Apontada como “louca”, Mia Farrow é acusada por Woody Allen de ter feito a carta no lugar da filha Dylan, que foi publicada pelo jornal The New York Times no dia 01 de fevereiro. Allen pediu direito de resposta, que foi divulgado nesta sexta-feira (07). As trocas de farpas mostram que existem lacunas a serem preenchidas. O renomado diretor nova iorquino é acusado por Dylan de ter lhe abusado sexualmente quando tinha sete anos.

O capítulo do roteiro que o Woody Allen teceu em sua vida ganhou mais palavras, uma vez que o diretor de filmes conseguiu publicar sua carta ao jornal The New York Times para defender das acusações de Dylan Farrow, filha adotiva de 28 anos dele com a atriz Mia Farrow. Ela acusa que foi abusada sexualmente por ele em 1992. O suposto crime aconteceu em um sótão numa casa localizada no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e Dylan tinha sete anos.

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Esta acusação veio à tona pela primeira vez durante a batalha judicial pela guarda dos três filhos do casal. Mia lhe acriminou de ter molestado a garota. Porém, um grupo de pesquisadores da Universidade de Yale apontou nenhuma evidência e a investigação não foi para frente. Mia Farrow mencionou o caso novamente via Twitter, após homenagem feita ao diretor no Globo de Ouro e a indicação do mais novo filme dele ao Oscar (Blue Jasmine).

Dentro da carta, Allen enfatizou que esta seria a última vez que falaria sobre o assunto e mais uma vez negou as acusações, alegando que a atriz manipulou a garota para que realizasse estas denúncias. A justificativa dele é que Farrow agiu assim por motivos de vingança. Também falou que quase nunca entrou naquele sótão, uma vez que tem claustrofobia.

“Ele falou para eu deitar de bruços e brincar com um conjunto de trem do meu irmão. Então, ele me abusou sexualmente. Falava comigo enquanto fazia aquilo, sussurrava que eu era uma boa garota e este era o nosso segredo, prometeu que viajaríamos a Paris e eu seria estrela dos filmes dele”, disse Dylan em um dos trechos da carta. A jovem afirma que sente nojo de ouvir o nome dele e teve problemas de distúrbios alimentares por conta disso.

Família Allen-Farrow

Família Allen-Farrow

Vale lembrar que Allen e Mia se separaram de uma forma nada amigável, a atriz descobriu fotos de sua filha Soon-Yi (coreana adotada por ela e seu ex-marido, o maestro André Pervin) nua que estavam guardadas na casa do diretor, além dele ter um caso com ela. Farrow e Allen ficaram juntos por 12 anos e apesar de ter tido dois filhos adotivos e um biológico (Dylan, Moses e Ronan, respectivamente), o casal nunca morou junto.

Um dos argumentos de defesa usados por Allen é que se realmente fosse um pedófilo, ele não conseguiria ter adotado mais duas meninas com Soon-Yi. Na época, Woody Allen perdeu a guarda dos filhos. Em um dos trechos da carta resposta, falou que era muito próximo da filha e devido à briga judicial teve que afastar dela.

“Ainda a amava profundamente e me senti culpado que, por ter me apaixonado por Soon-Yi, a tivesse colocado como um objeto de vingança. Tentei inúmeras vezes falar com Dylan, contudo Mia impediu todas as tentativas, sabendo que a amava tanto e foi totalmente indiferente à dor e aos danos que causou à menina para apaziguar a sua vingança”, disse.

Mia Farrow, Woody Allen e Soon-Yi antes do escândalo

Mia Farrow, Woody Allen e Soon-Yi antes do escândalo

Além das acusações de abuso sexual, Allen comentou sobre a declaração que Ronan ser filho na verdade do cantor Frank Sinatra.

