É no ligar da câmera, no acender das luzes, no gritar “ação”, que a magia começa. É o momento no qual a imaginação se liberta das mentes inquietantes e se transporta para os gestos dos atores das grandes obras audiovisuais. Contudo, devo destacar que o uso do termo “atores” refere-se não só aos grandes mestres responsáveis por criar a mais pura verdade na frente das câmeras. Uso também para destacar toda a equipe técnica envolvida no processo de concretização da obra, equipe essa que buscou incansavelmente desenvolver uma mise en scéne que permitisse o espectador deleitar-se com as imagens em movimento.

De fato, quando destacamos positivamente uma determinada obra, apenas elogiamos o desempenho dos atores e a maestria como o diretor conseguiu guiá-los, para assim desenvolver uma verdade, uma verossimilhança, relegando  ao esquecimento a equipe técnica que desde o principio das gravações tiveram que desempenhar papéis específicos, tentando solucionar os problemas surgidos, evitando os ruídos que desprendessem os espectadores da obra.

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A noite americana

A cada fim de sessão saímos das salas escuras aplaudindo tudo o que se foi visto, satisfeito por aqueles momentos de expurgação de nossos sentimentos, nos tornando os mais desejáveis espectadores indesejáveis, desprezamos todos os elementos que estão por trás da mágia, da ilusão, da fantasia.  Acreditamos apenas no que os nossos olhos nos mostram, somos incrédulos que descartam a realidade para assim viver na ilusão das telas. Afinal de contas era isso que os atores que estão por trás das câmeras queriam, nos mostrar algumas horas do mais puro prazer da fantasia, nos fazer por um momento deixar a realidade de lado e viver na felicidade das narrativas contadas nas telas de cinema.

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Oito e meio

Se quiser conhecer melhor o trabalho desses “atores”, indico três grandes obras do cinema que destacam com maestria os processos de gravação de uma filme: Cantando na Chuva, A Noite Americana e Oito e Meio. Ao assistir esses  clássicos com certeza você começará a se perguntar e se questionar sobre o que se passa por trás das câmeras de uma obra cinematográfica.

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