Durante a passagem dos Estados Unidos pela Guerra Civil, as quatro irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh), da família March, passam juntas pelo amadurecimento da adolescência para a vida adulta, enquanto encaram seus próprios anseios durante a fase.

A série de livros da autora Louisa May Alcott publicados entre os anos de 1868 e 1869 continua tão atual quanto a época de sua publicação. Ao longo do tempo foram diversas adaptações para o cinema desde os anos de 1933 com As Quatro Irmãs do diretor George Cukor, uma releitura lançada em 2018, Little Woman, de Clare Neiderpuem. Até finalmente chegarmos na adaptação mais atual, de Greta Gerwig, lançada 2019 com direito a contemplações do Oscar.

A direção de Gerwig acompanha duas linhas temporais, sendo uma delas o passado onde as irmãs passam pela transição da adolescência, momento desperto pela conduta mais carismática e extrovertida delas, enquanto na segunda linha temporal a narrativa explora a vida das irmãs March na fase adulta, e mesmo que o elenco perpetue entre ambas as fases, a interpretação das atrizes consegue contrastar de maneira perceptível as mudanças de tempo.

Sendo esse o principal acerto do filme, o elenco feminino consegue suprir o valor temático abordado na história, com interpretações dignas do reconhecimento no Oscar. A Jo March de Saoirse Ronan se destaca não apenas pelo protagonismo de sua personagem, mas também pela interpretação feminista e que contesta o papel da mulher em sociedade com pensamentos arcaicos usando também o seu talento para escrita.

O elenco feminino consegue suprir o valor temático com interpretações dignas do reconhecimento no Oscar.

Florence Pugh, que concorre à categoria de atriz coadjuvante, dá vida à mais nova das irmãs. Amy March tem uma personalidade intensa e impulsiva, apresenta o melhor contraste de tempo à narrativa dentre ações que beiram a imaturidade da adolescência, a ambição de expor seu talento como pintora, além de um casamento financeiramente próspero.

Já as irmãs Meg, da atriz Emma Watson, e Beth, de Eliza Scanlen, acrescentam ainda mais dramaticidade à narrativa, apesar do espaço de tela ser um pouco mais reduzido que as demais. O Laurie de Timotheé Chalamet completa o clube das irmãs March, uma interpretação galanteadora em que o ator domina bem o personagem.

Em mais uma obra, o roteiro de Gerwig – também indicado ao Oscar de roteiro adaptado – consegue unir a transição da família ao longo dos anos entre a fase jovem a adulta, com discussões relevantes sobre o papel da mulher além do romantismo, o que explica as diversas adaptações da obra que permanece sendo um clássico atemporal.

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