“Ele é meu filho ou, como Mia sugere, de Frank Sinatra? Com certeza, ele tem feições faciais e olhos que remetem ao Frank. Mas se assim for, o que isto se diz? Mia mentiu durante o julgamento e falsamente alegou que fosse nosso filho? Mesmo não sendo de Frank, ela levanta a possibilidade de que seja, e isto indica que o encontrou secretamente durante os anos que ficamos juntos. Nem menciono todo o dinheiro que paguei com pensão alimentícia. Estava sustentando o filho de Frank? Mais uma vez, eu quero chamar atenção à integridade e honestidade de uma pessoa que conduz a vida dessa forma”, declara Allen.

Na carta, ele também desabafou sobre as declarações do juiz que analisou o caso da custódia sobre o seu relacionamento com a filha de Farrow. “Ele achou que estava explorando Soon-Yi. Isto me deixou indignado, pois Mia tinha 19 anos quando teve um caso com Frank Sinatra”.

O diretor também questionou a moral da atriz, visto que Mia também havia lhe traído com Frank Sinatra e o segundo casamento dela (com André Pervin) surgiu a partir de uma traição. Na época o músico era casado com Dory Previn, amiga da atriz.

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Woody Allen e Mia Farrow

Apesar de ter negado todas as acusações de Farrow, ambas as cartas mostram uma família que ficou destruída após uma traição, pois não atingiu somente o casal, mas também os filhos. Após a publicação do documento, muitos ficaram a favor da filha de Woody Allen, entretanto existem artigos que defendem o diretor e afirmam que Mia enlouqueceu após o cineasta ter lhe trocado por Soon-Yi.

Os “pró-Allen” acharam irresponsável o jornalista ter publicado a carta de Dylan, porque ele era muito amigo da atriz, “tomou as dores” da garota e não escutou todas as partes.

O cineasta Robert Weide, criador de um documentário sobre a vida do diretor nova iorquino, desenvolveu um artigo (uma semana antes da carta de Dylan ser publicada) mostrando contradições às declarações que Farrow fez a Allen nos últimos 20 anos. Ele alega que uma babá da família acusara Mia de editar o vídeo em que a Dylan prestou depoimento.

Woody Allen e a atual esposa, Soon-Yi

Woody Allen e a atual esposa, Soon-Yi

O texto de Weide foi publicado após Mia e Ronan zombarem da homenagem feita durante o Globo de Ouro e ainda soltarem indiretas ao diretor no Twitter no qual declaravam que ele é um pedófilo, assim retornando o caso à imprensa.

Um dos três filhos do casal, Moses, o qual até o momento não havia ainda declarado nada sobre o assunto, acusa a sua mãe de ter lhe alienado para ficar contra o pai por motivos de vingança e de nunca ter aceitado ser trocada por alguém mais jovem. Este é o único que fala com o diretor. Allen disse na carta que Moses retornou o contato com ele quando tinha 14 anos.

Allen algumas vezes chega a ironizar Mia na carta. Ele a chama de hipócrita, pois ela também havia cometido traições quando estes ainda estavam juntos, e disse que espera que os outros filhos retornem a falar com ele. Também acusa a atriz Mia Farrow de usar essas declarações (apontadas como “terríveis”) como forma de vingança e alienação parental (quando pai/mãe manipulam os filhos).

Porém, Woody Allen quer retratar que a traição dele podia ser com qualquer pessoa, como algo banal, e que as pessoas não deveriam ficar chocadas por ter sido com a filha de sua ex-mulher. Ele ainda acusa Mia de ter feito a carta no lugar de Dylan.

Como falado no texto anterior, sobre as declarações da filha, verdade ou mentira, todo mundo sabe que quando ocorre uma traição numa família (principalmente no caso de Farrow, visto que você dificilmente imaginaria que uma filha faria isso com a mãe), esta sempre fica desajustada. Mia nunca conseguiu ter a mesma glória dos tempos que era considerada uma excelente atriz.

