A despedida do sol em Jeri

Jericoacoara, carinhosamente chamada de Jeri, foi escolhida pelo Washington Post como uma das dez praias mais belas do mundo. Embora viajar seja um dos meus hobbies, demorei muito para conhecer esse paraíso cearense. Minha primeira viagem a Jeri só ocorreu em meados do ano passado, mas já voltei para lá outra vez desde então. Ainda assim, não cabe aqui descrever as belezas do local porque isso é fácil de encontrar na internet ou em guias turísticos. Prefiro falar de um dos melhores momentos que vivenciei lá.

A maior atração diária não é um ponto turístico específico, e sim um fenômeno natural, o qual nós, na correria das grandes cidades, dificilmente reparamos: o pôr-do-sol. E são vários espaços para se desfrutar desse momento: a Pedra Furada, a Duna do Pôr-do-sol, o gramado do Jeribá… Mesmo com lugares tão distintos, uma coisa é certa em todos eles: as palmas dos espectadores após a despedida do sol. É um ato tão natural ao ponto de ninguém se sentir nem um pouco constrangido com a atitude.

Presenciei três pores-do-sol em Jeri. Na Pedra Furada, turistas de idades e nacionalidades variadas se espremiam para vê-lo se pôr na fenda da rocha. O caminho até lá é um pouco árduo, mas vale a pena. Também há a crendice segundo a qual o casamento é certo para os apaixonados que se beijam embaixo do arco da Pedra. Lembro-me bem de um casal apressado para correr em direção ao arco logo após o último raio solar, ao som das palmas dos presentes, não para eles, claro, e sim ao sol.

O sol se põe na fenda da Pedra Furada entre o final do mês de junho e o início do mês de agosto | Foto: Lívia Priscilla

O sol se põe na fenda da Pedra Furada entre o final do mês de junho e o início do mês de agosto | Foto: Lívia Priscilla

Na Duna do Pôr-do-Sol, a mistura entre a areia, o vento e a pele incomoda um pouco, bem como a subida até a duna, mas são sacrifícios mínimos em virtude da recompensa. Algumas pessoas brincam de descer a duna escorregando e subi-la correndo, entretanto a brincadeira cessa quando a cortina do céu se abre para o começo da apresentação. O momento é de contemplar a beleza do sol se ponto, com os últimos raios se refletindo nas águas do mar. Depois disso, descer a duna com a areia massageando os pés é reconfortante. Dá até pra acompanhar a roda de capoeira que começa a se formar ao anoitecer.

A duna do Pôr-do-Sol é um dos locais clássicos para se contemplar a praia e o horizonte em Jeri

A duna do Pôr-do-Sol é um dos locais clássicos para contemplar a praia e o horizonte em Jeri | Foto: Lívia Priscilla

O gramado do Jeribá é menos famoso, portanto, menos lotado de pessoas. Era apenas eu, o grupo no qual eu estava, um casal e alguns estrangeiros acompanhados de um violão. No Jeribá, a visão contempla o verde das plantas combinando com a praia ao fundo. De lá se avista a famosa duna e turistas aproveitando os últimos momentos de luz solar. Até o barulho é menor comparado aos outros lugares, pois neles, a ansiedade se expressava através da agitação dos presentes. No gramado, o silêncio é quase regra, interrompido apenas pelo som do violão em um dos grupos.

O gramado do Jeribá, pousada em frente a praia, é aberto ao público e uma boa escolha para os que querem mais tranquilidade | Foto: Lívia Priscilla

O gramado do Jeribá, pousada em frente a praia, é aberto ao público e uma boa escolha para os que querem mais tranquilidade | Foto: Lívia Priscilla

Em Jericoacoara, o tempo não passa. Tudo é preparado para desfrutar o equilíbrio natural em uma perfeita harmonia. A sensação ao voltar é a de não saber priorizar o mais importante nos momentos cotidianos. Aprendi com Jeri a prestar mais atenção aos espetáculos oferecidos pela natureza diariamente. Assim, quando você for a Jeri, não se esqueça de, ao final da tarde, parar tudo o que estiver fazendo para contemplar o deslumbrante pôr-do-sol. Escolha um local, relaxe e aproveite, pois a natureza se encarrega de cuidar do resto. O cearense é famoso por já ter vaiado o astro solar, mas em terra onde o sol já foi vaiado, ele é muito mais aplaudido.

Por Lívia Priscilla, especial para o blog O CHAPLIN

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