A gente quer arte em toda a parte

Se comparado a alguns estados do Centro-Sul e outros polarizadores do Nordeste, podemos dizer que o Rio Grande do Norte não tem uma forte tradição cultural. Quando nos pedem para elencar motivos pelos quais nos mudaríamos daqui, certamente seu pensamento o leva à quantidade inferior de eventos culturais em relação a outras cidades. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Salvador são algumas das cidades que nos encantam nesse aspecto. No entanto, quando esses eventos acontecem por aqui, nós os frequentamos?

Quando me refiro a eventos, você deve imaginar que me refiro ao MADA, DoSol ou até mesmo ao Carnatal, cujos locais de realização estão no eixo Centro-Zona Sul, os locais mais abastados e movimentados de Natal. Não. Não falo desses eventos, mas de atividades ainda mais alternativas que acontecem nos locais periféricos da Região Metropolitana. Aplicamos, assim, essa realidade nacional – de estados que atraem mais cultura – à conjuntura local.

Nem eu estou imune a isso. Por exemplo, fiquei muito surpreso com a realização de um tributo aos Beatles em Parnamirim na última sexta-feira (30/12), distante em mais de 10km do eixo mais movimentado da Região Metropolitana. Surpreendi-me também com a estrutura do evento, bastante organizada e ampla. Cerca de 150 pessoas, entre público pagante e os organizadores do evento, estavam no tributo à banda de Liverpool. Mas dava para mais pessoas. Muito mais, se não fosse a falta de disponibilidade da nossa gente em vencer os preconceitos e frequentar os eventos, e da nossa imprensa, de divulgar com mais afinco tais atrações alternativas.

Boas atrações não faltaram. Para os ouvidos, não podiam faltar versões das músicas eternizadas por John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison. No palco Liverpool, o cantor Marcos Marr, com seu estilo mais acústico, entoou os rocks mais melodies, como Hey Jude e All You Need is Love. No grande palco do Cine Teatro Parnamirim, “Os Grogs” fizeram uma apresentação bem mais próxima das realizadas pelo quarteto inglês, uma vez que são uma banda cover. Confira aqui um trecho do show.

Os poucos que foram ao tributo também tiveram a oportunidade de ver algumas capas de vinis mais icônicas da história da banda, como Please, Please Me, With The Beatles, ambos de 1963; Rubber Soul, de 1965; Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967 e, claro, Abbey Road, de 1969. Todos fazem parte da coleção privada de Hervall Padilha, um dos organizadores do evento e colecionados de LP’s, que possui cerca de 60 títulos apenas do quarteto inglês.

Outros deleites para os olhos foi ver réplicas oficiais dos instrumentos da banda, cedidos ao evento por Giancarlo Vieira, vocalista de “Os Grogs”, e um gigante banner da Abbey Road, através do qual algumas pessoas – inclusive este repórter que vos fala – se sentiram transportadas para uma das ruas mais famosas de Londres. 

Em tempos de caça aos likes nas redes sociais, aqueles que venceram seus preconceitos e foram a Parnamirim conferir o evento saíram na frente. Afinal, a gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte para (e em) qualquer parte.