“A Rainha Vermelha” é uma história volumosa e rasa

Uma mulher que conduz uma classe social oprimida à libertação dos dominantes em um mundo distópico. Já vimos essa história antes, em outros livros e filmes, né? Parece que, contudo, o fôlego dos autores e editoras nesse tipo de conto ainda não chegou ao fim, e o livro A Rainha Vermelha é mais um dessa leva.

Lançado em 2015 pela estreante Victoria Aveyard, A Rainha Vermelha mostra um mundo onde as pessoas são divididas por duas classes: os prateados e os vermelhos. Essa sociedade separatista coexiste num universo com tons mediáveis; contudo, com armamento militar e poderes exclusivo para os prateados. São esses prateados também que ocupam os principais cargos na política e também no existente regime monárquico.

Nossa protagonista, Mare Barrow, é uma vermelha, a mais pobre das classe, que ocupa as favelas e os cargos de serviçais e dos solados do front numa guerra que está sendo travada em outro país. Mare então precisa roubar e utilizar da sua esperteza para poder sobreviver nesse mundo desigual. Ela vive num lugar destinado às classes menos favorecidas, chamado de Palafitas, onde convive com seu pai, mãe e dois dos cinco irmãos. Os demais foram recrutados para a guerra.

As aventuras da protagonista começam quando ela tenta furtar alguma coisa – o livro não explica exatamente o que é – de um homem misterioso quando sai de uma taverna pela noite. A partir daí, sucedem-se uma porção de acontecimentos até que ela é chamada para se tornar uma serviçal vermelha no castelo real.

No mesmo dia em que chega para trabalhar para o rei, a rainha e os príncipes, está ocorrendo um evento para a escolha da futura esposa do príncipe herdeiro Cal, até que um acidente acontece com Mare: ela cai numa espécie de cúpula elétrica, mas em vez de morrer devido ao contato com a alta tensão, isso acaba despertando determinados poderes, exclusivos dos prateados. E aí que a história da vermelha que se tornou prateada sem querer começa.

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A autora do romance, Victoria Aveyard, nos primeiros capítulos do livro, nos joga num mundo totalmente confuso que demora muito para ser desvendado pelo leitor, o que prejudica os primeiros capítulos da trama. São várias coisas, de diferentes contextos históricos, misturadas ao mesmo tempo, e que não fazem sentido. Por exemplo, a história se passa numa época medieval, mas os personagens usam armas de fogo, sendo que alguns deles tem superpoderes, cuja único sentido é demarcar a desigualdade social. Além disso, as coisas demoram para acontecer: o descobrimento dos poderes até a aceitação deles e o uso devido dos mesmos.

A Rainha Vermelha trata-se, em suma, de uma distopia romântica fantástica. Victoria tenta impor garganta abaixo uma jornada heróica, o que é inviável, pois Mare Barrow é uma personagem totalmente sem carisma se comparada com outras heroínas de mundos distópicos, como Katniss Evergreen (trilogia Jogos Vorazes) e Tris Prior (trilogia Divergente).

A escolha por uma narrativa em primeira pessoa dá a impressão aos leitores que a personagem é também um tanto egocêntrica, o que torna tudo muito chato. Os personagens coadjuvantes também vão pelo mesmo caminho, especialmente os príncipes Cal e Maven.  O que pode salvar a história são os conflitos políticos que envolvem o reino e uma rebelião formada por vermelhos intitulada como Guarda Escarlate. Ela que catalisa a fria primeira metade da trama.

Percebe-se que falta experiência na autora Victoria Aveyard, pois traz uma história distópica cujo foco é o romance, que é um triângulo amoroso com personagens intragáveis. Não se iluda pela capa do livro! É uma história rasa, apesar das 407 páginas que a compõem.

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Vinícius Cerqueira
Jornalista em formação, fluente em baianês e musicalmente conduzido no dia a dia
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Vinícius Cerqueira

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