“A Prisão do Rei”, terceiro livro da série “A Rainha Vermelha”: leia além do óbvio

Na semana passada, estava eu assistindo um dos meus YouTubers favoritos e encontrei um vídeo antigo em que ele falava sobre seus livros favoritos. Dentre eles, estava a série “A Rainha Vermelha”. Ele mencionou que era um livro de fantasia, com personagens que tinham poderes e havia uma rebelião. Pronto. Só isso já foi o bastante pra chamar minha atenção. Não existe nada que eu ame mais do que pessoas com poderes e lutas contra o sistema (vide “A Rebelde do Deserto” – RESENHA AQUI). Imediatamente eu baixei o livro (mas aceito se a editora quiser me enviar o livro físico) e devorei em dias. Entre segunda e domingo, li três dos quatro livros da série, além dos livros complementares (são dois).

Antes de qualquer coisa, preciso avisar que as opiniões sobre o livro são muito divergentes. Inclusive, o maravilhoso Vinícius Cerqueira mesmo já fez a resenha dos dois primeiros livros aqui no site e olha, ele não curtiu muito. Já eu? Eu amei! Obviamente é tudo uma questão de ponto de vista, então, agora assumo a responsabilidade de resenhar os dois últimos livros da série: A Prisão do Rei e War Storm (que só vai ser lançado em maio).

Estamos entendidos? Então, vamos para a resenha!

Vou tentar ao máximo não contestar os comentários negativos que ouvi sobre esse livro (costumo acompanhar canais de livros, no YouTube, então acabei tragando várias opiniões), porém, uma coisa que eu ouvi sendo bastante criticada foi que os capítulos desse livro são narrados pela visão de outros personagens além da Mare. Ao contrário de tanta gente, eu achei genial, porque é no terceiro livro que Mare Barrow está presa, e até então, a autora criou mais de um núcleo da história. Seria até burrice da parte dela se simplesmente focasse na prisão (que, na verdade, nem tinha muitas tramas) e esquecesse das histórias acontecendo em paralelo.

Sendo assim, ela colocou a Cameron narrando alguns capítulos e Evangeline (nossa vilã de metal) narrando outros. Eu achei fantástico, porque, de um lado, vemos à revolução acontecendo sob o olhar de uma das “sangue novas/rubras”, que nem queria fazer parte daquilo, sendo assim, um olhar bastante crítico. Do outro lado, vemos o lado da vilã e conhecemos um pouco mais sobre o terceiro núcleo que está se formando, direto de sua raiz (sem spoiler). Unindo essas três personagens fantásticas e suas visões sobre o que está acontecendo no cenário de Norta, podemos imaginar claramente uma guerra sendo articulada por rebeldes, um rei fazendo alianças para manter o controle e uma quase rainha que narra a situação pela perspectiva dos prateados, e principalmente, da casa Samos, que é a principal casa naquele momento.

Sobre a prisão, observamos a força de Mare. A personagem é extremamente cansativa (infelizmente, nisso eu concordo com a opinião geral) e passa 99% do tempo fazendo birra e se queixando. Nos momentos que realmente merecem uma reação exagerada, ela resolve ser contida e “olhar para os próprios pés”. E começa um jogo psicológico entre ela e Marven, em que, finalmente, ela entende que ele a ama (do jeito distorcido dele) e também aprendemos que Marven tem seus próprios problemas, já que sua mãe o controlou ao longo da vida, “extraindo” pedaços de sua memória e o fazendo desenvolver esse jeitinho peculiar de ser.

Já entre os rebeldes, vemos uma articulação cada vez mais forte e bem elaborada do comando vermelho. É importante, aliás, mostrar essa visão do comando, porque até então isso só fora representado de maneira raivosa, com vermelhos brigando com sangue novos, intrigas internas e muita discordância do movimento. Agora podemos observar que as alianças estão mais fortes, principalmente com membros de outras regiões e a ajuda de novos sangue novos que se unem á causa. Eles se entendem melhor e começam a dar forma a um movimento que passa credibilidade.

Não se ouve falar tanto dos novos poderes e das estratégias de luta dos rubros como antes (isso fica mais no finalzinho do livro), porém começamos a entender o planejamento da revolução, e isso, sinceramente, é bem mais interessante, porque abre portas para um livro cheio de ação com a execução desse planejamento. A própria Cameron (nossa narradora dentro desse núcleo) começa a compreender melhor a causa e se convencer de sua importância. Ainda que inicialmente sua motivação fosse seu irmão, aos poucos ela se engaja na “causa maior”. Pra quem quiser conhecer mais da causa vermelha, além do que a Cameron mostra, aconselho lerem o spin-off Cicatrizes de Aço (o livro traz uma visão ainda mais aprofundada da revolução, desde o seu início)

Entre os prateados, quebramos de imediato a imagem de monstros sem coração. Evangeline (que é a personificação do “prateado orgulhoso e sem coração”) começa sua versão da história usando apelidos carinhosos e declarando amor e consideração por vários membros de sua e de outras casas. Ela explica o que está acontecendo por trás do rei Marven, entre os prateados insatisfeitos, e como planejam resolver o problema no reinado de Norta. Também entendemos minimamente o lado dela e isso, pessoalmente, me fez refletir sobre como todos os lados têm sempre uma versão justificada de seus atos. Evangeline, assim como Marven, se mostra quase como um boneco de modelar. Moldada para ser rainha desde que nasceu, embora não seja necessariamente algo que ela almeja (como mostram os demais livros), mas algo que faz por respeito à sua casa e sua família (que estão em primeiro lugar). Seu coração, na verdade, se encontra bem longe da coroa de Marven, e até mesmo seu desprezo por vermelhos é questionável em momentos muito sutis, como quando uma serva se corta, recolhendo cacos de vidro, e ela faz um “lembrete mental” de pedir para a curandeira consertar o corte.

Não quero me prolongar muito nesta versão, porque vem cheia de spoillers importantes para o próximo livro, mas, sinceramente, foi a parte mais incrível de ler, principalmente por causa dessas quebras de ideias que foram passadas até agora. E quem quiser continuar entendendo um pouco mais do outro lado da história (o lado prateado), outro spin-off lançado foi “Canção da Rainha”, que fala da vida da rainha Coriane, a decadência e ascensão de casas no reino de Norta e como nem todos os prateados são sempre monstros sem coração (ou porque são assim).

Pronto! Tentei não falar demais, mas não me contive em algumas partes. Agora é sua vez! Sério, leia com atenção aos detalhes. Observe além do óbvio. Tente entender os motivos da autora mostrar determinados argumentos e pontos de vista. É genial como a Victoria Aveyard consegue soltar várias pontas e no final, fechar um laço. Eu terminei o livro em 24 horas, ansioso pra recomendar pra todos os meus amigos e querendo muito, muito mais. Agora, espero ansioso pelo próximo. A expectativa está bem alta e o material está muito bom. A bomba foi armada e agora, finalmente, vai explodir!