Guerra Civil tira a ressaca da Origem da Justiça e dá uma aula de franquia
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O sucesso não é construído em uma noite, são anos de boas e más decisões que nos levam ao momento onde respiramos fundo e podemos dizer: eu consegui. Independentemente do que acontecer com a franquia daqui pra frente a Marvel já pode fazer isso. Capitão América: Guerra Civil é, sem sombra de dúvidas, o ponto alto da franquia. São 13 filmes que nos levaram ao que temos hoje nas telas.

Ao contrário do que aconteceu em Batman vs Superman, o roteiro não precisa esfregar nada na nossa cara para gerar empatia. Diga-se de passagem, o roteiro é tão bem articulado que podemos nos identificar e entender as motivações de cada um dos personagens nos diferentes momentos da trama. Como numa tragédia grega, esses deuses estão longe de serem perfeitos. Nem heróis, nem anti-heróis, sempre caminhado numa linha tênue entre um e outro, todos buscando entender melhor a si mesmos, mais do que aos outros.

Chega a ser absurda a quantidade de subtramas simultâneas que são apresentadas sem deixar que o espectador se perca. A habilidade narrativa em referenciar os filmes anteriores e preparar o terreno de forma tão suave para os próximos, inserindo de maneira tão efetiva e convincente novos personagens como o Pantera Negra e velhos conhecidos como o Homem-Aranha, é digna de aplausos.

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As cenas de luta são maduras. O alívio cômico tem a medida certa e a história nunca para de avançar, não só para o filme, mas para a franquia como um todo. E quantos plot twists esse filme tem? Alguém contou? Temas como amizade e vingança permeiam o filme de maneira igualmente sutil e pungente.  O verdadeiro vilão do filme nunca precisa levantar um punho para fazer o mundo vir abaixo. O novo longa da Marvel consegue, inclusive, inserir histórias de background totalmente novas, mas absolutamente vitais, sem parecer forçado. O fato do elenco também carregar a bagagem dos outros filmes da franquia faz com que tenhamos atuações sólidas que, em momento algum, tendem à canastrice.

A principal sequência de batalha é empolgante não só por opor personagens com quem construímos relações há quase uma década, mas pelo equilíbrio que ela traz e pela quantidade de heróis e possibilidades que ela carrega. Tá todo mundo lá! Na verdade, não. O filme é tão bem-sucedido que não nos deixa sentir falta de dois dos personagens centrais da Marvel: Hulk e Thor. E sabe por que não sentimos falta? Porque o Guerra Civil nos oferece o suficiente. E porque temos a segurança de que eles retornarão em breve, quando forem realmente necessários.

É bom que se diga, não fosse um blockbuster de super-heróis, os elogios aos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely assim como aos diretores Anthony e Joe Russo, que souberam conduzir o filme de maneira exemplar, em termos de tom e passo, seriam ainda maiores. Quer ouvir algo ruim sobre o filme? Sim, como é comum, algumas pequenas cenas são descartáveis, mas é difícil ligar para isso quando todo o resto é tão bem construído.

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Esse gênero sempre foi mais conhecido pelas façanhas tecnológicas, pelo aspecto técnico apurado. Guerra Civil eleva o nível quando traz tamanha destreza narrativa, fazendo deste o filme do ano até agora. Mas, como disse no início, o sucesso não foi construído aqui. O fato de conhecermos tão bem esses personagens deu aos realizadores a chance de nos oferecer algo maior. O sucesso foi construído durante 12 filmes e agora chegou o momento de respirar fundo e aproveitá-lo. Melhor para nós.

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