Seguindo as postagens de comemoração do aniversário de “O Chaplin”, quis oferecer aos leitores do blog uma definitiva saída de zonas de conforto. Afinal, seria um tanto que “lugar comum” falar que Jurassic Park foi uma obra prima do cinema na década de 1990 ou que só gostamos de “Free Willy” porque éramos crianças à época de seu lançamento. Nesse sentido, ponderei e cheguei a conclusão que deveria oferecer uma história mais substanciosa, que muito fala sobre diferença de gerações. É o filme “O Clube da Felicidade e da Sorte” (Wayne Wang, EUA, 1993 e produção executiva de Oliver Stone).

As protagonistas de “O Clube da Felicidade e da Sorte”

 

Baseado no romance de Amy Tan, o filme compartilha os anseios, sonhos, esperanças e as vitórias de oito mulheres: quatro chinesas, que se mudaram para os EUA depois da dilacerante Revolução Comunista organizada por Mao-Tse Tung, e suas filhas, que já nasceram em solo americano. As matriarcas passaram por muito sofrimento na China e essas tragédias são compartilhadas por meio de flashbacks convenientemente ligados à trama principal. Já as filhas, crescidas num contexto desenvolvimentista que culminou com a vitória ianque na Guerra Fria, lidam com questões tipicamente ocidentais, como o casamento moderno e a projeção feminina em âmbito profissional.

As diferenças entre Leste e Oeste já são um terreno fértil para que se crie um ótimo filme. Mas “O Clube da Felicidade e da Sorte” vai mais além quando se propõe a discutir, também, a diferença entre as gerações. E aí o terreno é fértil para atuações femininas arrebatadoras. O roteiro também é espetacular, principalmente pelo fato de usar a imparcialidade como um norte: evidentemente, seria normal acreditar que o sofrimento das matriarcas é muito maior do que o de suas herdeiras, mas o filme equilibra os anseios das duas gerações, especialmente dando a mesma duração às histórias e correlacionando-as. Também merece elogios a direção de arte – que reconstitui, primorosamente, os espectadores para a China do passado. Os figurinos chineses também são muito belos, embora quase todos os filmes que retratam a cultura oriental se saiam bem nesse quesito.

Reconstituição da China assolada pela instauração do regime maoista é um dos pontos fortes do filme

O único ponto inflexível de “O Clube da Felicidade da Sorte” é o papel da figura masculina, abordado no filme como importante, mas completamente secundária diante da relação de mulheres que deram vida a outras mulheres.  É uma emocionante viagem pelo universo feminino e pelo amor incondicional de mãe, que tudo faz em prol de proporcionar uma vida melhor para sua prole. Vale a pena se lembrar desse filme hoje, no dia das mães e para sempre!

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