A ascendência de Júpiter é a decadência dos irmãos Wachowski
Direção3
Elenco5
Roteiro1
Trilha Sonora5
Efeitos Especiais5
3.8Nota Final
Nota do leitor: (1 Voto)
4.0

Se em A Viagem (Cloud Atlas, 2012), a crítica ficou dividida, agora em “O Destino de Júpiter” (Jupiter Ascending, 2015), o veredicto é quase unanimidade: os irmãos Lana e Andy Wachowski, responsáveis em tempos áureos pela aclamada trilogia Matrix, se tornaram irreconhecíveis em sua mais recente e duvidosa obra, “O Destino de Júpiter”.

A começar pelo roteiro cheio de falhas e pelo plot absurdo (mesmo pra uma fantasia que almeja o patamar de ficção científica): Júpiter Jones (Mila Kunis) é uma garota que cresceu em uma família meio russa, meio americana e, apesar de inteligente e belíssima, não vê muitas possibilidades na sua vida além de acordar às 4h30 da manhã e limpar banheiros todos os dias. Tudo seria muito simples para a pacata vida de Júpiter não fosse o fato de três irmãos extraterrestres (supostamente donos da Terra e de outros tantos planetas) resolverem caçar a terráquea, para fins distintos, alegando que Júpiter seria a reencarnação de sua mãe, que morrera deixando uma generosa (e cobiçada) herança para cada um.

Obviamente, há mais detalhes e complexidades (mas não muitas) na narrativa que, ainda assim, é inverosímel e não consegue convencer, nem mesmo tendo como parâmetros obras de ficção. Júpiter é uma protagonista insossa, passiva e que mais parece uma bola de futebol americano, a qual todos jogam para onde lhes convém. A protagonista é perdida dentro de sua própria obra. Não questiona, não bate o pé, não reclama, apenas se deixa deslumbrar e admirar e assusta-se nos momentos de tensão. Uma personagem completamente entediante e incapaz de protagonizar uma narrativa.

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Channing Tatum e Mila Kunis em “O Destino de Júpiter”

Contudo, a falta de esmero na construção não é uma exclusividade de Júpiter. Todos os personagens são terrivelmente formulados e parecem jogados na obra, corroborando para o desfecho previsível, mas sem o cuidado de encerrar seus ciclos individuais ou dar um final digno às suas participações. Chega a ser desconcertante.

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Eddie Redmayne como Balem

Talvez o fracasso na construção dos personagens seja uma das justificativas para interpretações tão desastrosas. Mila Kunis, que até então não vinha se mostrando uma atriz ruim, parecia despreparada no papel de Júpiter, mesmo em cenas mais banais a atriz passa desconforto. O provável ganhador do Oscar de melhor ator deste ano, Eddie Redmayne, também está no elenco e mais valia ter negado o papel e deixado o público apenas com a apreciação de sua monstruosa atuação em “A Teoria de Tudo”. Em “O Destino de Júpiter”, interpretando o antagonista Balem Abrasax, Redmayne aparece caricato e cheio de firulas que não pegaram nada bem.

A trilha sonora do filme também consegue ser destoante e incomoda mesmo nos momentos que se faz essencial. O mesmo pode ser dito dos efeitos especiais, exagerados e desproporcionais na obra. Uma afetação desnecessária da dupla de diretores.

“O Destino de Júpiter” é um filme com começo estranho, desenvolvimento precário e final absurdo, para não dizer ridículo. Um capricho inconsequente dos geniais irmãos Wachowski, que por algum motivo, escolheram por investir seu tempo em um filme medíocre. Lana e Andy (e o público) podiam ter ficado sem essa.

Sobre o(a) autor(a)

Andressa Vieira

Jornalista, cinéfila incurável e escritora em formação. Típica escorpiana. Cearense natural e potiguar adotada. Apaixonada por cinema, literatura, música, arte e pessoas. Especialista em Cinema e mestranda em Estudos da Mídia (PPgEM/UFRN). É diretora deste site.

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