Meu Malvado Favorito 2: continuação encanta e mantém qualidade do primeiro filme

Meu Malvado Favorito (Pierre Coffin e Chris Renaud, 2010), animação realizada pela Illumination Entertainment, fez muito sucesso no ano em que foi lançada tanto entre as crianças quanto entre os mais velhos. Penso que os motivos disso tenham sido, primeiro: o roteiro, que por si só já é muito encantador; os personagens: divertidos e igualmente fofos; e a pegada de comédia infantil, mas não tola, tanto que cativa também gente grande. Mesmo com tudo isso, Meu Malvado Favorito, o primeiro, peca ainda quando apresenta um protagonista (o vilão, Gru) sem muito senso de humor, até mesmo apático, e também pelo ritmo do filme, que se torna, em alguns momentos, lento demais para um filme infantil. Em Meu Malvado Favorito 2 (Pierre Coffin e Chris Renaud, 2013), os pontos fortes se mantêm e os fracos são melhorados. Encontramos uma animação muito mais dinâmica, divertida e engraçada, e um protagonista mais sensível e simpático ao público.

Gru e Margot, a mais velha das suas filhas adotivas

Gru, o ex-vilão de sotaque engraçado, agora é legítimo pai de família. Seus companheiros fieis, o Dr. Nefário e os Minions, não mais o ajudam no mundo do crime, mas a produzir geleias e gelatinas para o sustento da família. Gru dedica-se em tempo quase integral a cuidar de Margot, Edith e Agnes, suas filhas, mas logo percebe que não consegue ficar longe do mundo do crime. Se não pode praticá-lo, tentará combatê-lo. Para isso, ele se une à Liga Anti-Vilões, na companhia da agente Lucy Wilde, para barrar um plano extravagante e bastante perigoso de um grande malfeitor. Paralelo a isso, Gru tem que lidar com os conflitos das filhas, como a vontade de Agnes de ter uma mãe, e a primeira paixão de Margot, além de seus próprios problemas emocionais, através dos sentimentos que ele desenvolve por sua companheira de campo, a exuberante e divertida Lucy.

Gru e sua companheira de campo, a agente Lucy

Meu Malvado Favorito 2 é um filme sensível e bastante inteligente por conseguir tratar tantas temáticas e valores de forma simples e acessível, e com muito bom humor. Trata-se de uma animação sobre comportamento, caráter, mudança, aceitação, amor, amizade e família. Atire a primeira pedra quem não se emociona com a dedicação de Gru às suas garotas, ou com o amor de Agnes por seu “pai”, um homem moralmente condenado pela sociedade e que mudou quando se viu na responsabilidade de cuidar de crianças, as quais aprendeu a amar. Nesse filme conhecemos também um Gru inseguro, que esconde fraquezas e um passado por trás da máscara de malvado.

Os Minions continuam sendo um dos principais e mais divertidos atrativos do filme

Tecnicamente falando, o segundo filme da franquia me surpreendeu bastante. Não esperava divertir-me tanto, mas o humor dos roteiristas (Cinco Paulo e Ken Daurio, os mesmos do primeiro filme) estava mais aguçado ainda que em “Meu Malvado Favorito”, provocando diálogos e situações divertidas, que dinamizaram muito mais a produção. A trilha sonora também é um aspecto a se atentar. Algumas músicas, em determinadas situações, são responsáveis por grande parte das gargalhadas, como por exemplo, a versão  romântica dos Minions de “I Swear”, conhecida no Brasil como “Eu Juro”, de Leandro e Leonardo. Quando, logo após isso, inicia-se uma versão divertidíssima de “YMCA”, se torna quase impossível não sentir uma dormência na mandíbula.

Gru e Lucy na loja de doces que utilizam como disfarce

Sou suspeita a falar de animações, tenho um enorme apreço pelo gênero e quase sempre gosto das que assisto, mas posso dizer que Meu Malvado Favorito 2 ocupa um lugar generoso no ranking da safra mais recente de filmes produzidos por estúdios de animação. Um excelente programa para qualquer momento, com qualquer companhia. Crianças certamente vão gostar. Adultos bem humorados, ainda mais.