Nos últimos meses, você provavelmente viu a figura de um super-herói que, até uns anos atrás, não era lá muito conhecido pelo público médio. Deadpool é o produto da vez, que vem com a grande missão de enlouquecer os fãs, apagar de vez as lembranças de uma péssima aparição do personagem nas telonas em X-Men Origins: Wolverine e principalmente, ganhar dinheiro, muito dinheiro.

Deadpool é um personagem nada conceitual, se for levado em conta que ele foi criado como uma concha de retalhos feita com elementos que estavam funcionando na época. Ele fez bastante sucesso entre o público alvo da Marvel (adolescentes com muita sede de violência, palavrões e humor negro). E a editora agora tenta repetir o feito de agradar um público usando o personagem que tem um certo carisma para ser “o melhor herói de todos” para muitas pessoas.

É impossível não reparar na semelhança óbvia que há entre o Deadpool e vários outros personagens consagrados. Acontece que, nos anos noventa, houve uma grande expansão da indústria de quadrinhos nos Estados Unidos, que gerou uma necessidade de criação e adaptação de personagens para que as HQs pudessem ser mais atraentes para os mais jovens.

Assim, Rob Liefeld e Fabian Niciesa (que travaram na linha editorial de quadrinhos como X-Men e X-Force) resolveram pegar características de alguns dos personagens mais populares da editora – e também da concorrente DC Comics – para gerar um personagem.

A fórmula é a seguinte: o senso de humor do Homem-Aranha (assim como um pouco do visual do Cabeça de Teia); o fator de cura do Wolverine (o que realmente “ocorreu” na história do personagem); vários elementos, que variam desde as habilidades até mesmo o nome, retirados do Deathstroke (conhecido no Brasil como Exterminador); assim como traços de personalidade do anti-herói Lobo.

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Ryan Reynolds dá vida ao anti-herói Deadpool nas telonas

A falta de moralidade, o humor negro e a irresponsabilidade são alguns dos elementos do Deadpool que o tornam um personagem querido pelos adolescentes. Isso se dá principalmente pelo fato de que ele se constrói quase que de maneira anárquica e rebelde, sempre de forma cômica e irreverente, o que para a maioria dos jovens é fantástico.

Aparentemente, a Marvel irá conseguir conquistar novos fãs com o Deadpool, assim como ocorreu nos anos noventa. Lançar um filme sobre o personagem foi um passo radical, que foge de toda a filosofia de “filmes para todos os públicos” que a Marvel vinha adotando desde o princípio. Só resta agora saber se o uso significativo de violência e humor negro irá trazer os resultados esperados: grande bilheteria, aumento da demanda de conteúdo, e dinheiro, muito dinheiro.

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Myqueas Bruce Wyllys (e isso dispensa apelidos) gosta de cinema, música e literatura. Um bardo com o coração divido entre Hitchcock, Kubrick e Chaplin, que tem um otimismo um tanto pessimista, causado por leitura excessiva de Charles Dickens e possui interesse por tudo e por todos. Nas horas vagas, gosta de ver filmes, convencer amigos a verem filmes e debater filmes.

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