Assim como no texto anterior, voltamos a questionar: “Dá para separar o lado profissional do pessoal tanto de Mia quanto Woody?”, “Ainda vamos amar Allen e sua incrível obra?”, “A carreira dele está em xeque?”, “Mia é uma louca varrida?”, “Ela realmente foi abusada sexualmente?”, “Os filhos foram manipulados?” ou “Qual é a realidade?”.

A Dylan declarou em entrevistas após publicação da carta que somente ela sabe as memórias dela e que em nenhum momento a mãe lhe manipulou. A filha do casal disse que no início a atriz até duvidava dela. Portanto, a suposta vítima assumiu a autoria da correspondência. Apesar do teor da carta de Allen e de declarar inocência, o documento enfoca muito as brigas intermináveis entre o antigo casal.

Se quiserem ler o artigo de Robert Weide, clique aqui. Além disso, leia esta matéria que falamos sobre as acusações de Dylan Farrow. Já a carta do Woody Allen pode ser lida e a versão original pode ser encontrada no site do New York Times:

Há VINTE E UM ANOS fui acusado de molestar uma criança por Mia Farrow. Achei a ideia tão ridícula que eu não dei à mínima. Envolvemo-nos em um terrível rompimento, o qual criou uma terrível inimizade e uma lenta batalha de custódia que sugou minhas energias. A transparência de sua maldade era tão óbvia que eu nem contratei um advogado de defesa. Foi meu agente que me contou que ela estava levando a acusação à polícia e que eu precisaria de um advogado criminalista.

Ingenuamente pensei que a acusação seria ignorada, pois claro que eu não molestei a Dylan e qualquer pessoa racional veria o que estava havendo. O bom senso prevaleceria. Afinal de contas, eu tinha 56 anos e nunca havia sido acusado antes (ou depois) de ter molestado uma criança. Eu namorei Mia por 12 anos e em nenhum momento lhe demonstrei qualquer coisa relacionada com mau comportamento.  Agora, de repente, quando dirigia à residência dela em Connecticut em uma tarde para visitar as crianças por algumas horas; quando enfrentaria meu adversário com meia dúzia de pessoas presentes; quando estava feliz com os primeiros momentos de um novo relacionamento com a mulher quem eu iria me casar; eu escolheria esse momento para embarcar na carreira de molestador e isso parecia improvável em uma mente cética. A pura falta de lógica de um cenário tão louco, que me pareceu degradante.

Mesmo assim, Mia insisteem afirmar que abusei Dylan e a levou imediatamente ao médico para ser examinada. Dylan lhe falou que não foi tocada. Mia lhe ofereceu um sorvete e quando voltou com a criança, a história havia mudado. A polícia começou a investigar o possível crime. De bom grado, fiz o teste do detector de mentiras e eu passei, claro, pois não havia algo para esconder. Perguntei a Mia se ela desejava fazer o mesmo e ela negou. Semana passada, uma mulher chamada Stacey Nelkin, com quem namorei há alguns anos, afirmou para imprensa que Mia queria que ela fosse testemunha durante nossa primeira batalha de custódia e afirmasse que era menor de idade enquanto me namorava, apesar do fato ser inverdade. Eu incluo esta anedota para que todos nós saibamos o tipo de pessoa que estamos lidando aqui. Alguém sabendo disto pode imaginar porque ela não faria o teste do detector de mentiras.

