Entre as peculiaridades de Natal há finais de semana cheios de eventos acontecendo ao mesmo tempo e outros onde nada acontece. Na noite de estreia do  Festival Do Sol nessa sexta(6), foi o primeiro caso e em um mesmo local (Ribeira) rolou  também o show de encerramento do Festival Literário de Natal (FLIN) com Gilberto Gil, que arrastou boa parte do público, deixando o espaço do Do Sol para os hipsters e roqueiros de longa data.

No palco do Do Sol foram seis bandas, nenhuma de som com um apelo mais pop, algumas delas instrumentais como a primeira da noite Ruído de Máquina (RN), que tocou também na edição do ano passado no Pocket Stage. A segunda The Sinks (RN) de rock mais pesado e genérico, tem como integrante Anderson Foca, produtor do Festival. Como não era instrumental teve que lutar com o mesmo problema que as bandas que vieram a seguir, o áudio do microfone parecia abafado para quem não estava perto do palco para ouvir o som vindo pelas caixas de retorno, tornando a voz do vocalista quase impossível de ouvir.

O terceiro show da noite foi de Lê Almeida (RJ) que com seu ótimo instrumental foi trazendo o pessoal que estava do lado de fora para curtir o som da banda. Mesmo com o problema do áudio agravado pelo efeito típico também de bandas shoegaze na voz de Lê, o show foi uma das agradáveis surpresas da noite. Depois do show ele falou um pouco com O Chaplin à respeito do processo de composição do disco Paraleloplasmos (2015)  produzido e gravado no Escritório, sede do selo próprio Transfusão Noise Records, no centro do Rio junto com a banda de apoio. Questionado à respeito do estilo do som, Lê perguntou o que eu achava, soltei um “Psicodélico, setentista” ao que ele  corrigiu : “É um som viajado e meio experimental, Space Rock, um rock viajado”.  Dia 21 de novembro a banda toca também em outro festival, dessa vez surf e skate no Rio de Janeiro, o Ming Pi.

Apesar do nome, Aeromoças e Tenistas Russas (SP) não tem nenhuma mulher entre os integrantes da banda instrumental, mas uma coisa chamou atenção: o enorme adesivo onde se lia “Fora Cunha” colado na guitarra como um protesto contra o atual Presidente da Câmara dos Deputados envolvido em escândalo de corrupção. O som também psicodélico da banda contava com o elemento extra das bases pré programadas e também com o som do teclado. Para os fãs de música nesse estilo, a banda foi um prato cheio. Para mim, o som foi acompanhado de mais gente fumando dentro de ambiente fechado e o início de uma dor de garganta.

A banda seguinte, The Cigarretes (RJ) foi sem dúvidas a pior da noite, não só pela falha no som que deixava a voz do vocalista estranha, mas sim pelo som datado. O rockzinho adolescente no estilo de filmes americanos com trilha sonora descartável como American Pie era meio triste e sinceramente não colou. A melancolia da voz nasalada e fanha também era outro ingrediente insuportável para os ouvidos de quem não queria se sentir em câmera lenta.

A última e mais esperada banda foi Fukai (RN) que  só surgiu lá pra 1 da manhã, diferente do horário marcado na programação, mas agora com o problema no áudio solucionado. Com um som mais acessível do que as outras bandas, Fukai  se destacou apresentando o repertório do seu último disco Abaeté que concorreu ao prêmio de melhor disco no Festival Hangar deste ano. Sem dúvidas, o melhor show da noite, a apresentação foi uma das que deu o gás para quem , como eu, estava desanimado para comparecer à maratona do segundo dia do festival, que continuou  com programação extensa.

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