A Hora Mais Escura: Kathryn Bigelow e seu terrorismo enfadonho e desnecessário

Quando vi a lista de indicados às premiações mais importantes do cinema de 2013, me deparei com mais um filme da cineasta Kathryn Bigelow. Seu novo trabalho está indicado a cinco categorias: filme, roteiro original, atriz (Jesica Chastain), edição e edição de som. Confesso que não me animei, principalmente depois de ler a sinopse. O longa narra a caçada dos norte-americanos ao inimigo número um dos EUA, Osama Bin Laden. Para os fãs das séries de ação Homeland e 24h, eis uma dica: continuem assistindo suas séries, porque “A Hora Mais Escura”, não tem nem Carrie Mathison ou Jack Bauer e está longe de empolgar até o mais alienado dos espectadores.

 Maya (Jessica Chastain) em defesa da pátria

Após uma das maiores zebras da história do Oscar, a ex-mulher do todo-poderoso diretor James Cameron, Kathryn Bigelow, bateu seu ex-marido como Melhor Diretora e de quebra levou a estatueta de Melhor Filme em 2010. Bigelow sagrou-se como a primeira mulher a receber um Oscar de direção, feito que muitas feministas e entusiastas do cinema comemoraram, eu até o teria feito, se, de fato, achasse merecido, o que não foi o caso. A verdade é que depois desse feito, ao que parece, a cineasta achou um filão: filmes de ação sobre terrorismo. Honestamente, falar sobre combate aos “terroristas” em 2013, é chutar cachorro morto.

A caçada a Bin Laden tem início lá no atentado ao World Trade Center, não é mostrada nenhuma imagem, apenas vozes de pessoas dentro de um dos aviões que colidiram com os prédios e uma tela preta. Desse dia em diante, os EUA, governados pelo seu chefe de estado, George W. Bush Jr., entram em guerra contra “o terrorismo” e enviam tropas ao Afeganistão em busca do líder do grupo terrorista Al Qaeda, responsável pela tragédia, Osama Bin Laden. O plot sugere os (super) heróis norte-americanos vingando seu povo do inimigo do mundo, com direito a cenas de ação e uma busca impetuosa cheia de energia, mas fica só nisso mesmo.

Agente da CIA revendo a fitas das sessões de tortura dos presos, na busca por Bin Laden

Maya (Jessica Chastain) é a menina prodígio que foi recrutada ainda no ensino médio para ser uma agente da CIA, seu trabalho desde 2001 é encontrar o líder da Al Qaeda. A agente é lançada a campo a fim de obter informações com os prisioneiros. Logo na primeira parte do filme somos convidados a assistir sessões de torturas. A princípio, Maya se sente incomodada, mas logo percebemos sua frieza e em pouco tempo, eis que ela segue os passos de seus colegas, buscando extrair o máximo de informações possíveis sobre o paradeiro dos membros do alto escalão do grupo terrorista e mais especificamente de seu líder.

Diferente da série “Homeland” em que vemos uma Claire Danes inspirada, por assim dizer, embora eu não ache seu trabalho merecedor de tantos elogios, “A Hora Mais Escura” não tem uma protagonista carismática. Chastain surgiu para o cinema um dia desses, fez diversas produções que foram lançadas entre 2011 e 2012, mas não disse para o que veio em nenhuma delas. A atriz não causa a menor empatia com o espectador, em momento algum, aliás, isso descreve bem o que o filme é: apático.

Soldados guiados pela agente da CIA encontram o esconderijo do terrorista

O espectador acompanha diversas tentativas (frustradas, em sua maioria) de se chegar perto do paradeiro de Osama, durante cansativas duas horas e trinta e sete minutos de projeção. Acredito que o título do longa faz referência à escuridão dos olhos que se fecham e se abrem ao longo do filme. Bigelow fez seu trabalho de pesquisa com agentes da CIA, na sede do centro nacional de inteligência, o que levantou desconfiança de alguns parlamentares de seu país. Embasado ou não, o roteiro de Mark Boal (premiado em Guerra ao Terror) é infinitamente inferior a segunda temporada de Homeland, à propósito, chega a ser até maldade essa comparação, dada a abissal diferença de qualidade entre as duas produções.

Com a troca de presidente, chega ao fim as sessões de tortura – único método utilizado pelos militares norte-americanos para conseguir informações acerca dos culpados pelo atentado –, eis então que os agentes da CIA passam dias e noite quebrando a cabeça no Paquistão; país em que eles acreditam que Bin Laden esteja escondido; eles sofrem atentados, alguns são retirados de campos por ameaça de paquistaneses e, quando tudo parecia perdido, eis que surge uma luz: a inabalável confiança e certeza de Maya em ter achado o “cafofo” do Obama.

Chastain indicada ao Oscar

“A Hora Mais Escura” é sem dúvidas o mais fraco e desinteressante filme na corrida ao Oscar, o que academia viu neste novo projeto de Bigelow eu realmente não faço ideia, nem muito menos a indicação da insossa Jessica Chastain, que continua sem dizer pra que veio. O longa não anima, não instiga, não mostra diferencial algum e, pra completar, o final é de conhecimento de todos. Ao meu ver, é mais daqueles filmes para mostrar as façanhas militares dos norte-americanos, que só funciona (e olhe lá) nos EUA. Com um gordo orçamento, a parte técnica vai bem, com uma fotografia lindíssima, mas os elogios param por aí.