O cartaz chamou minha atenção. Vemos uma moça, de corpo belo e super tatuado, de costas. Não dá pra saber exatamente do que trata o filme… Uma jovem rebelde, um caso de amor adolescente?

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Cartaz oficial, em português, do filme

Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown, 2012) não é sobre isso. Dirigido pelo belga Felix van Groeningen e protagonizado pelos atores Veerle Baetens (no papel de Elise) e Johan Heldenbergh (como Didier), o filme narra a história de um inusitado casal: ela é tatuadora e, ele, tocador de banjo numa banda de bluegrass country, estilo musical tradicional do sul dos Estados Unidos com influências irlandesas, escocesas, inglesas e galegas. Pausa para a trilha sonora desse filme, lindíssima e cujos vocais são acompanhados por Elise, cujo talento para o canto é descoberto logo no começo da história, levando-a a, com muita sintonia,  logo ser incorporada à banda de Didier. Vejam só:

Do romance do casal, nasce Maybelle, que é diagnosticada com câncer aos seis anos. Eita. Aí o filme tinha tudo para derrapar no senso comum, mas passa firme e forte assim: ao ladinho dele. Talvez o momento em que chegue mais perto é ao ouvirmos os calorosos discursos de Didier a favor dos estudos com células-tronco. No entanto, é compreensível aquela revolta. Os Estados Unidos, que sob a ótica desse pai ateu e dilacerado pela doença da filha é o país da liberdade, se mostra para ele o país responsável por atrasar pesquisas médicas importantes em nome de preceitos religiosos.

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Alabama Monroe narra a história de um inusitado casal

Deixemos isso um pouco de lado, já que é bem aí onde senso comum quer se alojar. O sensível filme, envolto por muita música boa, é sobre um lindo relacionamento que vai se dissolvendo, é sobre amor e morte. E a beleza de Alabama Monroe está nos vazios, já que ele não se preocupa em explicar os pormenores de como o casal se conheceu ou de onde veio aquela mulher tatuada. Ainda, mesmo contando alternadamente histórias do passado, presente e futuro, a trama não complica. Seu objetivo é emocionar. E a atuação do casal é muito intensa. Talvez por já ter sido trabalhada no teatro e ter sido dirigida, nos palcos, por Johan Heldenbergh, ator principal do filme. Isso definitivamente explica um pouco de toda aquela entrega.

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Do romance do casal protagonista, nasce Maybelle, diagnosticada com câncer aos seis anos de idade

Já o câncer, temática tão batida no cinema, considero ter sido abordado de forma muito delicada nesse filme. Afinal, como suportar que ele chegue à sua filha tão nova? Revolta, afastamento dos outros… Afastamento de si mesmo. Até onde o amor aguenta? Vale a pena ver o filme e descobrir que não só dos excelentes irmãos Dardenne (O Silêncio de Lorna, A Criança, O Garoto da Bicicleta etc) vive o cinema belga.

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