Enquanto isso, a polícia de Connecticut pediu ajuda do grupo de Abuso Sexual Infantil do Hospital New Haven, da Universidade de Yale. Uma equipe de homens e mulheres imparciais para os quais o promotor pediu a orientação para saber a possibilidade de abrir um processo. Passaram meses fazendo uma investigação meticulosa, entrevistaram todos os envolvidos e verificaram cada evidência.  Finalmente, eles escreveram sua conclusão que cito aqui: “Nossa opinião, como especialistas, apontam que Dylan não foi abusada sexualmente pelo senhor Allen. Além disso, acreditamos que as denúncias da jovem, feitas em vídeo e para nós durante a avaliação, não se referem a fatos reais que ocorreram no dia 04 de agosto de 1992. Durante a pesquisa, foram consideradas três hipóteses. A primeira era que as declarações eram verdadeiras e o senhor Allen lhe abusou sexualmente. A segunda era que as denúncias eram falsas, porém compostas por uma criança emocionalmente vulnerável, vinda de uma família instável. Já a terceira, ela foi influenciada pela mãe, a senhora Farrow. Podemos concluir que Dylan não foi abusada sexualmente e não sabemos se as afirmações estão ligadas com a segunda e terceira hipóteses. Acreditamos, contudo, que podem ser uma combinação das duas”.

Poderia ser mais claro? Allen não abusou de Dylan, provavelmente foi treinada por Mia Farrow. Esta conclusão decepcionou um número de pessoas. O promotor esperava pelo menos julgar um caso envolvendo uma celebridade e o juiz Elliot Wilk, que julgou o caso, disse, de maneira irresponsável, que “nós provavelmente nunca saberemos o que aconteceu”.

Porém sabíamos, pois foi determinado e não havia equívoco quanto ao fato de que não havia cometido nenhum abuso. O juiz foi muito rude comigo e nunca aprovou o meu relacionamento com Soon-Yi, filha adotiva de Mia, que estava com 20 e poucos anos. Ele achou que eu estava lhe explorando. Isto me deixou indignado, pois Mia tinha 19 anos quando teve um caso com Frank Sinatra.

Para ser justo com o juiz, o publico sentiu o mesmo desânimo conosco, apesar de demonstrarmos os nossos verdadeiros sentimentos e estarmos muito bem casados há 16 anos e termos duas filhas, ambas adotadas (aliás, Soon-Yi e eu fomos cuidadosamente examinados pela agência e tribunal de adoção).

Mia ganhou a custódia dos nossos filhos e partimos para caminhos diferentes.

Eu estava de coração partido. Moses estava bravo comigo. Eu não sabia do Ronan porque Mia nunca deixou que me aproximasse dele desde que nasceu. E Dylan, que eu tanto adorava e era tão próximo… Mia ligou para a minha irmã em fúria e disse “ele tirou a minha filha de mim, agora eu tiro a dele”. Nunca mais a vi ou fui capaz de falar com ela não importa o quanto tentasse. Eu ainda a amava profundamente, e me senti culpado pelo fato de ter me apaixonado por Soon-Yi parecer um motivo para tê-la colocado em uma posição de objeto de vingança. Soon-Yi e eu fizemos inúmeros esforços para tentar ver Dylan, mas Mia bloqueou a todos sabendo o quanto a amávamos, mas totalmente indiferente com a dor que ela estava causado àquela garotinha pelo simples fato de apaziguar a sua própria vingança.

Aqui eu cito Moses Farrow, que tinha 14 anos na época: “Minha mãe martelava na minha cabeça que eu tinha que odiar o meu pai por ter acabado com a família e molestado sexualmente a minha irmã.” Moses agora tem 36 anos e é um terapeuta familiar. “Claro que Woody não molestou a minha irmã,” ele diz. “Ela o amava e ia atrás dele quando ele vinha nos visitar. Ela nunca se escondia dele até que nossa mãe foi bem sucedida em criar uma atmosfera de medo e ódio ao redor dele”. Dylan tinha 7, Ronan 4, e esta era, de acordo com Moses, a narrativa ano após ano.

Faço uma pausa para falar da situação de Ronan. Ele é meu filho ou, como Mia sugere, de Frank Sinatra? Com certeza, ele tem feições  e olhos que remetem ao Frank. Mas se assim for, o que isto se diz? Mia mentiu durante o julgamento e falsamente alegou que fosse nosso filho? Mesmo não sendo de Frank, ela levanta a possibilidade de que seja, e isto indica que o encontrou secretamente durante os anos que ficamos juntos. Nem menciono todo o dinheiro que paguei com pensão alimentícia nesses anos. Estava sustentando o filho de Frank? Mais uma vez, eu quero chamar atenção à integridade e honestidade de uma pessoa que conduz a vida desta forma.

