No finalzinho de dezembro, foi liberado na internet o videoclipe da música ”Beijinho no ombro”, da funkeira, bailarina e dançarina brasileira Valesca dos Santos, a diva das multidões, que assina como Valesca Popozuda.
Só fui conferir o videoclipe na segunda semana de janeiro – infelizmente! – e, confesso, quando apertei o play, fiquei com medo. Uma mistura de Lana del Rey com Lady Gaga, sei lá, uma loucura. Dançarinas com capas pretas e maquiagens à la os feiticeiros de Merlin, da BBC, e um tigre mais que adepto a rosnados. Mas, quando a música começou, o ritmo, o mexe-mexe da coisa toda, o som que embala, que diverte, as palavras ditas com certeza e precisão, eu comecei a gostar.
Se a gente parar pra pensar, pensar bem, é uma letra e tanto. Não importa a forma que é dita, o idioma, nada, a música trata de uma auto-afirmação “fuderosa” de boa, linda de se ver, como todo mundo merece ter. Auto-confiança. Auto-estima. Tem que ter, Brasil, tem que ter!
”Late mais alto que daqui eu não te escuto”
Gostei da música, do ritmo, da letra, das frases que foram soltas em ritmo diferente no meio da música (por exemplo: Rala, sua mandada!) e, além de tudo, Valesca usa termos atuais, o que, pra mim, é massa: Keep Calm e deixa de recalque.
Vai-e-vem, entre os comentários mais frequentes sobre o videoclipe, existe um que é impossível de NÃO ser percebido: a relação crédito/conteúdo/tempo. Minha nossa senhora dos videoclipes, o que foi isso?! O vídeo, propriamente dito, só começa em 1:00 e já acaba em 4:14, enquanto o tempo total é de quase 7 minutos e meio. Mas, vamos lá, os editores e maquiadores e figurinistas e o povo todo merecem os créditos. Eles trabalharam duríssimo pra fazer esse coque gigante e essa blusa (?) maior ainda na Valexca.
O clipe tem bem menos de um mês e já com quase 3 milhões de visualizações no Youtube! U-hu!
Outra coisa que eu PRECISO dizer é o seguinte: Valesca canta funk, com seus termos e suas danças e tudo mais de lindo, sem vergonha nenhuma. Anitta, a nova queridinha da Globo, começou com funk e agora fica sofrendo pra cantar fininho um pop nos programas aonde vai se apresentar. Djabé isso, vamos nos assumir! Ponto pra Valexca, hein!
E, pra quem ainda tiver preconceito, em pleno fim-del-mundo, deixo uma das coisas mais verdadeiras que já foram escritas: ”É som de preto/ De favelado/ Mas quando toca ninguém fica parado”.
Poeta, estudante de Multimídia, formada no curso FIC de Roteiro e Narrativa Cinematográfica pelo IFRN, apaixonada por História da Arte e fotografia.