis Leterrier, que assinou a direção do filme, talvez não tenha sido muito feliz neste projeto. A ideia é até boa, com um início promissor, que prende bem a atenção do espectador para um grande truque que está por vir, pena que a promessa é falsa. No meio do filme, nos deparamos com um caso de “Robin Hood moderno”, com uma perseguição de carros, ao melhor estilo filme de ação e chegamos a um final que deixa a desejar.

Quatro mágicos são escolhidos para participar de um mega projeto, são eles: J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), arrogante e jovem especialista em truques com cartas; Merritt McKinney (Woody Harrelson), o mais velho do grupo, teve seus tempos de glória e atua como “mentalista” que hipnotiza as pessoas e tira vantagem dos segredos que consegue revelar; Jack Wilder (Dave Franco), o mais fraco dentre os quatro, é um batedor de carteiras; e Henley Reeves (Isla Fisher), antiga assistente de Atlas que agora tem seu próprio show, livrando-se de correntes em um tanque. Os quatro cavaleiros são escolhidos por uma figura que só será revelada ao final do filme, por meio de cartas de tarô.

Os quatro escolhidos vão até o local marcado em suas cartas e lá se deparam com um elaborado plano a ser seguido.

Os quatro cavaleiros não têm muita química em cena. Jesse Eisenberg faz o garoto egocêntrico e arrogante que muito me lembra seu Mark Zuckerberg em “A Rede Social”, sua atuação é normal. Isla Fisher poderia nunca ter saído de “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”. Dave Franco é o irmão mais novo de James Franco e até agora continua sendo só isso pra mim, porque nesse filme não disse para que veio. Quem se sai melhor dentre eles é o veterano Woody Harrelson, com suas tiradas divertidas.

O primeiro ato dos Quatro Cavaleiros é digno de apresentações dos mais badalados e prestigiados mágicos do mundo, em Las Vegas com direito a toda parafernália técnica. O patrocinador dos mágicos é um riquíssimo empresário, Arthur Tressler, interpretado pelo sempre elegante Michael Caine. O truque consistia em roubar um banco, não qualquer banco, um banco francês, a partir daí passam a ser investigados pelo detetive Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) e a agente da Interpol Alma Vargas (Mélanie Laurent) em atuações pouco envolventes de ambos.

Os veteranos, Morgan Freeman e Michael Caine emprestam seu talento ao filme.

O que seria um grande truque em princípio ganha nova forma quando percebemos que o grupo age em prol de um bem maior, dando um tom um tanto quanto “Robinhoodiano” à história, mas que pouco convence. Os truques dos Quatro Cavaleiros são revelados pelo “Mister M” da vez, Thaddeus Bradley (Morgan Freeman) que ganha mais dinheiro revelando truques dos mágicos do que sendo um mágico em si. Bradley é procurado pelo FBI para ajudar na operação, mas sua arrogância não permite que ele coopere muito.

Agente Rhodes (Mark Ruffalo), Agente Varas (Mélanie Laurent) sempre no rastro dos quatro mágicos.

 O FBI passa a caçar os quatro mágicos em seus atos, que ao total são três, com direito a perseguição de carro, explosões e cenas de luta que lembram “Adrenalina” com Jason Statham, e que nada tem muito a ver com a proposta do filme. Por fim, temos um desfecho que culmina em um final sem muita criatividade. Falha do roteiro, falha do diretor? Acredito que de ambos, mas Truque de Mestre definitivamente não chega nem perto dos ótimos filmes sobre mágica, está há anos luz de “O Grande Truque” (2006) e “O Ilusionista” (2006). Mesmo com o ótimo elenco que poderia ter rendido bem mais, não fosse os erros de direção e problemáticas do enredo, “Truque de Mestre” é um filme que se perdeu em meio às megalomanias de fazer um grande espetáculo.

2 Responses

  1. Avatar
    Professor Sidney Ruocco

    Não pode-se perdoar falhas grosseiras roteiro em filmes que se metem a dar uma reviravolta no final. Soa com engodo para o público. Se quer ter final surpreendente, o roteiro tem que ser coerente. Esse foi péssimo, cheio de incoerências.

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