Agora faz 21 anos e Dylan aponta as acusações dos peritos da Yale como falsa. Além disso, ela adicionou toques criativos que parecem ter surgido magicamente durante os 21 anos de alienação.

Não que eu duvide que Dylan tenha chegado a acreditar que ela foi molestada, mas se desde os 7 anos uma criança vulnerável é ensinada por uma forte mãe a odiar o pai porque ele é um monstro que a abusou, seria tão estranho que depois de tantos anos de doutrinação a imagem que Mia queria passar de mim finalmente se enraizou? É de se admirar que especialistas da Yale tenham captado a alienação da mãe? Até mesmo o local onde o abuso sexual fabricado deveria ter ocorrido foi mal escolhido, porém interessante. Mia escolheu o sótão de sua casa de campo, um lugar que ela deve ter percebido que eu nunca iria, pois é minúsculo, apertado, onde dificilmente se pode levantar e eu sou claustrofóbico.  Uma ou duas vezes, ela me pediu para ir lá para olhar para alguma coisa, eu fiz, mas logo tive que correr para fora. Sem dúvida, a ideia do sótão veio a ela a partir da música de Dory Previn: “With My Daddy in the Attic”. Foi no mesmo registro, que Dory tinha escrito sobre o fato de Mia ter traído a amizade e por insidiosamente roubar seu marido, André, “Beware of Young Girls”. Deveria se perguntar, será que Dylan sequer escreveu a carta ou foi pelo menos guiada pela mãe? Será que a carta realmente beneficia Dylan ou será que simplesmente avança a agenda esfarrapada da mãe? É para me machucar com uma mácula. Há até mesmo uma tentativa idiota de criar danos na minha carreira profissional, tentando envolver as estrelas de cinema, uma atitude que é muito mais parecida com Mia do que com Dylan.

Afinal, se falar isto realmente fosse uma necessidade para Dylan, ela teria falado meses atrás na Vanity Fair. Cito Moses novamente: “Sabendo que minha mãe muitas vezes nos usou como peões, faz com que eu não possa acreditar em qualquer coisa que é dito ou escrito por qualquer pessoa da minha família”. Finalmente, será que Mia realmente sequer acredita que eu molestei sua filha? O bom senso deveria perguntar: Será que uma mãe, que achava que sua filha de sete anos foi abusada sexualmente por um molestador (um crime muito horrível), autorizaria um pequeno clipe dela que foi usado para homenagem dele no Globo de Ouro?

Claro que não molestei a Dylan. Eu a amo e espero um dia que ela reconheça como foi enganada e que foi afastada do amor do pai e explorada pela mãe que se preocupava mais com sua raiva purulenta do que o bem estar da filha. Foi ensinada a odiar o seu pai e fez acreditar que ele a abusou e isso tem tido custo psicológico sobre esta jovem amorosa. Soon-Yi e eu esperamos algum dia que ela entendesse que foi uma vítima e se reconectasse conosco, pois Moses já fez isso, de um jeito amoroso e produtivo. Ninguém quer desencorajar às vítimas de abuso sexual de falar, contudo deve se colocar em mente que algumas pessoas são falsamente acusadas e isto é algo terrivelmente destrutivo. (Esta carta será minha palavra final sobre o assunto e ninguém responderá por mim sobre quaisquer observações sobre o texto. Pessoas envolvidas já foram suficientemente feridas).

 Tradução feita por Lara Paiva com colaboração de Carolina Paiva e Felipe Magno

One Response

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    Francisca R

    Como um pai, mesmo adotivo, possa se tornar marido, nojento! Se mia traiu o marido ela tb não merece mérito!

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