São quase 16h de uma quarta-feira e eu saio de um compromisso para pegar uma sessão – que começaria em alguns minutos – no Cinépolis Natal Shopping. Chegando lá, em tempo recorde, para comprar o ingresso, sou informada de que o ar condicionado das salas não estavam funcionando, mas “caso a senhora queira entrar de toda forma, a sessão será exibida”. Não, obrigada, foi minha resposta óbvia para a atendente, mais que consciente da tortura que seria encarar duas horas na sala sem o resfriador. Há duas ou três semanas, passara pela cruel experiência quando resolvi encarar o desafio de ver um filme de três horas nessas condições – era uma pré-estreia e a ansiedade fora maior que o bom senso. Antes disso, por duas outras vezes, o Cinépolis já me informara dos defeitos nos ar condicionados quando recorri à empresa para minhas inúmeras idas ao cinema.

Voltando para a fatídica quarta-feira na qual esse texto se incia, me mantive determinada, afinal, há concorrentes na cidade. Olhei pelo celular a programação do Cinemark. Por sorte, o mesmo filme seria exibido dali a trinta minutos. Me sentindo sortuda, voltei para o carro (antes dos quinze minutos de tolerância do estacionamento estourarem) e dirigi (novamente em tempo recorde, dadas as atuais circunstâncias do trânsito em Natal) até o Midway Mall. Cheguei quando faltavam cinco ou seis minutos para que a exibição começasse. Por sorte, a fila estava pequena. Pedi, satisfeita por ter conseguido chegar a tempo, o ingresso para o filme em questão. “Senhora, nós ainda não recebemos esse filme, então essa sessão não será exibida. Além do que todas as salas, com exceção da de ‘Tarzan’, estão com problema no ar condicionado”. A episódio do ar condicionado ali era novidade, mas os filmes já têm mesmo histórico de atraso, acarretando o cancelamento de algumas exibições. Não me surpreendi. Por cinco ou seis vezes tive a esperança de assistir a uma produção em sua estreia castrada porque a empresa ainda não recebera a cópia da distribuidora nos horários divulgados das sessões.

POST CINEMAS EM NATAL

Agradeci, dei meia volta e resolvi não arriscar me frustrar na última empresa exibidora restante, a Moviecom. Afinal, um amigo havia me dito que tentara assistir a um filme recentemente e a projeção deu problema. Não duvidei, a mesma coisa aconteceu comigo inúmeras vezes. Puxei involuntariamente pela memória outros motivos que me convencessem a parar a minha odisseia cinematográfica por ali mesmo, e lembrei-me também do péssimo áudio da maioria das sessões do Moviecom. Uma pena, visto que é lá que o público natalense é mais educado. Entre tentar a sorte na próxima sessão do Cinemark e arriscar a investida no Moviecom, preferi ir comer pamonha e relembrar mentalmente minhas mais recentes frustrações no circuito cinematográfico natalense.

Na mesma semana, eu havia ido empolgada a uma pré-estreia no Cinépolis. Tratava-se de um filme que eu muito queria assistir, não foi à toa que me submeti ao ingrato horário das 22h, quando geralmente caio no sono por cima do primeiro encosto que me aparece. Bem, eu não teria conseguido dormir ainda que quisesse: durante trinta ou quarenta minutos de filme ouvia-se como trilha sonora complementar uma incansável furadeira que parecia vir de algum lugar por trás da tela. A experiência foi tão desagradável que acabei indo, posteriormente, assistir novamente ao filme, em outro cinema.

O rival em questão foi o Cinemark (Midway Mall). Ao visitar o cinema, continuo, insistentemente e ingenuamente, apresentando, mesmo sem muita esperança, o meu cartão Cinemark Mania. Para quem não sabe o que significa, trata-se de uma espécie de cartão fidelidade adquirido ao valor de R$ 10 que supostamente lhe dá direito a brindes e descontos nas sessões. Ou assim o cartão me foi vendido. Nunca, em mais de seis meses, me foram oferecidos descontos em nenhum filme – e olhe que cobro. Os brindes, por sua vez, vieram algumas oito vezes, e em todas as outras – e foram bem mais de dez – a empresa alegava que o brinde em questão estava em falta, independente do dia em que eu ia: se no início da semana, o brinde não chegara ainda; se no meio, a referida semana tinha sido movimentada e não havia mais brindes; se no fim, “é mais fácil a senhora conseguir no início da semana, a partir de quarta-feira geralmente os brindes acabam”. Creio que tenham sido os 10 reais perdidos que mais lamento em minha vida.

Um colega jornalista recomendou-me aderir à onda do Netflix como solução parcial. Aceitei a sugestão e no mesmo dia fiz meu cadastro. Mas o site não disponibiliza os filmes em ocasião de suas estreias ou mesmo pouco depois delas. Sendo assim, para fins de acompanhar o circuito comercial, considerando o meu nível de cinefilia, trata-se de uma opção praticamente inútil. Continuo refém dos problemas e imprevistos das empresas locais. Orai e vigiai, natalenses. Não são tempos fáceis para os cinéfilos.

2 Responses

  1. Avatar
    Natália

    Já tentou ir no Cinépolis do Norte Shopping? Assisti alguns filmes lá e, sinceramente, não tenho nenhuma reclamação a não ser o fato de serem poucas salas para exibição. Mas, não tive nenhum outro problema. (:

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Natália, já sim. Fui lá uma vez e a minha experiência não foi muito boa (com o público). Mas convenhamos que era um domingo à noite numa comédia deplorável rs E sempre que olho os horários de lá os filmes que quero ver não batem ou estão dublados… fora o fato de que fica muito contramão para mim que moro na Zona Sul. mas seguirei seu conselho e retornarei qualquer dia desses. 🙂 Valeu!

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