Em cartaz nas salas de cinema de Natal desde o dia 26 de julho, o segundo filme solo de um dos mais queridos personagens da Marvel agrada, surpreende e traz um Hugh Jackman mais versátil. Wolverine – Imortal veio para espantar toda e qualquer má impressão que “X-Men Origens: Wolverine” (2009) possa ter deixado nos fãs de cinema e HQ. Pela sexta vez usando as garras de adamantium (metal que compõe o esqueleto do personagem), Jackman, por fim, explora melhor seu papel, o roteiro desta vez o permite não só ser o mutante durão, como também mostrar fragilidade e sensibilidade, sem perder a ação do filme.

Entre o imortal e o humano, Wolverine tem seus momentos de fragilidade e sua vida posta em xeque.

O filme do diretor James Mangold é baseado nas histórias em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller, nas quais Logan viaja ao Japão para recuperar o amor da bela Mariko Yashida. O novo longa é bem-sucedido em estabelecer a relação romântica entre os dois. Ainda atormentado pela morte de sua amada Jean Grey (Famke Janssen), Wolverine/Logan, que saiu do grupo de Mutantes do Professor Xavier, vive isolado nas montanhas canadenses, amargurado com a vida. Numa desavença em um bar local, uma jovem japonesa, Yukio (Rila Fukushima) aparece e o livra de uma confusão, e logo em seguida o convida para ir ao Japão a pedido do chefe, Yashida (Hal Yamanouchi).

Velho magnata das tecnologias japonesas, Yashida está à beira da morte e convida o homem que salvou sua vida, Wolverine, para agradecer em seu leito de morte. No entanto, os planos de Wolverine mudam ao chegar lá. O que seria apenas um dia em Tóquio se encadeia em uma série de eventos de perseguição da máfia japonesa, Yakuza e samurais, que põem a imortalidade do protagonista em xeque. Como todo bom filme de super-herói, “Wolverine – Imortal” traz ótimas sequências de ação, mas o que mais me chamou atenção foi justamente os momentos de sensibilidade do filme entre Logan (Hugh Jackman) e Mariko (Tao Okamoto). As locações são outro fator positivo da película, tanto no início do filme, que se passa na Segunda Guerra Mundial, quanto na ambientação das ruas da metrópole japonesa. Um dado curioso: o respeito pela tradição japonesa é tamanho que todos os personagens japoneses falam entre si o seu idioma original.

Marioko e Logan fazem do filme mais sensível e palatável para todos gêneros e idades.

Na HQ, “Eu, Wolverine”, Logan luta por amor, por controle, mas, sobretudo por sua humanidade. O herói enfrenta o repúdio do pai da moça devido à sua fúria, algo central na história do mutante. O Japão é a locação perfeita para tratar dessas temáticas, por ser um país da honra, educação e tradições. No entanto, nas telonas, os X-Men, inclusive Wolverine, fogem bastante em relação a suas origens, o mote da película é a “imortalidade” e o poder de regeneração do personagem.

Aos antenados em filmes de quadrinhos, após os créditos, sempre tem aquela cena extra que “linka” com algum outro filme da Marvel, no caso de Wolverine – Imortal, para os delírio dos fãs do X-Men, a deixa trás aparições do sempre excelente Ian McKellen, que larga o cajado e as roupas da Terra Média para viver Magneto, e do sereno Professor Charles Xavier (Patrick Stewart), no que seria a premissa de “X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido” previsto para entrar em cartaz ano que vem. Em seu elenco estarão os personagens dos três primeiros filmes da franquia e também personagens do “X-Men: Primeira Classe” (2011).

Uma das melhores cenas de ação do filme, Wolverine luta no trem bala.

Embora os xiitas do HQ frequentemente reclamem das desfigurações e falta de continuidade cometidas pelos produtores da Fox sobre a obra original, eu confesso que a título de cinema, “Wolverine – Imortal” me agradou, ainda que não seja um grande filme, é até agora o que melhor explorou o personagem do Wolverine. Há tempo para se perceber as emoções do Logan, seus conflitos, sentimental e humano, afinal a faceta enraivecida e furiosa já nos foi mostrada ao longo de todos os filmes da franquia. Há ação, há romance, há espaço para apresentar os personagens e compreender as temáticas abordadas, minhas ressalvas são com relação às transições abruptas entre momentos de ternura do Logan e pancadaria, mas de modo geral é um filme que agrada muitíssimo tanto aos fãs dos X-Men quanto aos leigos no assunto.

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