O que definimos como pós-modernidade? Qual seu principio? E como se aplica na arte? Durante parte dos meus estudos sempre me indagava sobre essas questões complexas e ao mesmo tempo tão interessantes, falar e estudar de pós-modernidade nos dá a possibilidade de entender melhor as reformulações artísticas que vêm sendo empregadas. Essas nova manifestação (pós-modernidade)  traz consigo novos preceitos que rompem por completo as estruturas/núcleos que durante um tempo foram irredutíveis.

Definimos como pós-modernidade ou pós-modernismo um movimento de cunho sócio-cultural que ganhou bastante destaque no século XX. As primeiras ideias acerca desse conceito bastante discutido ocorreram inicialmente no mundo hispânico, na década de 1930, pelo professor espanhol Federico de Onís, que buscava nessa acepção distinguir a estética literária do pós-modernismos  e do modernismo.  Para Federico, entendia-se como pós-modernismo, a perda da historicidade a partir da ruptura da tradição onde ocorria agora o desmoronamento da fronteira entre as mais variadas linguagens e a prática da apropriação e da citação de obras do passado.

Caricatura de Lacan por Gustavo López Chaves

Caricatura de Lacan por Gustavo López Chaves

Com o passar das décadas, o termo foi ganhando força e reestruturando pensamentos de vários estudiosos que estabeleciam agora severas críticas aos padrões éticos e estéticos que vigoraram no século passado. Um dos grandes críticos desse novo pensamento foi o psicanalista Jacques Lacan que, em seus estudos, demonstrou essa ruptura através de fatores sociais. Lacan afirmava que essa nova sociedade que se formava (pós-modernista) deixava de ser de ordem vertical e se tornava agora de ordem horizontal onde a sociedade busca referentes múltiplos e tinha um cunho interativo.

O pós-modernismo traz consigo um novo paradigma sócio-cultural assentado em novas premissas para a sociedade, como a globalização, o aumento desenfreado do consumo, o individualismo exacerbado, a música eletrônica e o niilismo nas artes em geral. Junto com esse novo paradigma nasce também duas novas disciplinas: a Teoria da Comunicação e a Semiologia. Com o objetivo de dar suporte ao pensamento pós-moderno, tais teorias visam discutir os novos signos inseridos no processo de comunicação, que agora podem ser digitais. Porém, esses novos signos buscavam estabelecer uma correlação com os signos analógicos, de modo que os signos digitais permitem escolher, e os analógicos permitem reconhecer ou compreender.

Um dos campos em que mais podemos enxergar essas mudanças é o artístico, agora tomado por máquinas de imagens, causando uma expansão das fronteiras, onde a parceria/interação homem-máquina se torna inevitável. Computadores e a rede digital tornam cada vez mais ferramentas comuns em nosso cotidiano nos possibilitando a utilização das mesmas como instrumentos de criação artística. Com isso, as formas de conceber e pensar arte não seguem mais uma lógica mecanicista, mas buscam, agora, comunicar uma série de experiências que dizem respeito à vida coletiva e, a partir daí, buscar uma série de manifestações que alteraram as estruturas do mundo social. Um bom comparativo é citado por Jair Ferreira dos Santos na tabela abaixo, retirada do livro “O que é pós-moderno” (1986, p.41-42):

Modernismo e Pós-Modernismo

Modernismo Pós-Modernismo
Cultura elevada Cotidiano banalizado
Arte Antiarte
Estetização Desestetização
Interpretação Apresentação
Obra/originalidade Processo/ pastiche
Forma/abstração Conteúdo/figuração
Hermetismo Fácil compreensão
Conhecimento superior Jogo com a arte
Oposição ao público Participação do público
Crítica cultural Comentário cômico, social
Afirmação da arte Desvalorização obra/autor

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