2046: Uma Odisseia com Wong Kar Wai

Tony Leung Chiu Wai é o Selton Melo chinês. Ele parece estar em todos os filmes chineses feitos. Ou pelo menos nos mais famosos no ocidente. Ele está em filmes como Heroi (2002) do diretor Yimou Zhang; Lust, Caution(2007) do Ang Lee; Infernal Affairs, que deu origem a Os Infiltrados do Scorsese. Além desses filmes, Tony Leung tem uma forte parceria com o grande diretor chinês Wong Kar Wai, tendo estrelado sete de seus filmes, que inclui os mundialmente aclamados Chung King Express (1994), Amor à flor da pele (2000) e 2046 (2004). É sobre esse último que vou falar.

Tony Leung

Em 2046, Tony Leung é Chow Mo-wan, um escritor entendido de mulheres. A história se passa nos anos 60 na China. Chow vive em um hotel e ocupa o quarto 2047, mas ele queria estar no 2046 e se relaciona com as mulheres que ocupam o quarto. Ele escreveu um livro de sucesso chamado 2046, onde os personagens querem ir a esse ano, mas um personagem quer voltar.

O filme é um drama, romance, erótico, ficção cientifica. Muita coisa, não? Então vamos por partes. O erótico primeiro. Kar Wai consegue trazer um enorme erotismo para o filme sem ter nenhuma cena de nudez, mostrando só partes, deixando que você imagine. Ele é o diretor das metonímias, das partes pelo todo. Vejam essa imagem abaixo, que mostra o que falei.

 

Tony Leung e as pernas de Ziyi Zhang

A dona das pernas é Ziyi Zhang, uma versão feminina do Selton Melo Chinês. Ela também parece estar em todo filme chinês feito. No filme ela é Bai Ling, uma das mulheres que passam na vida de Chow. As sequências com ela, que se passam na primeira hora do filme, são a melhor parte da produção.

Eu chamei atenção para as sequências dela pois o filme é estruturado de forma episódica. Pessoas vão aparecendo na vida de Chow, e o filme dedica um tempo a elas. E alerto: pessoas que forem tentar acompanhar a trama talvez saíram frustradas. 2046 é um filme para o fã de cinema. Sem querer parecer pedante, mas sendo, o filme pede que o espectador já tenha uma bagagem cinematográfica, e espero que você que vá ver o filme e não goste, não sai dizendo “ah, é filme para critico, é intelectualóide”, por favor não faça isso.

Outra mulher que passa na vida de Chow é Wang, interpretada pela cantora Faye Wong, que também estrela Chung King Express. Faye também faz uma androide na parte da ficção cientifica, que é o livro 2046. Personagens que passam na vida do Chow são incorporados ao livro.

O design de produção do longa faz um trabalho memorável na criação desse futuro e dos anos 60 na China. No trabalho, as cores verde e vermelho predominam nos ambientes. Muita cor e luz na construção do trem que leva os personagens.

Faye Wong como uma andróide

O estilo de direção de Wong Kar Wai é extremamente estilizado. Como eu disse, ele é o diretor das metonímias. Ele sempre filma Tony Leung em close-up, de forma a endeusá-lo. Tony é o Bogart do Kar Wai. No filme, Leung lembra os grandes galãs dos anos 30 e 40, lembra principalmente Clark Cable, devido ao bigode usado pelo protagonista.

O endeusamento também vai para as belas atrizes que estrelam o longa. O figurino as ajuda,os vestidos chineses da década de 60 são fascinantes. Elas também estão sempre fumando, mais um charme vindo dos filmes clássicos hollywoodianos. Constantemente o diretor filma seus atores através do reflexo de espelhos, portas entreabertas. Também muda o tamanho da tela filmado parte da sombra, como se fizesse um retrato dos atores. Para a criação desse visual, o diretor usou três diferentes diretores de fotografia, mas um só estilo. O estilo de Wong Kar Wai.

A bela Ziyi