Lançado em 2012, A pequena loja se suicídios (Le magasin des suicides) é uma animação franco-belga-canadense e foi dirigido por Patrice Leconte. Conta a história de uma loja francesa que, como o próprio nome sugere, ajuda pessoas que perderam a vontade de viver e procuram uma maneira de suicidar, uma loja onde só se é cliente uma vez, geralmente.

Lá, há venenos poderosos em frascos de perfume para as damas, katanas afiadíssimas para uma morte mais “viril”, cordas de dois metros de comprimento que acompanham um banquinho na compra, revólveres, pílulas para dormir e animais venenosos… Ah, ainda fornecem lâminas enferrujadas para cortar os pulsos, se não der certo, ao menos você adquire tétano. Eles também devolvem o dinheiro caso não haja sucesso no suicídio. Dentro desse ambiente mórbido, Mishima (Bernard Alane) e Lucrèce (Isabelle Spade) criam seus filhos, Vicent (Laurent Gendron), Marilyn (Isabelle Giami) e mais tarde, Alain (Kacey Mottet Klein) para darem continuidade nos trabalhos da loja, que há três gerações está no sangue da família. O que o casal não espera é um filho como Alain, que contrasta violentamente com seu lugar de origem, pois desde que nasceu o garoto esbanja felicidade e não consegue parar de sorrir, o que causa sérios problemas à filosofia e negócios da loja de seus pais.

Adivinhe os personagens

“A pequena loja de suicídios” é uma animação com um humor negro inteligentíssimo e muito afiado. Ao mostrar a rotina da cidade deprimida, o roteiro foi criado de maneira a nos fazer pensar que suicídio é algo comum por haver uma loja para isso, da popularidade do ato e de até a legalização do mesmo, bem representada nas cenas em que homens ganham multas por suicidarem em locais públicos, em vez de receberem atendimento hospitalar. As cenas musicais refletem bem pessoas presas ao passado e melancólicas tomando a decisão de suicidar e buscando um meio de pôr isso em ação quando procuram a loja, o que se antepõe morbidamente com a alegria e otimismo do casal que, aos sorrisos, mostram os efeitos dos mais variados artigos para suicídio que possuem em sua loja. Não se poupam detalhes em cada morte… Ver cada personagem cantando funebremente os motivos de se matar e vê-los morrer é incômodo e ainda mais perturbador quando se percebe que há uma pitada de humor impregnando toda a animação.

O que consegue ser mais interessante, no entanto, é o fato de Alain ser  uma pessoa tão feliz que vê-lo sorrindo o tempo todo é irritante, nos fazendo pensar que o errado é a alegria do menino, e não a depressão que domina o ambiente. Esses conceitos são gradualmente invertidos graças à Alain e seus amigos na medida em que eles vão comovendo as pessoas; não chegam a mudar uma cidade inteira, mas sim uma parte dela e isso é um ótimo começo.

A cidade desolada

A pequena loja de suicídios merece ser assistido por ser uma animação incrivelmente criativa, que aborda uma questão de saude pública (e chegam a ironizar cruamente isso) de forma bela, original e melancólica, além de ser deliciosamente incrementada por pequenos detalhes, como nos dizeres na sacola da loja, “Você desperdiçou sua vida? Tenha sucesso com a sua morte!”. As cores, bastante variadas, representam perfeitamente a cidade e a linda transformação que Alain faz no que pode. Um filme que faz falta nos dias de hoje por sua originalidade, inteligência e esmero na mistura de temas que, por vezes, são tão complexos de se falar sobre, e acabam representando tabus na sociedade.

Alain e seu pai

One Response

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    Anonymous

    Toda a familia (exceto Alain) tem nomes de personagens históricos que se suicidaram.

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