007 contra o satânico Dr. No é o  primeiro de uma série de 23 filmes sobre o detetive com licença para matar. Nesta trama, James Bond (Sean Connery) é contratado para investigar o desaparecimento de um membro da  força inteligente britânica, porém as pistas deixadas pelo desaparecimento do último acaba levando 007 à Jamaica, onde descobre não apenas o criminoso por trás de todas as buscas, mas também seu esconderijo e planos, que são bem piores que fazer alguém desaparecer.

O filme foi lançando em maio de 1963, no Reino Unido, e seu diretor foi Terence Young. Um fato marcante da história desse longa é que, ao chegar às telonas italianas, o filme ganhou a atenção da Igreja, fazendo com que o Vaticano lançasse uma nota oficial desaprovando o conceito de moral abordado, uma vez que mostrava James Bond em relacionamentos casuais com várias mulheres (que estavam longe de ser a dona de casa tão idealizada na época) e, pode-se dizer, causando mortes a sangue frio, além de outras estripulias.

Um dos cartazes de lançamento do filme

É inegável que a série tenta se superar a cada filme e que o primeiro pode não ser considerado o melhor no ano em que vivemos, mas este supera muitos longas da atualidade nem que seja por saudosismo. Os atores atuam de uma maneira menos natural, como pode ser visto na posição do corpo quando as armas são empunhadas, nos rostos com uma expressão definida e constante, fazendo com que as reações emocionais fiquem exageradas e caricatas. Mesmo com essas características na atuação da época, Sean Connery conseguiu pôr um charme a 007 que ninguém foi capaz de imitar, sendo, na minha opinião, um dos mais elegantes e charmosos James Bond.

Joseph Wiseman também marca o longa com sua atuação, pois ao interpretar o vilão Dr. Julius No, ele usou da pouca expressividade comum na época para fazer com que essa fosse uma marca registrada do comportamento de seu personagem, que parecia o tempo todo esconder sua loucura por baixo de um semblante calmo e inexpressivo. Essa falsa calmaria consegue incomodar e até mesmo irritar o telespectador. Pode-se dizer que houve uma preocupação em deixar essa marca registrada ao dr. No, pois no único momento em que ele se descontrola, seu rosto não pôde ser visualizado pelo fato do cientista estar morrendo afogado em um depósito de água fervente.

Sean Connery charmoso até olhando as horas
Joseph Wiseman e a irritante calmaria de dr. No

O que consegue surpreender em 007 contra o satânico dr. No, no entanto, é a direção de fotografia e o cenário. A produção do filme e seu diretor pareciam muito interessados em mostrar a Jamaica, local onde ocorre a maior parte do longa, pois não houve timidez alguma em explorar as cenas do local, revelando praias e paisagens verdadeiramente paradisíacas. As cores abordadas no longa são vibrantes e ao mesmo tempo harmônicas, fazendo com que até os tons mais sóbrios de marrom e cinza fossem vivos, o que faz do filme um verdadeiro agrado aos olhos.

Um componente do cinema que também evoluiu a olhos vistos com o passar dos anos foi a trilha sonora, e o filme serve para comparar as etapas dessa evolução, uma vez que as cenas nas quais a música ganhava mais destaque era apenas as de ação, e nem sempre a música ornava com o momento. Nesse longa especialmente, as lutas são rápidas demais para um instrumental tão clássico e imponente, fazendo com que a cena ganhasse uma característica mais teatral. Vale lembrar, no entanto, que esse artifício não foi tão criticado nos anos 60 e era exaustivamente utilizado nos filmes da época, e são características como essas que marcam as fases da história e evolução do cinema, além dos anos que passaram desde então.

Uma das belas cenas do filme na Jamaica

Sem dúvida, 007 contra o satânico Dr. No é um clássico e o começo de uma série de filmes que mudou para sempre a história do cinema mundial, criando tradições e transcendendo a sétima arte ao gerar verdadeiros negócios vinculados ao tema do filme e livros de Ian Fleming. Vale a pena conhecer os longas.

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