Lançado em dezembro de 1993 nos Estados Unidos e dirigido por Steven Spielberg, “A Lista de Schindler” entrou para a lista dos dez melhores filmes de toda a história do cinema americano, além de ter ganhado sete Oscar. O longa conta a vida de Oskar Schindler (Liam Neeson), um homem alemão com forte influência no partido nazista, dono de uma simpatia, astúcia e oportunismo sedutores, mas dono também de uma das mais emocionantes provas de amor ao ser humano. Schindler, por meio de sua influência, conseguiu facilmente  as permissões para abrir uma fábrica e  utilizar judeus como mão de obra, uma solução barata para lucrar com a guerra. À primeira vista, tem-se a impressão que Schindler é apenas mais um homem sedento por riqueza e que se sente no direito de tratar os judeus como objetos, mas a reviravolta é silenciosa, firme, linda e muito emocionante, o que dá origem à lista que retirou mais de mil judeus do terror que eles viviam para a Tchecoslováquia.

Poster do filme

O Holocausto já foi tema para a criação de vários filmes, e uma das características que muda já de início a perspectiva de um filme é quando este retrata algo que aconteceu, tudo aquilo foi realmente verdadeiro. Quando um personagem judeu é maltratado, esse personagem realmente existiu e sua dor está sendo retratada no filme. Quando Amon Goeth (Ralph Fiennes), com os pés sobre o parapeito de uma varanda, atira a esmo em judeus para se divertir, essa crueldade doentia realmente existiu e foi recriada através de relatos de sobreviventes que viram e viveram a realidade da época. Ralph Fiennes encarnou Amon Goeth de forma absurdamente assustadora. O realismo que ele passava ao fazer as cenas de seu personagem atirando nos judeus pelo mais fútil dos motivos era tão intenso que deixava atônito o mais frio dos telespectadores, causando fúria e revolta imediata. Ele fez um trabalho impressionante.

Uma cena intensa do longa é quando Schindler, no auge de seu desespero, cai em prantos por ver que já não tem mais dinheiro para salvar os judeus da matança na qual estavam sujeitos e busca freneticamente por algo precioso em suas próprias roupas para “trocar por mais uma pessoa”, uma interpretação esplêndida de Liam Neeson. Ele conseguiu mostrar com esmero todas as nuances e anseios que o personagem possuía e escondia com uma máscara de importância e seriedade, mais uma atuação incrível no longa.

Amon Goeth (Ralph Fiennes) em um de seus passatempos bizarros

Oskar Schindler (Liam Neeson) e uma das cenas mais emocionantes do filme

A fotografia de A lista de Schindler é quase em sua totalidade em preto e branco, porém a ausência de cores consegue representar de maneira sutil e inteligente a falta de esperança dos judeus.Os tons de cinza, mesclados com a trilha sonora e os olhos entorpecidos dos judeus impregnam o telespectador com uma vagarosa agonia, tristeza e revolta, fazendo com que se obtenha uma vaga impressão do que era ser judeu em território nazista. A única exceção é a menina de vermelho, que se destaca em uma multidão opaca e por mais que seja uma figurante, ela também passa por todo o sofrimento, todo desprezo e desesperança trazidos pelos judeus. Por se destacar, conseguimos prestar atenção nela e em sua história, mas cada judeu que passou por aqueles lugares também têm uma história a ser contada. A menina de vermelho representa a atenção que se deve dar às pessoas e à história que cada um carrega dentro de si.

A direção de fotografia fez um trabalho impressionante, tirando o máximo de proveito dos contrastes entre luz e sombra para trazer mais riqueza aos detalhes do filme preto e branco. A utilização de câmeras na mão durante algumas filmagens faz que com haja uma aproximação ainda maior com a realidade, adicionando uma pitada de característica documental ao filme.

A menina de vermelho em uma de suas poucas cenas

Um dos belos trabalhos da direção de fotografia

A lista de Schindler serve para nos lembrar que o passado existiu. É um filme que serve para impedir que algo doentio como o Holocausto volte a acontecer, mostrando o que um ser humano é capaz de fazer contra o outro, mas principalmente, pelo outro.

“Aquele que salva uma vida, salva todo o mundo.”

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