Ouvi falar, em períodos de Oscar, que a comédia “Uma Ladra Sem Limites”, protagonizada pela simpática Melissa McCarthy, dominava as bilheterias norte-americanas. Após assistir à obra em questão, já na primeira semana de exibição em salas brasileiras, me perguntei qual seria o nível de  senso de humor (ou de inteligência) dos americanos para serem convencidos por produção tão fraca. Prova disso é que, espremendo muito, a produção rendeu humildes duas semanas nas salas de cinema de Natal.

Melissa McCarthy é responsável pelos poucos bons momentos do filme

Talvez minha decepção tenha sido efeito do excesso de expectativa. O fato é que “Uma Ladra Sem Limites”, dirigido por Seth Gordon, não é isso tudo que falam por aí. Para o título de comédia, ainda ficaram faltando algumas risadas. Talvez, facilmente alcançáveis, se o roteiro tivesse um pouco mais de bom gosto, e o elenco não fosse tão apático. Salvo aqui apenas a protagonista, Melissa McCarthy, que já é engraçada sem precisar fazer muita força.

Uma das cenas mais divertidas do filme, em que a personagem de Melissa tenta fugir de Sandy

O filme se desenrola durante uma viagem. Sandy Patterson (Jason Bateman, que tenta insistentemente convencer como ator de comédia há uns cinco anos) percebe que teve seus cartões de crédito fraudados e, ao descobrir a responsável por isso, parte em uma viagem no intuito de encontrá-la e convencê-la a consertar a sua vida, que virara de cabeça para baixo. Melissa McCarthy interpreta a ladra (e o filme termina sem que tenhamos uma alcunha concreta para chamá-la) mal-caráter, politicamente incorreta, engraçadíssima e cínica. Paralelo a isso, temos o núcleo familiar de Sandy, composto por duas filhas e a esposa, interpretada por Amanda Peet (alguém ainda lembra dela?), a ainda há um grupo de pessoas (que parecem ter saído direto dos estereótipo de gangues de desenhos animados), anteriormente enganadas pela personagem de McCarthy, que tentam, durante o filme, capturá-la. Todos os secundários se mostram quase totalmente inúteis durante a trama, cujas pontas são seguradas majoritariamente por Melissa e, inevitavelmente, dada a importância de seu personagem, por Jason Bateman.

A sumida Amanda Peet faz a esposa de Sandy

Desde 2008, Seth Gordon está na labuta para emplacar um bom filme de comédia. Sem sucesso. Até a ganhadora do Oscar, Reese Witherspoon, já foi uma de suas protagonista. Reese é o tipo de atriz que pode até render, mas isso exige muito do diretor. Como Seth também não fez o trabalho de casa, em vez de abrilhantar a obra, a atriz apenas contribuiu para o seu fracasso. Esse não é o caso de Melissa McCarthy, que consegue ser uma boa atriz de comédia independente de quem assina a direção da obra. A atriz manteve a dignidade de seu nome, mesmo atrelado a um roteiro fraco e muitas vezes apelativo (e nem assim, consegue ser engraçado).

O filme não é de todo ruim. Os elementos técnicos cumprem, quase em sua maioria, com o esperado. O filme é colorido, dinâmico, a fotografia não é ruim e a trilha sonora é até bastante agradável, convém dizer. Mas isso nada mais é que um filme com muito dinheiro e pouco cérebro. Sem roteiro e bons intérpretes, é difícil garantir sequer o entretenimento do público (e da crítica, já que quando me deparo com filmes do gênero, esse aspecto é apenas o que busco). Que dirá a nova exigência pós-moderna dos cults, um plano de fundo social, analítico e intelectualizado para a obra, seja ela qual for.

A dupla principal. Jason Bateman ofuscado por McCarthy

“Uma Ladra Sem Limites” não é um bom filme de comédia. Não é tão engraçado quanto se propõe, não tem sequer uma boa história ou atores cativantes para amenizar a situação drástica da produção. Chega, inclusive, a ser bizarro em algumas cenas desnecessárias, como a única de sexo de toda a produção. Como diria um querido amigo, uma boa palavra para defini-lo seria pointless, ou seja, sem razão de vida, uma vez que começa falhando na única coisa que se espera de um filme de comédia: fazer rir.

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